Por Luana Borges

Iniciado no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida)CFM (Conselho Federal de Medicina)ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o Setembro Amarelo realizou as primeiras atividades em 2014 concentradas em Brasília e em 2015 já haviam ações em todas as regiões do país. Mundialmente, o IASP – Associação Internacional para Prevenção do Suicídio estimula a divulgação da causa associado ao dia 10 do mesmo mês no qual se comemora o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Por causa dessas iniciativas, cada vez mais, uma abordagem responsável do suicídio tem sido pensada na mídia tradicional e alternativa sobre informar, sensibilizar, conscientizar e estimular a prevenção e, de modo algum, estimular novos casos. A importância desse assunto parece tocar todas as pessoas, porém ao falar existe um grande tabu. E o preconceito ou o medo de tratar sobre suicídio enxergam apenas a ponta do iceberg de problemas que integram os transtornos mentais como depressão, bipolaridade e ansiedade que podem provocar comportamentos suicidas. E o cuidado ao abordar tais temas não deve impedir de conversar sobre isso, que é o mais importante, pois tabu só se quebra assim. Dessa forma, aos poucos as pessoas se abrem a pensar e resolver tais problemas que são mais comuns do que imaginamos. O CVV realiza por todo Brasil diversas atividades interativas e cursos para a prevenção e tratamento desses transtornos e sofrimentos, procure essa programação em sua cidade.

A atenção para esse assunto deve ser dada a todas as pessoas que no rodeiam, inclusive a nós mesmos(as). Mas, por vezes alguém não está bem e não demonstra abertamente e ninguém percebe o suficiente porque, muitas vezes, essa pessoa é proativa e cuida dos outros ao seu redor, o que até pode ser uma fuga de seus problemas/dores íntimas. Exemplo disso acontece com muitas mulheres que aprenderam a cuidar dos outros, mas não têm essa atenção recíproca e também, as vezes, esquecem de cuidar de si. Além dessa solidão aparente ou não, muitas mulheres enfrentam questões de gênero como relacionamentos abusivos, subjugação machista e assédios em diversos âmbitos sociais entre outras pressões culturais para atingir uma vida estética e profissional em padrões de “sucesso” que fazem a maioria das mulheres sentirem-se fracassadas e deprimidas. Não à toa que existem grandes campanhas de empoderamento feminino em todo o mundo para que elas encontrem a força e insurgência necessária para enfrentar sua lutas.

Irritabilidade e cansaço são comuns até determinado ponto. É importante prestar atenção porque esses podem ser os primeiros sinais de uma doença silenciosa e perigosa: a depressãoSegundo uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde, a depressão atinge mais mulheres que homens, a ocorrência é de duas a três vezes maior. Suposições apontam como motivo dessa enorme diferença a inferioridade com a qual as mulheres ainda são tratadas na sociedade. “Os transtornos do humor, dentre eles a depressão, em seus diversos graus, e os transtornos de ansiedade, sendo pânico e ansiedade generalizada, são os que mais atingem as mulheres”, afirma a psiquiatra Dra. Simone Barazzetti. ” – fonte: Vila Mulher 

Essa preocupação de como abordar a depressão e o suicídio ocorre porque muitos utilizam recursos inconsequentes como cenas mórbidas e discursos que comparam desgraças alheias para valorizar a vida. Mas, a valorização da vida pode ser feita por meio de métodos responsáveis e mais amorosos, sem choque de realidades cruéis que podem surtir efeito reverso. Geralmente, pensamos muito diferentes e justamente por isso a recepção de tais mensagens também tem efeitos diferentes. Então, uma mensagem chocante para quem está bem pode motivar a ser otimista e fortalecer, mas para quem está com algum transtorno mental ou sentindo-se triste de modo geral, pode não resultar como motivação para valorizar a vida e sim o contrário. Esse risco não vale a pena se pensarmos que existem muitas maneiras de incentivar a procura por apoio emocional, médico e psicológico, pois sempre há caminhos para melhorar ao pedir ajuda, essa é a ideia de conscientização do CVV e do setembro amarelo.

Exemplo da importância desses cuidados apareceram nas críticas sobre a série do Netflix “13 Reason Why” (13 Razões Por Quê) principalmente porque romantizou o tema de suicídio na trama em que a personagem decide acabar com a própria vida como se fosse uma escolha e sem volta. Os especialistas no assunto, assim como a Professora Dra Larissa Zeggio, diretora do Método Friends no Brasil, preocuparam-se pois a principal informação é que isso não se trata de uma simples escolha e sim de algo que resulta de um transtorno mental, que tem tratamento, tem volta sim. Existem tratamentos, acolhimento e conversa que mudam o sentido de tudo quando parece não ter mais volta para alguém que etá sem vontade de viver e com muitas dores que não sabe lidar.

muito medos e traumas que permeiam nossas vidas, alguns deles até comandam nossas vidas. Temos que tratar eles, um a um e retomar nossas vidas, sempre. Um dos piores medos é o de fracassar e a sensação de não sermos bons ou úteis o bastante. Sobre isso é bom lembrar que viver é experimentar incertezas, riscos e se expor emocionalmente. Mas isso não precisa ser encarado como algo ruim, Brené Brown desenvolveu durante 12 anos uma pesquisa pioneira sobre vulnerabilidade e mede essa condição não como fraqueza, mas como a melhor definição de coragem.

