Por Luana Borges

Imagem: Campanha do projeto Pérolas de 2017,  uma organização não governamental criada para empoderar e cuidar da autoestima e da qualidade de vida emocional das mulheres diagnosticadas com câncer.

Mesmo seguindo tradições familiares de ir em apenas um(a) médico(a) por anos ou de experimentar um novo consultório é sempre bom questionar. Nesse contexto de saúde feminina é importante lembrar, principalmente no outubro rosa, sobre a importância de cuidar da saúde, visto que há uma incidência crescente do câncer de mama e do colo do útero que são os tipos que mais matam mulheres todos os anos. “Segundo estimativas do Ministério da Saúde do Brasil, cerca de 40% dos casos de câncer de mama são diagnosticados e tratados nos Hospitais Públicos Oncológicos das grandes cidades. A principal causa de casos avançados é o longo tempo de espera para o diagnóstico dos nódulos palpáveis e início do tratamento que é superior a 120 dias” (fonte: Hospital Perola Byington).

“O exame para prevenir o câncer de mama deve ser feito por toda mulher sexualmente ativa, após os 25 anos e deve ser realizado uma vez por ano nos dois primeiros exames, se ambos os resultados forem negativos para displasia ou neoplasia, o exame pode ser refeito a cada dois anos. O distúrbio de uma menstruação muito longa, sangramentos vaginais no meio do ciclo pode exigir a frequência maior do exame, a critério médico, assim como dor e sangramento na relação sexual, que são os principais sintomas quando o tumor já está em estágio invasivo de desenvolvimento. 

Fatores de risco do câncer de mama: estímulos endócrinos como o excesso de estrogênio no sangue, herança genética. como ter parente de primeiro grau com câncer de mama antes dos 50 anos, por exemplo, pode indicar predisposição à mutações em determinados genes; mulheres que tiveram a primeira menstruação precocemente (antes dos 12 anos) e entraram tardiamente na menopausa (depois dos 50 anos) e as que engravidaram após os 30 anos, ou não tiveram filhos, e fizeram reposição hormonal na menopausa por mais de cinco anos; consumo diário de bebida alcoólica; peso excessivo, especialmente após a menopausa; e o sedentarismo. A atividade física e o aleitamento são considerados os principais fatores de proteção contra o câncer de mama” (fonte: sogesp)

Ginecologista é a especialidade médica mais procurada por mulheres a vida toda, então é importante não confiar apenas em uma opinião se estiver insatisfeita com o atendimento e pesquisar na internet para levar questões à/ao ginecologista ou mesmo procurar outro(a) profissional. Afinal, o empoderamento feminino tem conscientizado as mulheres que não são obrigadas a aceitarem situações em que sentem-se oprimidas de alguma forma ou invadidas por limites impositivos como receber receitas de medicamentos ou injeções sem prévia informação sobre a necessidade do tratamento recomendado e seus efeitos colaterais. Mas, será que realmente as mulheres estão se empoderando (tendo voz) em consultas ginecológicas? Ninguém é obrigada a acreditar e aceitar ordens médicas sem questionar e parece que, mais do que nunca a cultura de pacientes diante seus(suas) ginecologistas está mudando, as campanhas do outubro rosa e do combate ao HIV, ao HPV e à sífilis tem contribuído igualmente para essa maior conscientização.

Assim, cultuamos o importante hábito de se cuidar mais, de se tocar e perceber a própria saúde, além de aprender a questionar todo serviço que atue sobre nossas vidas, para garantir os direitos sobre nossos corpos e nossas escolhas e também, para construir profissionais mais éticos e responsáveis com seus públicos. Confira algumas dicas de saúde feminina nesse sentido:

1. Pergunte sobre tudo

Pergunte sobre sexo, gravidez, menstruação, TPM, anticoncepcionais, vacina do HPV, candidíase, camisinha feminina e o que mais achar necessário tirar dúvida, sem vergonha, pois o/a profissional está ali para isso. Inclusive sore outras áreas de sua saúde, pois o/a ginecologista pode encaminhar para algum/a especialista.

2. Anticoncepcionais

Caso você queira, pergunte quais exames são necessários para saber o melhor tipo indicado para o seu organismo. E se não quiser, peça alternativas aos métodos hormonais, como o DIU de cobre. O importante é avaliar todos os riscos e benefícios.

