Foto: cena do filme Mulher Maravilha (2017)
Lançado em 1º de junho de 2017 no Brasil, o filme de aventura e ação Mulher Maravilha tem direção de Patty Jenkins e a protagonista é interpretada por @gal_gadot, atriz e modelo israelense de 32 anos, que já serviu o exército do seu país onde foi líder de treinamento de lutas. Gadot também é mãe de dois e já conquistou o título de Miss israel em 2004, entre outros trabalhos que fizeram de seu perfil a escolha perfeita para a #personagem segundo a diretora do filme. Pode ser um filme de super heroína “feministão”, mas ainda há o que problematizar. O filme traz a força das mulheres reais, ou seja, de todas elas, de insurgência e autonomia, que ainda é bastante subestimada pela sociedade machista em que vivemos, por isso muitas delas ainda não descobriram e se empoderaram o suficiente para encarar a resistência que é ser mulher. E o filme é uma prova disso também, que por mais incrível que tenha sido sua construção teve algumas ressalvas de roteiro e repercussão machistas. 
Foto: Gal Gadot em treinamento físico para o filme.
💜💪 Treinada para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince é a Mulher Maravilha. No enredo Diana descobre uma guerra se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar para combater, então percebe o alcance de seus #poderes e sua verdadeira missão na Terra. Ela é uma deusa, filha da rainha das #amazonas e de Zeus. A #heroína já é conhecida de seu público espectador, #poderosa , espelho de #empoderamento para as #mulheres do mundo. Mas, apesar de recorde de bilheteria, a #atriz ganhou apenas US$ 300 mil, 2% do salário de Henry Cavill que faturou US$ 14 milhões com Homem de Ferro, segundo a Forbes, (Leia mais).
Foto do instagram de Gal Gadot, ela com sua filha.
Além da disparidade salarial, dado machista fatídico em diversas profissões, também houve críticas #machistas sobre sua estética magra e sem grande muscularidade em que questionam sua força. Ora, ela é uma personagem de #ficção , engraçado como não julgam os super heróis nesse quesito, por exemplo, o Homem Aranha que é magro e incrivelmente forte. A #mulhermaravilha é um ícone de força, poder, amor e respeito para ensinar o mundo a não subestimar mulheres, para acreditar na força que existe em cada ser humano que pode ser boa ou ruim, depende de uma escolha e ela escolhe defender os direitos humanos independente do merecimento de cada um. Apesar disso, o roteiro retrata uma realidade quando demonstra o quanto Diana também é subestimada por seus parceiros de batalha apenas por ser mulher e como sua postura autônoma e com voz ativa é desprezada quando ela “vai para o mundo dos homens” reivindicar justiça e paz. Ela supera e insurge sobre tudo isso, é claro. Isso evidencia que o hábito, muitas vezes, nos leva ao engano, pois o que há de tradicional na cultura machista de tantos séculos nos habitua pensar que mulheres não sabem guerrear e questionar, nos faz subestimá-las e cair no erro de acreditar que elas não podem e não devem ser guerreiras. Toda tradição tem de ser repensada.
Essa hegemonia masculina se mostra também na construção da trama, para nos lembrar que nada é perfeito, como critica Nathalí Macedo no Geledes: “a Ilha das Amazonas – é um paraíso lotado de mulheres lindas que foram colocadas lá por Zeus – um Deus masculino –  para salvarem o mundo através do amor, acaso Ares –o Deus da Guerra, outro Deus masculino – voltasse a tentar destruir o mundo”. Além disso, ela comenta sobre o universo das mulheres sendo romantizado, exaltado através do amor “a irritante ideia de mulheres como mães do universo (…) Mulheres não podem ser violentas – se lutam com espadas, precisam justificarem-se pelo amor e pela doçura”. Através disso, é possível pensar sobre o estigma de feminilidade que sempre rotula as mulheres como delicadas e amorosas, enquanto tudo isso é construído, se trata de uma educação que, geralmente, as tornam assim. Amorosidade ou sensibilidade que homens também devem aprender, assim como as mulheres devem aprender a terem uma agressividade positiva diante do mundo, para não se tornarem submissas e passivas à violências e injustiças. Agressividade que é ensinada, geralmente, apenas aos homens. Acredito que essa deve ser a crítica maior nesse sentido, não que mulheres devem ser violentas sem motivo ou tratar do amor como fraqueza. Mulheres devem ser firmes ou violentas (ter resistência combativa à violência) se achar que o cenário opressor exige isso, agir com firmeza para reivindicar suas causas e conquistarem poder de agência, de mudança.
O filme traz a força das mulheres sendo possível igual a das Amazonas, mas é preciso serem isoladas, sem crianças nem homens por perto para se tornarem guerreiras? Esse é outro estigma de feminilidade e maternidade que recai sobre as mulheres e pode ser questionado no filme deixando de criar sobre o amor uma fraqueza (cena de Diana emocionada ao ver um bebê quando chega a Londres). A ilha paradisíaca em que elas vivem forma um #exército em que vivem concentradas em treinar suas mentes e seus corpos para as batalhas que podem surgir. Mas não é por isso que na vida real ser mãe ou ter um homem por perto é um problema para ser tão forte e inteligente quanto elas, isso não deve impedir nenhumas mulher de ser autônoma, saber se proteger sozinha, ser independente e combativa à violências e injustiças, mesmo com relações afetivas em sua vida. Toda #mulher tem sua #força(maravilha), algumas apenas ainda não descobriram.

Por Lu Borges

 

 


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *