Por Luana Borges

O Dia Internacional da Paz foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 21 de setembro de 1981 quando a Assembleia Geral da Organização iniciou suas atividades. Esse foi um dia de cessar-fogo e um pedido de não violência em todo o mundo, é uma data que simboliza mais que um sentimento de união dos povos, um apelo de atitudes a favor da paz, como por exemplo fazer acordos entre inimigos, perdoar um amigo, fazer um donativo, compartilhar mensagens de paz e realizar eventos que promovam o respeito entre as diferenças e pcrie espaços de voz às minorias. Em 2015, o tema foi “Parcerias pela Paz – Dignidade para Todos”, em 2016 é “Objetivos do desenvolvimento sustentável: construindo blocos para a paz”. Sejamos todos(as) juntos(as) um bloco de amor e paz, que enxergue e reflita sobre os motivos de conflitos e discriminações e conclua a paz como melhor caminho.

Dia Mundial da Paz é celebrado todos os anos em 1º de janeiro, data criada pelo catolicismo em 1967 quando Papa Paulo VI proclamou a mensagem de promover o sentimento da paz pelo mundo, então marcado pela Guerra Fria e pela instabilidade bélica. É importante não confundir o Dia Mundial da Paz com o Dia Internacional da Paz.

Há muito o que se percorrer pela paz no mundo, há sempre o que se buscar nesse sentido, pois as violências contra a diversidade cultural e humana sempre existiram, principalmente na vida em sociedade, por isso devemos estar sempre minimizando tais efeitos para que não se agravem. Para isso, o Dia Internacional da Paz deve nos lembrar de uma paz combativa, que reconheça a raiz dos conflitos e os solucione sem violência. Quando enxergamos as diferenças e os privilégios no entorno social já damos um passo importante e quando combatemos o #preconceito e a discriminação das diferenças e temos empatia para perceber e valorizar o que é estranho a própria realidade, isso já está contribuindo para a paz mundial. É importante pensar no sentido contra hegemônico dos poderes, contra a subalternidade, no racismo e no machismo institucionalizados que vivemos, para ter paz é preciso ter resistência, ter uma paz combativa que impulsione o que há de agregador em sociedade, mas deixar de pautar e problematizar o lado negativo. O Dia da Paz traz o dever social de buscar se desconstruir todo dia um pouco mais em busca da igualdade entre as diversidades étnicas, religiosas e de gênero, ou seja, em busca do respeito e da dignidade, o que remete a paz em todas as esferas sociais em defesa dos direitos humanos.

O discurso “não sou machista, nem feminista, sou humanista” é muito ingênuo e utópico, pois não reconhece as diferenças sociais de gênero e a história de opressões nesse contexto. Com isso também nega a legitimidade da luta contra a violências às mulheres, entre outros estigmas sexistas que culturalmente construímos, realidade essa que o feminismo vem questionando e quebrando paradigmas, abrindo caminho para a conquista de muitos direitos femininos. E devido ao Dia Internacional da Paz, prestigie e valorize as mulheres da história que receberam o Prêmio Nobel da Paz, no total das premiações entre 1901 e 2014,  795 foram  atribuídas aos homens e apenas 43 às mulheres:

1905 – Bertha Von Suttner

Baronesa austríaca Bertha Sophie Felicita von Suttner (1843 – 1914), autora do livro Lay Down Your Arms, foi presidente honorária do International Peace Bureau Permanente em Berna, Suíça.

 1931 – Jane Addams: socióloga norte americana (1860 -1935), foi presidente da Liga Internacional das Mulheres para Paz e a Liberdade.

 1946 – Emily Greene Balch: pacifista norte americana (1867 -1961) e presidente honorária da Liga Internacional das Mulheres para Paz e a Liberdade.

 1976 –Mairead Corrigan: nascida em 1944 em Belfast na Irlanda do Norte, é fundadora do Movimento pela Paz do Norte Irlanda, posteriormente chamado de Peace People.

 1976 – Betty Williams: nascida em 1943 em Belfast na Irlanda do Norte, também é fundadora do Movimento pela Paz da Irlanda do Norte, posteriormente chamado de Peace People.

 1979 – Madre Teresa: líder do trabalho humanitário (1910 – 1997), dos Missionários da Caridade em Calcutá na Índia.

 1982 – Alva Myrdal: escritora, diplomata e ex-ministra sueca (1902-1986), atuou no controle de armas.

 1991 – Aung San Suu Kyi: nascida em 1945 na Birmânia em Mianmar, foi premiada por sua luta não-violenta para a democracia e os direitos humanos. É atualmente secretária-geral da Liga Internacional pela Democracia (LND). Sua história foi retratada no filme Além da Liberdade.

 1992 – Rigoberta Menchú Tum: nascida em 1959 na Aldea Chimel, Guatemala, foi premiada em reconhecimento ao seu trabalho pela justiça social e reconciliação etno-cultural baseada no respeito pelos direitos dos povos indígenas. Ela é Embaixadora da Boa-Vontade da UNIESCO e vencedora do Prêmio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional.

1997 – Jody Williams: nascida em 1950, Putney/ VT, EUA, foi premiada por seu trabalho pela proibição do uso e limpeza de minas anti-pessoal, atuou no controle de armas e no movimento pela paz. 
2003 –Shirin Ebadi: nascida em 1947 em Hamadan, Irã, Foi premiada pelos seus esforços pela democracia e direitos humanos, principalmente na luta pelos direitos das mulheres e crianças.
2004 – Wangari Maathai: queniana (1940 – 2011) premiada por sua contribuição ao desenvolvimento sustentável, democracia e paz.
2011 – Ellen Johnson Sirleaf: nascida em 1938 na Libéria, recebeu o prêmio por sua luta não-violenta pela segurança das mulheres e pelos direitos humanos, foi Presidente da Libéria.
2011 – Leymah Gbowee: nascida em 1972 na Libéria por sua luta não-violenta pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres à participação plena na construção e trabalho pela paz.
2011 – Tawakkol Karman: nascida em 1979 no Iêmen premiada por sua luta não-violenta pela segurança das mulheres e pela participação plena na construção da paz.
2014 – Malala Yousafzai: (1997, Swat, Paquistão) é a pessoa mais nova a ser laureada com o prêmio Nobel. A ativista defende principalmente os direitos humanos das mulheres e do acesso à educação.


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