Por Luana Borges

As inglesas que usaram o jiu-jitsu para lutar pelo direito ao voto

“No início do século 20, um grupo de britânicas desafiou o establishment para reivindicar o direito ao voto para as mulheres. Em sua luta, as militantes sofreram violência e intimidação. Até que, incentivadas por uma diminuta – e determinada – mulher chamada Edith Garrud, aprenderam a ‘bater de volta’.

Ilustração com a imagem de Edith Garrud

Edith Garrud tinha um metro e meio de altura. Aparentemente, não era páreo para os oficiais da Polícia Metropolitana de Londres. No entanto, Edith era formada na arte marcial japonesa jiu-jitsu, ela se tornou instrutora de jiu-jitsu da União Social e Política das Mulheres (WSPU na sigla em inglês). O grupo acabou conhecido como as suffragettes (sufragistas), protagonizou um movimento cada vez mais violento pelo direito ao voto feminino.  No dia 18 de novembro de 1910, um grupo de 300 sufragistas se deparou com uma corrente de policiais na entrada do Parlamento britânico, em Londres. Em desvantagem numérica, foram agredidas pela polícia e por civis homens no meio da multidão, muitas sofreram ferimentos graves, duas morreram e mais de cem foram presas. ‘Depois disso, as mulheres nunca mais saíram para fazer manifestações sem estar preparadas’, disse Elizabeth Crawford, autora do livro The Women’s Suffrage Movement: A Reference Guide.

A ênfase do jiu-jitsu no uso da astúcia para derrotar um oponente maior foi o que primeiro impressionou Edith nessa arte marcial. Ela tinha sido apresentada à técnica em 1899, ao acompanhar o marido William a uma feira de artes marciais. Por volta de 1910, Edith já dava, regularmente, aulas exclusivas para as suffragettes. O termo ‘suffrajitsu’ passou a ser usado com frequência. ‘Eles não esperavam, naquela época, que mulheres pudessem responder fisicamente àquele tipo de agressão e, muito menos, oferecer resistência efetiva’, disse Martin Dixon, presidente da British Jiu-Jitsu Association.

(…) Emmeline Pankhurst, líder da WSPU, precisava de proteção então Edith formou um grupo chamado de “guarda-costas” com até 30 mulheres encarregadas de “tarefas perigosas”. Apelidadas de Amazonas pela imprensa britânica, as “guarda-costas” se armavam com pedaços de pau escondidos em seus vestidos.

“No que diz respeito às suffragettes, Edith estava no lugar certo na hora certa”, disse Wolf. “O jiu-jitsu tinha se tornado uma nova mania (no país), com mulheres organizando festas nas quais faziam aulas com as amigas.” (…) Em 1918 o governo deu como lei a mais de 8 milhões de mulheres no Reino Unido o direito ao voto. No entanto, as britânicas só viriam a conquistar direitos eleitorais iguais aos dos homens em 1928.” – Fonte: Camila Ruz e Justin Parkinson em BBC News Magazine

Alguns talentos femininos das lutas atualmente

mulheres mma

Fotos: Ronda Rousey, Bethe Correia e Holly Holm

Ronda Jean Rousey,  nascida em 1987 nos Estados Unidos, judoca e lutadora ex-campeã mundial de MMA. Foi a última campeã peso-galo do Strikeforce e a primeira detentora do  Cinturão Peso Galo Feminino do UFC em 2012 ganhando a luta com Dana White. Ronda foi a primeira atleta a conquistar uma medalha olímpica feminina no Judô para os EUA, campeã panamericana na Rio 2007 e medalha de bronze em Pequim 2008. Ela é filha de Ron Rousey e da ex-judoca AnnMaria De Mars, sua mãe teve uma carreira vitoriosa no Judô, sendo a primeira americana a vencer um campeonato mundial da modalidade, em 1984.

Bethe Correia nasceu em 1983 na Paraíba, também conhecida como “Bethe Pitbull“, é uma lutadora brasileira de MMA na categoria Peso Galo. Realizou sua primeira luta em maio de 2012, em 2013 após seis vitórias consecutivas assinou contrato com o UFC. Bethe esteve invicta em nove lutas de MMA na carreira, onde venceu as veteranas Julie Kedzie, Jessamyn Duke e Shayna Baszler. A sequência de vitórias foi quebrada após o confronto com Ronda Rousey, em agosto de 2015.

“A mulheres estão descobrindo que podem praticar lutas, que antigamente elas achavam que não levavam jeito, porque eram meio desengonçadas, que era coisa de homem, mas elas começaram a perceber que além de manter o copo bonito, elas também tem a capacidade de aprender golpes corretamente, técnicas. Então, por  isso as academias hoje em dias estão cheias e me sinto muito honrada em contribuir com isso e estimular as mulheres a entrar no esporte de contato .” – Bethe Correia para o Globo Esporte

Holly Holm nasceu em 1981 no Novo México em Albuquerque, lutadora invicta de MMA também foi campeã mundial de buxe 19 vezes em três categorias diferentes. Holm venceu Ronda Rousey no dia 15 de novembro de 2015 e se tornou a atual campeã dona do Cinturão peso Galo Feminino UFC , além de única atleta a conquistar cinturões no boxe e no UFC. 

mulheres judo

Fotos: Sarah Menezes, Rafaela Silva e Maria Portela

Sarah Gabrielle Cabral de Menezes, nascida em 1990 no Piauí é judoca e campeã olímpica brasileira. Ela fez história no esporte em 2012 em Londres ao se tornar a primeira mulher do país a conquistar uma medalha de ouro no Judô em Jogos Olímpicos

Rafaela Lopes Silva, nascida em 1992 no Rio de Janeiro é judoca e militar da Marinha do Brasil. Em agosto de 2013 Rafaela tornou-se a primeira brasileira a se consagrar campeã Mundial de Judô.

Sarah Menezes e Rafaela Silva, campeãs brasileiras do Judô, que não viviam boa fase no esporte mas voltaram com tudo no fim de 2015. “Sarah Menezes ficou com o bronze no Grand Slam de Tóquio, mesma competição em que Rafaela Silva foi quinta colocada”, segundo Guilherme Costa no Globo Esporte.

Sarah desbanca campeã mundial e valoriza bronze: “Foram lutas duras”

Maria de Lourdes Mazzoleni Portela, nascida em 1988 no Rio Grande do Sul em Santa Maria, é judoca brasileira da SOGIPA e participou dos Jogos Pan-Americanos de 2011 em Guadalajara no México onde obteve o medalha de bronze. Também participou do Pan-Americano de Judô em 2012 no Canadá, onde conquistou medalha de ouro.

Maria Portela conquista segundo bronze para o Brasil no Grand Slam de judô

mulheres jiujtsu

Fotos: Yvone Duarte, Kira Gracie e Gabi Garcia

Yvone Duarte foi a primeira mulher a ser graduada faixa preta de Jiu-Jitsu no Brasil e recebeu esta honra das mãos do Mestre Osvaldo Alves, em outubro de 1990. Com ela o esporte começou a ser reconhecido entre as mulheres, as quais descobriram os benefícios físicos, técnicos e psicológicos, e que pode ser praticado por qualquer pessoa. Yvone hoje tem 51 anos, destes são 37 anos dedicados ao Jiu-Jitsu, e em dezembro de 2014, recebeu o 5 grau em sua faixa preta.

Kyra Gracie Guimarães, nascida em 1985 no Rio de Janeiro, é lutadora brasileira pentacampeã mundial de Jiu-Jitsu e integrante da família Gracie, que difundiu o esporte no Brasil e no mundo. Ela é a única mulher da família a conseguir uma faixa preta em Jiu-Jitsu e a primeira a competir ativamente no esporte. Atualmente, vive nos Estados Unidos, onde treina. Kyra começou a treinar assim que começou a caminhar e aos onze anos de idade começou a competir. Mas, para realizar o sonho de se profissionalizar Kyra teve que vencer o preconceito da própria família:

“No começo, eles me apoiaram porque acharam que era brincadeira. Quando viram que era sério, disseram que era para eu deixar a luta com os homens. Mas bati o pé e continuei. Depois que comecei a competir e a me destacar, eles deram o braço a torcer e passaram a me apoiar” – Fonte: muitomaisacaojiujtsu.com

Gabrielle Lemos Garcia Gabi nasceu em 1985 em Porto Alegre/RS, ela é atleta de Jiu-Jitsu e campeã mundial que só tende a quebrar todos recordes. Com 1,88 m de altura, mais de 100 kg e muita dedicação aos treinamentos Gabi Garcia sempre surpreende, foi campeã ADCC 2011, 4 vezes campeã mundial na categoria e 3 vezes campeã mundial Absoluto; 3 vezes campeã Panamericana peso e absoluto; 4 vezes campeã mundial Pro Abu Dhabi; 2 vezes campeã mundial pro absoluto, sendo nº 1 do ranking mundial e faixa preta do Mestre Fabio Gurgel da equipe Alliance.


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