A imagem pode conter: texto

Margarida Alves um dia disse que ‘preferia morrer na luta a morrer de fome’. Morreu aos 50 anos, vítima da violência contra as mulheres (…) Margarida é um símbolo da luta do povo brasileiro. Camponesa e sindicalista, uma mulher que disputou ideias na esfera pública, marcada pelo poder do capital e do patriarcado. Não negociou princípios.

Estimulada pelas mobilizações de mulheres no mundo – em especial as organizadas pelas polonesas contra a mudança na sua legislação referente ao aborto e pelas norte-americanas que foram às ruas protestar contra as posições reacionárias de Donald Trump -, a GREVE tem boa parte de sua narrativa inspirada nas latino-americanas. (…) O movimento #NiUnaAMenos gerou atos contra a cultura do estupro e o feminicídio em diversos países, entre eles Brasil, México, Chile e Peru.” – Portal Catarinas

O Dia Internacional das Mulheres é um dia simbólico e histórico para protestar, denunciar, reivindicar direitos, pois temos pouco a celebrar com as tradicionais rosas vermelhas. Principalmente nesse 8 de março de 2017 não dê presentes ou elogios para mulheres, dê força, apoie a marcha de mulheres organizada por mulheres em todo o mundo nesse dia, representadas pela cor lilás/roxa com a greve em seus ofícios e conversas sobre a motivação da luta feminina. Junte-se a essa rede de mulheres conectadas mundialmente por ideais em comum: a igualdade de direitos entre os sexos, o combate à violência contra as mulheres que acontece todos os dias com mulheres sendo humilhadas, assediadas, estupradas e mortas.

Esse 8 de março é para denunciar políticos e empresas misóginas, protestar contra a cultura machista que desvaloriza as mulheres, buscar por respeito e dignidade que mulheres merecem como indivíduos sociais, valorizar a diversidade feminina e suas necessidades. Reivindicar salários mais justos para mulheres, lutar por uma educação menos machista e sexista, que ensine autonomia, força e poder às mulheres, que torne as mães não mais sobrecarregadas. Lutar por liberdade e mais oportunidade de educação, de emprego e de saúde de qualidade para mulheres. Lutar por corpos femininos não mais objetificados e abusados fisicamente e psicologicamente, por corpos femininos donos da própria vida.

As mulheres tem poder e cada vez mais demonstram e lutam por isso para manter um respeito e dignidade que deve ser sólido e inviolável, mas que na realidade precisa de vigilância e fortalecimento a todo momento. A luta é por empoderamento feminino, pois toda mulher tem sua força, muitas descobrem e se mostram poderosas de fato, mas conversas e ações por empoderamento feminino ainda são extremamente necessárias. Oito de março vem para isso, mostrar que ainda temos muito pelo que lutar, ainda há um abismo de desigualdade a ser estreitado. Unidas somos mais fortes nessa luta por igualdade de gênero, por uma educação mais justa, por equidade social que reconheça todos os desafios, preconceitos e violências para resguardar os direitos femininos.

A imagem acima retrata a situação da mulher em desvantagem na nova reforma da previdência brasileira, que mais uma vez representa um absurdo em tempo de aposentadoria e critérios utilizados. Leis escravocratas modernas em que precisamos saber ler os desafios e os motivos para tanta desigualdade de classe, de gênero envolvidas nessas medidas:

“Principal articulador da reforma no governo, o secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, orgulha-se de propor uma reforma ‘igual para todos’ (…) ‘Se a proposta é machista, o mundo todo é’, declara Caetano. A aposentada Raimunda Souza, 72 anos, concorda com o argumento do secretário. Homens e mulheres, na opinião dela, devem ter deveres e obrigações iguais. Por isso, é favorável à igualdade na idade mínima para aposentadoria, embora ache 65 anos muito tarde, para ambos. O problema é que, ao se dedicar o ‘mesmo tanto’ que os homens aos empregos fora de casa, as mulheres estão, na realidade, trabalhando quase o dobro, quando se leva em conta a jornada doméstica. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) constatou que, enquanto as mulheres gastam, em média, 26,6 horas semanais com serviços de casa, os homens gastam 10,5 horas. Quando têm cinco ou mais filhos, elas chegam a trabalhar quase cinco horas por dia em casa, sem contar o tempo que gastam no emprego fora. O mesmo não acontece com os homens. Eles dedicam, em média, uma hora por dia às tarefas domésticas, independentemente do tamanho da família ou de estarem desempregados ou não. Quando casam, trabalham ainda menos — e as mulheres, coincidentemente, ainda mais. (…) Mulher tem dupla, tripla jornada”, comenta a única mulher integrante da comissão especial, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Para ela, é essencial analisar de forma igualitária os dados da OCDE e do Brasil, e não apenas os que interessam ao governo divulgar.” – Fonte: diariodepernambuco
Mulheres têm culturalmente esse peso sobre si do cuidado da família e da jornada dupla e tripla junto a suas carreiras de trabalho e estudo. Essa proposta é machista assim, a cultura de todo mundo é sim, mas isso não significa que não deve mudar. A desconstrução de nossa educação machista só depende de nós, dia após dia ensinando diferente as novas gerações, pensando e agindo de forma diferente para transformar as que já estão em curso e pensando nos preconceitos e nas desigualdades que existem para percorrer um caminho contrário dessas. O combate ao machismo, ao racismo e à homofobia por exemplo, já são combates à violência que tornam nosso mundo melhor, com mais respeito e liberdade. Assumir essa postura feminista que acredita nos direitos humanos igualitários não é difícil, não se resume a ir protestar nas ruas. Isso exige força de vontade para subverter tradições todos os dias, desconstruir moralismos transgressores do que se diz tradicional e conserva valores tóxicos para o convívio social. Essa mudança se faz com empatia, solidariedade e mulheres reunidas. Junte-se você também às mulheres nesse 8 de março!
Acompanhe a programação do 8 de março Brasil e as atividades na sua cidade, proteste como puder, fortaleça esse dia tão importante. Caso você não possa fazer greve integralmente no seu trabalho ou sair as ruas para a marcha das mulheres, ao menos use a cor lilás, fale sobre a greve de mulheres no mundo todo nesse 8 de março, faça a postagem coletiva #euparo às 12h e o apitaço às 12h30min, converse com as pessoas a sua volta sobre os desafios de ser mulher, a diversidade que há nisso e os direitos reivindicados pelas mulheres de todo o mundo que têm um ideal em comum, o desejo por igualdade de respeito e dignidade, liberdade de escolha e de ser um indivíduo valorizado na política, na saúde, na educação, na família, na profissão e em todo ambiente social.
“Convocação para a Greve Internacional de Mulheres no Brasil – 8 de março
(Texto traduzido e adaptado da convocatória feita pelo movimento argentino #NiUnaMenos)
Neste 08 de março, a terra treme. As mulheres do mundo nos unimos e organizamos uma medida de força e um grito comum: Greve Internacional de Mulheres. Nós paramos. Fazemos greve, nos organizamos e nos encontramos entre nós. Colocamos em prática o mundo no qual queremos viver.
Paramos para denunciar:
Que o capital explora nossas economias informais, precárias e intermitentes.
Que os Estados nacionais e o mercado nos exploram quando nos endividam.
Que os Estados criminalizam nossos movimentos migratórios.
Que recebemos menos que os homens e que a diferença salarial chega, em média, a 26% na América Latina.
Que não é reconhecido que as tarefas domésticas e de cuidado são trabalhos não remunerados e adicionam três horas a nossas jornadas laborais.
Que estas violências econômicas aumentam nossa vulnerabilidade diante da violência machista, cujo extremo mais brutal são os feminicídios.
Paramos para reivindicar o direito ao aborto livre e para que não se obrigue nenhuma menina a enfrentar a maternidade. (…)
Nós nos organizamos para mudar tudo isso. #InternacionalFeminista
Nós tecemos um novo internacionalismo. A partir das situações concretas em que estamos, nós interpretamos a conjuntura. Vemos que, diante do avanço neo-conservador na região e no mundo, o movimento das mulheres emerge como potência de alternativa. Que a nova “caça às bruxas”, que agora persegue o que nomeia como “ideologia de gênero”, tenta justamente combater e neutralizar nossa força e quebrar nossa vontade. Diante das múltiplas desapropriações, das expropriações e das guerras contemporâneas que têm a terra e os corpos das mulheres como territórios favoritos de conquista, nós nos incorporamos política e espiritualmente.
Porque #VivasELivresNosQueremos, nos arriscamos em alianças incomuns.
Porque nos apropriamos do tempo e construímos juntas a disponibilidade. Fazemos da nossa reunião um alívio e uma conversa entre aliadas; das assembleias, manifestações; das manifestações, uma festa; e da festa, um futuro em comum.
Porque #EstamosJuntas, este 8 de março é o primeiro dia de nossa nova vida.
Porque #ODesejoNosMove, 2017 é o momento da nossa revolução.


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *