Por Luana Borges

O combate à violência contra as mulheres é um fator que unifica e fortalece as mulheres em todo o mundo, porque implica uma vivência (ruim) que é comum às mulheres de todas as culturas e níveis sociais, uma das causas da luta feminista e de várias organizações assim como das Nações Unidas que criou a Campanha UNA-SE Pelo Fim da Violência contra as Mulheres, lançada pelo secretário-geral em 2015 declarou todo dia 25 de cada mês o Dia Laranja, em que todo o mundo, agências das Nações Unidas e sociedade civil, promovem atividades com foco na igualdade de gênero, com a prevenção e a eliminação da violência contra meninas e mulheres.

“A violência contra a mulher não é um fato novo. Pelo contrário, é tão antigo quanto a humanidade. O que é novo, e muito recente, é a preocupação com a superação dessa violência como condição necessária para a construção de nossa humanidade.” – Fonte: Mapa da Violência 2015

Há uma grande movimento mundial em torno da paz, do respeito às diferenças e da não violência para resolver problemas sociais. E nesse sentido, é importante a consciência de que o “privado é público“, problemas como a violência doméstica também fazem parte de um problema coletivo, vivenciado por diversas mulheres e precisa de medidas públicas para resguardar seus direitos. Exemplo disso é a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio no Brasil, mesmo que tenha deficiências de atendimento e fiscalização, essas são formas legais de impor tais direitos humanos que defendam a liberdade e a integridade física e moral das mulheres.

Nesse cenário atual, a violência contra as mulheres tem sido bastante comentada na mídias e cada vez mais denunciado, o que auxilia no processo de transformação da nossa cultura machista e misógina, que está “bem aprendida” desde a educação basilar. Mas há como mudar, exemplo disso é empoderar as mulheres, mostrar quais violências elas podem estar sofrendo e não percebem, mostrar a elas formas de denunciar e de como se proteger e buscar apoio para sair de um relacionamento abusivo na vida amorosa ou no trabalho, entre outras situações em que se sentem oprimidas e violentadas física ou psicologicamente pelo fato de serem mulheres.

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 Essas indicações acima servem para as mulheres percebam a violência e enfrentem o medo ou vergonha de buscar ajuda e denunciar os agressores. Junto a isso há uma rede de apoio brasileira às mulheres violentadas, confira algumas delas e indique para quem precisar de informação e meios de se empoderar:

“Você está louca/ isso é coisa da sua cabeça / você está exagerando” – veja 14 sinais de que você é vitima de abuso psicológico – Geledes

Essas organizações amparam mulheres para que elas busquem justiça e reestruturação de suas vidas e autoestimas, não hesite em procurar ou indicar. E quem tem que sentir vergonha é o agressor da mulher, é o violentador, a pessoa que oprimi muitas vezes dizendo que ama, que manipula dizendo que ama e pedindo perdão, é o assediador que violenta psicologicamente dizendo que foi brincadeira ou uma simples cantada.

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Imagem: Mete a Colher

A organização argentina  Ni Una Menos é outro forte exemplo de luta contra a violência de gênero, em defesa de mulheres vítimas de estupros, agressões e crimes de feminicídios. A luta das mulheres muda o mundo e merece o apoio de todas as pessoas por nenhuma mulher a menos na Argentina, no Brasil e no mundo todo. Para isso, é importante percebermos que ainda vivemos uma cultura do estupro, que não se resume ao estupro em si, mas na noção de que o corpo feminino é passível de violação e submissão às vontades dos homens, na visão midiatizada do corpo feminino como objeto de desejo sempre sendo sexualizado como se fosse o maior atributo de uma mulher. Quanto a isso, respeito é a atitude que está em falta, respeito ao corpo alheio, seja ele qual for, mas principalmente destacando o desrespeito violento às mulheres. Isso se refere aos “fius-fius” na rua vistos como “elogio”, no puxão de cabelo e no apertão de braço na balada vistos como forma de “conquistar/paquerar” e outros tipos de assédio moral e físico de homens contra mulheres dentro e fora de casa. E toda pessoa que culpabiliza a mulher vítima de estupro ou assédio compactua e reforça toda essa cultura machista.

Diante desses casos de violência surgem críticas debochadas do tipo “as mulheres agora estão de açúcar, um casal não pode mais brigar ou debater opiniões contrárias”, o que vai ao encontro do ditado “entre marido e mulher não se mete a colher”, que perpetua violências contra as mulheres. Denuncie sim, meta a colher sim, pare (paremos) de achar que precisa enfiar o dedo na cara ou apertar/beliscar o braço ou puxar o cabelo para garantir que seja ouvido, que tenha atenção. Já viu um homem apertar o pulso de outro homem com a intenção de se fazer entender quando divergem pontos de vista? Difícil. Já com uma mulher, muitos homens agem na força e na violência. Pois, NÃO é assim que se debate opiniões no trabalho, no bar, na fila do banco. Não adianta pagar de “bonzinho e educado” quando é grosseiro e agressivo com sua companheira, quando ninguém está vendo e se ela reclama ou denuncia ainda a chama de fresca, vadia histérica e exagerada. Isso é naturalizar o abuso, é em grande parte o que houve na relação de Marcos com Emily no BBB 17, um cara que assim como vários outros não pensam, apenas seguem a vontade de ter a razão, de estar certo e manter o poder sobre a situação, principalmente sobre a mulher. Mas ele e todos os outros ainda podem aprender e não jogar a culpa/responsabilidade na “pressão do jogo”, no seu “descontrole emocional do momento”.

Imagem: campanha da Rede Globo após assédio sexual cometido pelo ator José Mayer que foi denunciado pela vítima.

Uma histórica secular de violência de gênero ocorre majoritariamente do homem para a mulher, por isso a importância da lei do Feminicídio. Por isso, não são à toa as campanhas em combate a violência contra as mulheres e os casos de celebridades ajudam a criar maior visibilidade ao assunto que está diariamente na vida de milhares de mulheres, muitas delas silenciadas, diferentes das mulheres vítimas do ator José Mayer, do cantor Vitor e do ex BBB Marcos Harter. Além disso, também houve o caso do goleiro Bruno que foi liberto da prisão e ganhou holofotes que banalizam o feminicídio. A partir desses maus exemplos é importante repensarmos como (culturalmente) enxergamos as mulheres, de como a sociedade pensa a noção de consentimento (assista o vídeo do chá), pois é disso que se trata sexo forçado, desrespeito à vida e às decisões das mulheres. Essas questões devem nos fazer refletir que violentadores de mulheres e estupradores não são monstros e sim, homens comuns produzidos por essa cultura machista, infelizmente. Isso não significa que todos os homens são nascem violentos e misóginos, apenas mostra o quanto esse problema é associado com educação, cultura. Para mudar isso, eduquemos diferente nossos meninos, para que respeitem as meninas como iguais e elas para que sejam questionadoras, combativas, tenham voz, atitude e poder para reivindicarem o respeito que é delas por direito, sempre que precisarem.

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A pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em agosto de 2016 constatou que mais de um terço da população brasileira (33%) considera que a vítima é culpada pelo estupro (…) 42% dos homens e 32% das mulheres entrevistados concordam com a afirmação: “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas” – fonte: agenciabrasil Mulher não tem que se dar ao respeito, o respeito já é um direito dela e o dever dos homens é respeitar ela sob qualquer circunstância! Outra pesquisa divulgada pela ActionAid em maio de 2016 mostra que 86% das brasileiras ouvidas sofreram assédio em público em suas cidades e isso é um problema global, já que na Tailândia também 86% das mulheres entrevistadas, 79% na Índia, e 75% na Inglaterra já vivenciaram o mesmo problema.  – fonte: ActionAid

Vídeo 2 minutos para entender – Cultura do Estupro. 


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