A pílula anticoncepcional não previne contra as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Não é verdade que a pílula engorda, na maioria das mulheres a pílula não aumenta o peso, nem dá celulite ou estrias, conforme estudos científicos. Existem diversos tipos de pílulas porque existem diversos tipos de mulheres e os efeitos colaterais variam de acordo com o organismo da pessoa como aumento de risco de doenças cardiovasculares em hipertensas e aumento de enxaquecas e problemas vasculares em quem tem histórico familiar dessas doenças. A pílula do dia seguinte é também um método contraceptivo hormonal, mas só para caso excepcionais como quando a camisinha estourou ou houve relações sexuais sem proteção. (Veja também: Esqueci da pílula)

A terapia com contraceptivos orais também é utilizada no tratamento contra sangramento irregular ou excessivo, acne, hirsutismo (aumento de pelos em locais não comumente femininos), dismenorreia e endometriose. Mas existem muitos outros métodos anticoncepcionais:

 

3. Vida sexual

Ser sexualmente ativa é muito saudável e nem sempre precisa de um/a parceiro/a, por isso, qualquer disfunção ou desconforto na sua vida sexual deve ser questionado ao/a ginecologista, sem vergonha, pois esse/a profissional deve te ajudar e não te julgar. A menopausa, em algumas mulheres, pode afetar consideravelmente a libido e o apetite sexual como a menor lubrificação vaginal. Mas, há também fatores hormonais que influenciam a libido como estresse, cansaço, entre outros. Todos esse sintomas têm tratamento, consulte sua(seu) médica(o).

Mais importante ainda do que buscar ajuda médica e pesquisar sobre o seu corpo e sua sexualidade é conhecer o seu corpo por is, se olhar se cuidar e conseguir ter prazer sozinha para saber o que agrada e o que não agrada quando o prazer for a dois. Explorar a vagina e praticar a masturbação feminina é um tabu cada vez mais desconstruído, pois as mulheres entendem que precisam se conhecer para se empoderar. Autoconhecimento que traz prazer e autonomia para a vida das mulheres e merece uma xanografia (imagem abaixo) e muitas conversas sobre isso entre amigas.

4. Menstruação

Pergunte sobre qualquer mudança no seu ciclo, seja atrasos, fluxo sanguíneo desregular ou dores. São informações importantes para orientar o/a médico/a ao examinar você e diagnosticar possíveis disfunções hormonais ou doenças. Atualmente existem aplicativos específicos para conhecer e monitorar melhor seu ciclo menstrual. O primeiro sinal do climatério ou pré-menopausa é a mudança do ciclo menstrual, mas diversas alterações podem causar mudança da extensão do ciclo. Leia mais sobre menopausa e reposição hormonal.

Lavar os cabelos e andar descalça não são motivos para cólicas menstruais, a mulher na menstruação não precisa ter nenhum cuidado além da higiene pessoal. A cólica menstrual, também conhecida por dismenorreia, é o sintoma mais comum da menstruação junto à tensão pré-menstrual (TPM). É uma dor e um desconforto que afeta 50% das mulheres, mas pode ser evitada e tratada, sendo a cólica primária a mais comum e de natureza desconhecida, já a cólica secundária pode ser provocada por doenças como inflamações pélvicas, endometriose e miomas. 

A TPM acontece aproximadamente 10 dias antes da menstruação, não existe TPM pós-menstrual. Sua principal causa é a alteração hormonal feminina no período menstrual, que interfere no sistema nervoso central. Aparecem sintomas emocionais como depressão, irritabilidade, cansaço, insônia; dor de cabeça; e sintomas físicos como acne e inchaço. Atividades de bem-estar, exercícios físicos, alimentação balanceada (com menos carboidratos, sal e açúcares) e ser otimista ajudam a reduzir a tensão e a melhorar a autoestima nesse período. E não deixem que confundam seu senso crítico com sua TPM, pois nesse período, muitas vezes, as mulheres tornam-se mais agressivas ou depressivas, mas nada disso vem sem sinceridade extrema. 

5. Doenças femininas

É fundamental informar o(a) ginecologista sobre históricos de câncer de mama, útero e ovário na família e doenças que você teve na infância, quais remédios você toma e se já realizou tratamentos. Veja algumas das principais doenças femininas:

OVÁRIO POLICÍSTICOS – ovário micropolicístico ou ovários policísticos, que é um distúrbio endócrino e provoca alteração dos níveis hormonais com formação de cistos nos ovários e o aumento de tamanho. Provoca menstruação irregular e alta produção de testosterona. Sintomas: aumento de pelos no rosto, seios e abdômen, obesidade, acne;

LESÃO NO COLO DO ÚTERO – ferida ou lesões do colo do útero podem ser congênitas ou provocadas por cervicites. O tratamento, após verificada a causa da infecção, é geralmente feito por cauterização do colo de útero, e às vezes até cirurgia. A evolução depende da causa da ferida.

INFECÇÃO URINÁRIA – infecções urinárias não atrapalham a fertilidade. As principais causas são a relação sexual e as bactérias do trato gastrointestinal que migram até a bexiga. A cistite é quando a infecção afeta a bexiga, enquanto a pielonefrite afeta o rim com sintomas mais severos. A doença tem incidência de 80% a 90% em mulheres e tem tratamento com antibiótico. Para prevenir o ideal é ingerir bastante líquidos e não reter urina.

HPV (human papiloma virus) – é um vírus que infecta os queratinócitos da pele ou mucosas e que pode provocar verrugas na região oral (lábios, boca, cordas vocais, etc.), e também anal, genital e da uretra genital. Existem mais de 100 tipos de HPV, sendo que muitos podem causar câncer, principalmente no colo do útero e do ânus, porém, a infecção pelo HPV é muito comum e nem sempre resulta em câncer, por isso é extremamente importante o exame de prevenção do câncer ginecológico, o Papanicolau periodicamente. A principal forma de transmissão desse vírus é por contato sexual (sexo oral também), mas existe transmissão vertical (mãe/feto). Para ocorrer o contágio, a pessoa infectada não precisa apresentar sintomas, por isso é fundamental o uso da camisinha em relações sexuais.

Segundo a pesquisa do  Instituto Nacional de Câncer, o tipo de tumor mais frequente em pessoas entre 15 e 29 anos é o carcinoma, que entre 2009 a 2013 “ocorreu em 34% das vezes e foi mais encontrado no colo do útero. Esse tipo de tumor também apareceu com frequência na tireoide, na mama e na região de cabeça e pescoço” (…) a educação sexual dos jovens é a maior aliada na prevenção dos cânceres ginecológicos, como o do colo do útero, que têm ligação direta com a infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV). Embora a incidência de câncer entre jovens seja bem menor do que a verificada entre pessoas com mais de 30 anos, é fundamental a população se manter atenta às doenças. (…) O grande vilão para essa faixa etária é o HPV, transmitido principalmente por relação sexual. Ele pode ser evitado com vacina, hoje já disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Meninas de 9 a 14 anos devem tomar duas doses com intervalo de seis meses, e, desde o mês passado, meninos de 12 e 13 anos também podem se vacinar. O número de doses e o intervalo para eles é o mesmo. (fonte: oglobo )

VAGINOSE BACTERIANA – é provocada por um conjunto de bactérias em desequilíbrio na flora vaginal, sendo a mais conhecida a Gardnerella vaginalis. É mais frequente em mulheres sexualmente ativas, mas não é provado ser uma doença sexualmente transmissível. Ocorre principalmente em mulheres na idade reprodutiva, que usam DIU ou são fumantes. A Vaginose também é causada por estresse em excesso e umidade concentrada na genital como em pessoas que praticam esportes e ficam suadas por muito tempo após o treino sem trocar a roupa. Consequências comuns disso são o corrimento genital e a candidíase. Os sintomas são: corrimento branco–acinzentado, odor forte, pequenas bolhas. O não tratamento pode ocasionar problemas mais sérios como endometrites e inflamação das trompas.

CANDIDÍASE – não é uma doença sexualmente transmissível, porém estudos mostram que o uso do preservativo diminui as recidivas da infecção. Fatores que facilitam aparecer essa micose: antibióticos, gravidez, diabetes, infecção pelo vírus HIV, deficiência imunológica, anticoncepcionais e corticoides, relação sexual desprotegida, roupas apertadas e biquínis molhados por muito tempo. Entre 20% a 25% dos casos de corrimentos genitais de natureza infecciosa têm como causa a Candidíase. Diz-se que 75% das mulheres têm essa infecção pelo menos uma vez na vida.

ENDOMETRIOSE – presença do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos como trompas, ovários, intestinos e bexiga. As causas desse comportamento ainda são desconhecidas, mas há um risco maior de desenvolver endometriose se hás casos na família. Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais e sangramento intensos, dor na menstruação e em relações sexuais, fadiga crônica e exaustão, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação e dificuldade para engravidar e infertilidade.

6. Exames

Para que servem e como eles são realizados, para ficar tranquila e segura pergunte tudo, faça uma lista antes da consulta para lembrar. 

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“Apenas um(a) médico(a) especialista poderá confirmar a necessidade e, principalmente, solicitar a realização de exames, sejam eles ginecológicos ou de quaisquer outras especialidades”. – fonte: Bedmed.com.br
Cuide do seu corpo, da sua saúde e da sua autoestima.


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