A pesquisadora diz que ao fugirmos de emoções como medo, mágoa e decepção, também fugimos do amor, da aceitação, da empatia e da criatividade. Por isso, defender-se de erros ou do fracasso é também se distanciar de experiências que pode trazer o melhor significado à vida e com isso vem a frustração. Por outro lado, quem mais se expõem e se abre à novidades consegue ser mais autêntico e realizado, superando as críticas e invejas que possam surgir. Mas, como lidar com essas “travas” que precisam de muito amor próprio e autoconhecimento para serem liberadas? Como pesar essa coragem de se mostrar vulnerável a fim de alcançar todo o potencial de ser feliz?

Brené pode nos ajudar nisso. Depois de estudar a vergonha e a empatia durante seis anos a partir de centenas de depoimentos, ela chegou à conclusão de que compreender e combater a vergonha de errar e de se expor é fundamental Ou seja, pensar mais no sucesso que você quer ter em vez do medo da opinião alheia sobre sua vida.

“A vergonha extrai seu poder do fato de não ser explanada. Essa é a razão pela qual ela não deixa os perfeccionistas em paz – é tão fácil nos manter calados! Se, porém, desenvolvermos uma consciência da vergonha a ponto de lhe dar nome e falar sobre ela, nós a colocaremos de joelhos. A vergonha detesta ser o centro das atenções. Se falarmos abertamente sobre o assunto, ela começará a murchar”. – Brené Brown

Vídeo: o psicólogo Marcos Lacerda do canal Nós da Questão do Youtube dá valiosas dicas para entender o medo do fracasso e se libertar dele e de outras autossabotagens.

E tão importante como é falar sobre a vergonha também é falar sobre os medos e traumas que vamos acumulando na vida. Pois afinal, não nascemos com eles, alguma(s) vivência(s) provocaram os medos e os traumas, então, falando sobre eles podemos identificar exatamente o momento que eles nasceram dentro da gente, suas causas e suas consequências, bem como suas curas. Temos que criar estratégias para curar nossas dores, nossas memórias e pensamentos negativos que invadem com tanta força nossa capacidade de ação ou de vi(ver) sem medo, nem vergonha. Assim, encontramos a vontade de viver feliz de dentro para fora, se amando todos os dias, despertando nossa felicidade incurável que, mesmo com dias ruins, transborda e prevalece.

Sozinho(a) não é fácil superar algumas dores que a depressão, as ansiedades e os medos trazem, por isso precisamos conversar com amigos, familiares e se for possível procurar tratamento psicológico e psiquiátrico para diagnosticar melhor o que você sente e como cuidar e curar essas dores. Além disso, na internet podemos ler muito sobre o assunto e assistir vídeos informativos e reconfortantes assim como das referências abaixo, que podem ajudar muito a entender alguns sofrimentos e pensar como tratá-los. Presicamos de referências!

Alexandra Gurgel do canal Alexandrismos relatou história de superação com muitas palavras positivas e motivadoras, sem minimizar a dor de ninguém e dando exemplos de como lidar com as dores ela coloca as cartas na mesa. Vale a pena assistir.

Não bastante esse engajamento emocional e social de Alexandra Gurgel foi além, ela fez a Maratona do Amor Próprio, que conta com 30 vídeos, sendo o primeiro deles este acima. Nos vídeos Alexandra planejou estrategicamente caminhos para empoderar as pessoas a se amarem mais e a acreditar mais em sua vidas.

Outra referência estimulante para refletir e conversar sobre problemas de autoimagem e transtornos alimentares como bulimia nervosa e anorexia que acentuam a depressão é o perfil da Mirian Bottan no instagram (@mbottan). Ela nos ajuda a (re)pensar e (re)programar nossa mente frente ao espelho e a percepção de nós mesmas e das outras pessoas também, quebrando padrões culturais nocivos a nossa saúde mental como a ditadura da magreza, a fixação pelo corpo e os padrões em geral que geram medo e ansiedade ao medir o “sucesso” como se fosse receita de bolo igual para todo mundo. Mirian é como um choque para elevar a autoestima e a autoconfiança, principalmente às mulheres, nesses e noutros quesitos da vida, com muita sensibilidade e perspectiva que não subestima a dor e a vivência de ninguém.

Foto: Mirian Bottan e alguns posts de seu instagram.

É difícil saber o que se passa na cabeça dos outros, mas essa habilidade de identificar os próprios sentimentos e emoções também pode “aprender a ler” as mudanças de humor e comportamento nos outros ou pelo menos tentar. Assim, praticamos uma visão de empatia e acolhimento quando, mesmo sem sinais óbvios e explícitos, as pessoas nos mostram que não estão “normais”, não estão bem. A tristeza, por exemplo, não precisa ser vista como algo ruim até certa medida, pois ela pode nos ensinar muita coisa e ser útil ao nos avisar sobre alguma transformação ou faxina” interna” que precisamos

Imagem: Filme Divertida Mente de 2015, outra referência que pode nos ajudar a pensar essa famosa “inteligência emocional” que está em sabermos lidar com a nossa tristeza, alegria, raiva, medo, preguiça, nojinho/repulsa assim como as personagens desse filme. Quando esses nossos sentimentos se desequilibram devemos prestar a atenção e cuidar disso para melhorar.

Converse sobre o que você sente e seja um bom ouvinte também, trabalhe essa sensibilidade, pois as vezes alguém pode precisar uma conversa amiga e um abraço acolhedor, entre outros tipos de ajuda e não sabe dizer como. Não subestime a dor de ninguém, converse, cuide, acolha a você e a quem estiver perto de você!

 


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