Por Luana Borges

Foto histórica do sufrágio

As marcas de cosméticos e maquiagens estão, cada vez mais, atualizadas às necessidades  do público feminino e aos valores das mulheres do século XXI. Afinal, o significado de ser mulher ganhou visibilidade com o feminismo sendo debatido com mais frequência, provocando pensares e gerando conhecimento sobre as diferenças de gênero em que vivemos. Uma realidade social que traz reflexão sobre a história da representação feminina e a importância da luta por igualdade de gênero em diversas questões na sociedade. E por que não um mercado que empodere suas consumidoras? Por que não femvertising? O ser humano sempre busca a beleza no caos, a beleza é sempre alvo de críticas e acaba agregando valores distorcidos para as pessoas, a beleza feminina principalmente, é sempre assunto, e infelizmente também fonte de opressão com padrões estigmáticos em uma sociedade midiática, de moda e de fugacidade. Mas, o espelho é o que mais deve pesar sobre a autoestima de cada uma, o olhar sobre o próprio caráter e personalidade deve ser o maior “jurado de beleza”, pois assim a aparência será consequência da segurança e autenticidade demonstrada na atitude de uma mulher empoderada. Algo a ser praticado para quem ainda não se ama! A beleza que vem de dentro nunca fez tanto sentido.

Os “nãos” estão sendo banidos, as mulheres podem tudo que elas quiserem, estão descobrindo essa força individual e coletiva gradualmente, libertando-se das míseras rosas vermelhas no dia 8 de março, adotando o batom vermelho como os índios pintam o rosto para a guerra. São muitas as classes, as etnias e sexualidades, mas nessa complexidade as mulheres estão criando uma consciência poderosa, unindo-se em um pensamento empoderado, que antes de todas diferenças individuais, mulheres têm o poder em mãos, basta descobrí-lo. Muitas esquecem disso e continuam reforçando a cultura machista em que são educadas, muitos homens continuam se beneficiando disso naturalmente como se fosse uma tradição intacta. Então, provamos que toda cultura é mutável, que desde a vitória sufragista no início do século XX até a conquista pelo voto das mulheres na Arábia Saudita em 2015, muitas mudanças aconteceram, mulheres conquistam todos os dias independência, liberdade e respeito como seres humanos, e avançam para longe do gênero o qual representam historicamente oprimido no meio social patriarcalista.

Resistência e superação são os sobrenomes de orgulho de toda mulher empoderada na atualidade, reconhecendo que a afronta ainda é necessária, contra padrões machistas, racistas e de intolerância religiosa, sim, porque essas violências se somam negativamente. Por isso, cada conversa que é iniciada em torno desses temas nos levam adiante, cutucam a ferida social que precisa ser curada, em busca de empatia e justiça almejada entre as diferenças sociais, muito se faz em prol disso e muito se conquista, mulheres de Hollywood, mulheres da periferia da sua cidade, meninas como Malala Yousafzai do outro lado do mundo, líderes de multinacionais, estudantes, professoras e governantes estão entusiasmadas com o poder reconhecido em si.

E das conquistas pessoais que, muitas vezes, começam na liberdade estética e sexual que o feminismo mostra como amar o próprio corpo, usar as roupas que tem vontade, ter a maternidade como uma escolha, ter quantos namorados quiser, também vem o poder de aprender novos ofícios e carreiras de sucesso, acreditando que não há limites sexistas, são apenas imposições culturais que devemos (re)pensar. Sobretudo, nesse cenário a sororidade permite muitas ainda desejarem igual evolução para outras mulheres imersas em realidades econômicas, étnicas, estéticas e culturais completamente distintas e reconhecerem os privilégios que separam algumas lutas femininas.

Maquiagem sugere uma essência da feminilidade, em hábitos culturais que rodam o mundo com maneiras diferentes de exaltar a vaidade, que inclusive não é somente adorno para mulheres, mas que ainda tem conotação de mera frivolidade. Não mais, pois a maquiagem acompanha o estilo de vida de diversas mulheres que existem, somando ao empoderamento feminino que  feminismo sempre lutou para despertar em cada mulher. Seja na aparência, nas escolhas de vida e na luta por respeito, a mulher conquista continuamente espaço, voz e liberdade, e a maquiagem cria sentido nesse contexto social como mais um item de poder. Confira abaixo algumas marcas que estão deixando isso bem claro: mulher, continue sendo linda do jeito que quiser e vivendo como quiser, empodere-se!

Natura Chronos diz “Você tem sempre que refazer o pacto com a beleza, para ela perder a vergonha de aparecer. Viva sua beleza viva”. Assista o vídeo!

A Quem Disse berenice? fez a campanha que risca o “não” do vocabulário feminino:

mulheres quem disse

“Fernanda Vaz, gaúcha, jornalista com pós-graduação em jornalismo esportivo, além de registrada na federação como árbitra e técnica de FUTEBOL de campo profissional. Chega a jogar bola até 4 vezes por semana, e ai de quem disser que futebol não é pra ela!”

