Por Luana Borges

“Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós”, a partir dessa ideia que uniram-se o grupo argentino Ni Uma Menos e o movimento Women’s March dos EUA para convocar as mulheres de todo o mundo a transformarem o dia 8 de março de 2017 em um ato histórico, o “Dia Sem Mulher”. Nesse dia, o propósito é que todas deixem os seus postos de trabalho e tomem as ruas por direitos humanos dignos para as mulheres, por mais respeito que lhe é de direito, por iguais direitos de gênero.

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Vivemos um retrocesso de direitos democráticos como bem cita o texto de Eva Blay: “Nos Estados Unidos, Trump desqualifica todas as conquistas das mulheres, desrespeita seus corpos, abusa, e se considera o grande patriarca. É o retorno a uma sociedade racista em que, até os anos 1960, os negros eram tratados como semiescravos, os judeus não podiam morar em certos prédios de NY, os latinos eram a casta nefasta” (…) Putin, na Rússia, pensa ser o novo czar ou será que lhe baixou o espírito de Stalin? Aprova uma lei que incentiva o abuso físico contra as mulheres, estimula que os homens batam nas esposas e crianças justificando a descriminalização da violência doméstica em nome da tradição do povo russo. A seu lado está a Igreja Ortodoxa Russa…”

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“…um feminismo inclusivo e interseccional que convoca todos nós à resistência contra o racismo, a islamofobia, o anti-semitismo, a misoginia e a exploração capitalista.” – discurso de Angela Davis sobre o que representa a Marcha das Mulheres.

O presidente brasileiro Michel Temer também traz um apagamento de avanços democráticos, em um governo preocupado com falso populismo e iniciativas arbitrárias em prol do avanço econômico, enquanto na verdade governa uma nação sob as próprias razões por egocentrismo. Por essas e outros absurdos um grupo de intelectuais e ativistas feministas dos Estados Unidos publicaram o chamado para greve geral no Dia Internacional das Mulheres, em 8 de março.

O texto defende que a marcha contra o presidente norte-americano Donald Trump, no dia 21 de janeiro de 2017, seja um marco para iniciar uma nova onda militante em defesa da igualdade de gênero. Leia o texto integral do manifesto – Para além do “faça acontecer”: por um feminismo dos 99% e uma greve internacional militante em 8 de março

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O manifesto foi publicado originalmente na Viewpoint Magazine em 3 de janeiro por Angela Davis, Cinzia Arruzza, Keeanga-Yamahtta Taylor, Linda Martín Alcoff, Nancy Fraser, Tithi Bhattacharya e Rasmea Yousef Odeh (fotos acima). Abaixo trechos do manifesto:

“..não basta se opor a Trump e suas políticas agressivamente misóginas, homofóbicas, transfóbicas e racistas. Também precisamos alvejar o ataque neoliberal em curso sobre os direitos sociais e trabalhistas. (…) As condições de vida das mulheres, especialmente as das mulheres de cor e as trabalhadoras, desempregadas e migrantes, têm-se deteriorado de forma constante nos últimos 30 anos, graças à financeirização e à globalização empresarial. O feminismo do “faça acontecer”* e outras variantes do feminismo empresarial falharam para a esmagadora maioria de nós, que não têm acesso à autopromoção e ao avanço individual e cujas condições de vida só podem ser melhoradas através de políticas que defendam a reprodução social, a justiça reprodutiva segura e garanta direitos trabalhistas. Como vemos, a nova onda de mobilização das mulheres deve abordar todas essas preocupações de forma frontal. Deve ser um feminismo para 99% das pessoas.

O tipo de feminismo que buscamos já está emergindo internacionalmente, em lutas em todo o mundo: desde a greve das mulheres na Polônia contra a proibição do aborto até as greves e marchas de mulheres na América Latina contra a violência masculina; da grande manifestação das mulheres de novembro passado na Itália aos protestos e greve das mulheres em defesa dos direitos reprodutivos na Coréia do Sul e na Irlanda. O que é impressionante nessas mobilizações é que várias delas combinaram lutas contra a violência masculina com oposição à informalização do trabalho e à desigualdade salarial, ao mesmo tempo em que se opõem as políticas de homofobia, transfobia e xenofobia.

(…) As marchas de mulheres de 21 de janeiro mostraram que nos Estados Unidos também um novo movimento feminista pode estar em construção. É importante não perder impulso. Juntemo-nos em 8 de março para fazer greves, atos, marchas e protestos. Usemos a ocasião deste dia internacional de ação para acertar as contas com o feminismo do ‘faça acontecer’ e construir em seu lugar um feminismo para os 99%, um feminismo de base, anticapitalista; um feminismo solidário com as trabalhadoras, suas famílias e aliados em todo o mundo.”

 


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