“Roberta Tsustsui tinha 10 anos de carreira quando decidiu deixar de lado o emprego na área financeira de uma multinacional pra viajar o mundo. A grande motivação: conhecer cervejarias e estudar sobre CERVEJA. (…) Cerveja não é pra ela ou pra outras mulheres? quem disse? (…) em seu currículo cursos de sommelier de cerveja, mestre em estilos e tecnologia cervejeira, além de possuir certificação pra ser juiz em concursos de cervejas especiais e ter agora sua própria loja, a Agua Benta Lupulada.”

“Clara Averbuck, ESCRITORA e uma das autoras do site Lugar de Mulher, já ouviu que o mercado literário não era pra ela ou pra qualquer outra mulher, e respondeu com um lindo: quem disse?Clara contou que escreve desde sempre: ‘quando eu era criança, meu pai criou a ‘secretaria de cultura da casa’. Eu não tinha mesada, então quando eu queria alguma coisa material, eu precisava escrever um texto e entregar pra ele pra ganhar o que eu queria’ e desde então nunca mais parou. Ainda bem!”

“Quem disse que LUTA não é coisa de mulher? Pra Juliana Renzi, que luta boxe, jiu-jitsu e muay thai, não tem essa, não! Ela contou pra gente que já ouviu um monte de gracinhas: “você dá soco, chute e joelhada e faz as unhas? Anda maquiada? – como se, porque eu luto, eu não pudesse fazer a unha, ter cabelo comprido, me maquiar…”. Ela diz que não vê por que tem que existir essa separação. E a gente super concorda!”

mulheres quem disse 2

Amel Sayed, muçulmana, nascida no Egito, ex-comissária de bordo e, hoje, PILOTO de avião. quem disse que pilotar não é pra ela? Um monte de gente! Ainda bem que ela não deu ouvidos! Ela veio bem pequena pro Brasil e na colônia árabe as mulheres se casavam com 17 ou 18 anos: “eu gostava da companhia delas, mas elas só falavam sobre o que cozinhavam, o que o marido gostava, essas coisas. Eu pensava: ‘gente, isso aqui não é meu mundo! eu estudo, eu gosto de ver o mundo, eu quero pilotar! não tem coisa melhor!’.”

“Priscila Pas, psicóloga, casada e com o sonho de SER MÃE. Quem disse que adotar não é pra ela? Um monte de gente! E foi pra tentar fazer essas e outras pessoas refletirem mais sobre a adoção que ela criou a página Escolha de amar – Adoção.”

“Maria Thereza Reis Silva, 80 anos, se divorciou quando isso ainda era impensável, se recusou a assinar um termo que a impedia de sair da cidade sem a permissão do ex-marido, pegou os filhos e se mandou do Rio pra Fortaleza. Quem se arrisca a dizer que fazer FACULDADE agora não é pra ela, hein? Ela está no 5º semestre da faculdade da maturidade, na PUC-SP, e contou pra gente que foi professora primária até os 21 anos: ‘e aí vem filho, e acabei não tendo mais chance de estudar’. Foi por incentivo das netas que ela resolveu retomar os estudos, e não se arrepende.”

“COMPUTAÇÃO não é lugar de mulher? quem disse? (…) Isabela Tonon é programadora e vai muito bem na carreira, obrigada! Bela contou pra gente que o primeiro dinheiro que ganhou na vida foi aos 12 anos, fazendo template pra blog. (…) Começou a cursar faculdade de geologia. Até que, um dia, já infeliz com seu curso, viu na tv uma matéria que falava da Bel Pesce, empreendedora nesse mercado, e com quem trabalha hoje. E pensou: “é isso! é essa a vida que eu quero! Eu quero ser isso também!”. Depois disso, Bela fez a matrícula no curso de análise de desenvolvimentos de sistemas e mudou a carreira de rumo.”

A Dove disse: “faça o que quiser para ser você mesma e conte ao mundo qual é a sua escolha. ‪#‎SeuCabeloSuaEscolha‬.” Assista o vídeo!

Além de não ter medo de usar batom vermelho, as mulheres também precisam se libertar de outras ditaduras da beleza como ter o cabelo “bom” da propaganda de shampoo, pois agora até a propaganda empodera seus cachos, seu liso, sua cor e corte preferidos, sua beleza autêntica! Cabelo não é mais prisão, é libertação, não tenha medo do volume, de parecer diferente porque alguém quer que você seja igual a maioria, use a vaidade para seu próprio querer, a seu favor sempre em qualquer idade. Afinal, somos o que acreditamos e fazemos, se você acredita na sua bendita beleza, será sempre verdadeira consigo, portanto, empoderada e feliz. Um salve as marcas Dove, Quem disse Berenice, Natura e todas outras pessoas e instituições que são motivadoras de mulheres empoderadas! Feliz dia 8 de março.


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *