Por Mariana Lemes

El-Buen-Amor.-Con-Nube-De-María.

Morando no Rio de Janeiro, julho de 2015, em uma bela tarde de calor fui às ladeiras de Santa Tereza, que ficavam a poucas quadras da minha morada, em busca de vaga para trabalho em hostels, eles existem aos montes nesse bairro famoso e artístico. Quando já sentia minhas pernas tremerem de tanto subir e descer, então me escorei em um muro de residência para mandar emails com meu currículo para os hostels que assim pediram. Em seguida, um ônibus passa buzinando e eu nem olho, logo para uma moto quase nos meus pés, sim o motorista do ônibus quis me alertar! Porém, eu alienada ao celular fui assustada, abordada, enfrentada, violentada e sucumbida por dois homens branquelos em uma moto linda, armados puxaram meu celular que estava em minhas mãos e, eu por puro instinto puxei(reagi), então me deram um tapa que fez meus óculos voarem do rosto e levaram o celular, por sorte ou por qualquer outra energia não morri ali como indigente, porque nem documentos tinha comigo. Desabei chorando, minhas pernas começaram a tremer loucamente e os poucos seres próximos se compadeceram com o meu estado de choque, pois todos os cariocas e os brasileiros de metrópoles já esperam a cada dia ver alguém chorando pelas ruas pelo motivo que eu chorava naquele dia. Assim, fui descendo para minha casa sem entender bem o que aconteceu, sentindo o medo da total insegurança até encontrar com dois policiais fortemente armados na rua debaixo, relatei a eles o que consegui, ficaram muito revoltados, porque estavam ali e a moto desceu na rua paralela a que estavam, ofereceram- se para me levar na delegacia ou para minha casa, mas eu só queria me esconder no meu lar carioca.

Nessa fatalidade também levaram minha ingenuidade, minha sensação de segurança, minha tranquilidade, minha harmonia e o sonho de uma possível vida dançante na cidade nem tanto maravilhosa. Pois, eu havia me mudado para o Rio para dançar, aperfeiçoar minha dança e construir um futuro bom na área, mas esse acontecimento me fragilizou demais e acabei voltando para minha cidade, Santa Maria/RS.

Essa fragilidade gritou dentro do meu peito, porque há 10 anos eu perdia meu pai em um assalto, ele foi invadido, roubado e morto dentro da própria casa, em seu “conforto e segurança do lar”. A perda é difícil, é terrível porque revela o nosso fracasso perante a vida, a morte!

Com isso, escrevi esse texto poucos dias depois do ocorrido:

Minorias acuadas, marginalizadas pelo social, pelos “trabalhadores” do sistema e por uma mentalidade bossal de que o diferente deve sofrer algo, seja discriminação, rejeição ou exclusão social. Negros, índios, mulheres (feministas ainda), idosos, pobres, analfabetos, mendigos e todos mais, são grupos de seres falantes e pensantes que muitas vezes se calam sem a oportunidade de serem ouvidos, respeitados ou até mesmo percebidos. Esses marginais sociais sofrem em solidão, é uma dor que pode haver empatia, mas só quem vive, sente e convive com isso sabe como é, não há como fugir, falar e muito menos gritar em um mundo que não quer ouvir, perceber e conhecer o outro com tudo o que tem dentro, dor, mas também amor!

Ainda existe a minoria de marginais assaltantes, assassinos, estupradores e, isso tudo de ruim faz com que a vida planejada em sociedade seja um caos, seja feia se tornando fétida, insuportável e ao mesmo tempo suportável, sim! Porque há quem se acostume com isso, aceite, trabalhe como escravo para o outro vir e levar como prêmio o que se tem e o que se é só porque tem munição, violência e nada de escrúpulos tornando a vida alheia cheia de medo, assim seres amedrontados sobrevivem ao caos aterrorizante do social brasileiro.

O desconfiar cresce a cada dia mais apesar de muitos serem bons, corações fraternos e amigos que mostram que vale a pena viver nesse meio tortuoso de cidades. Porém, um dia a violência chega de algum modo em cada um e, o reagir é instintivo, reagir ao assalto e ser morto ou não, reagir à marginalização se tornando lutador por causas humanitárias ou por algo que realmente te faça sentir que vale continuar. Ainda, existe o reagir pela vida com medos e se isolar em um quarto escuro como se estivesse protegido, mas o isolamento emocional é terrível, de algum modo a ferida nunca fecha, ainda mais quando se é lembrado constantemente que o mal/ o ruim/ o feio/ o podre e o inescrupuloso existe porque o bem/ o bom/ o bonito/ o amor existe e não luta, não reage do melhor modo com a inclusão, a indignação, a manifestação, a armação de planos para que tudo isso diminua até zerar.

O amor deve vencer de algum modo, creio que esses marginais carecem de puro amor a si e ao próximo! Esse sentir vem de berço, como muitas coisas que formam nossa personalidade, caráter e compreensão de mundo se originam, é a base que deve suprir para que exista vida saudável, amorosa e tudo de melhor em um ser, da criança ao idoso. Todavia, sabemos que vivemos em um país carente de atenção, de amor, porque a fragilidade do ser é exaltado na correria do dia a dia, na péssima educação que temos, na falta de oportunidades dignas e em um futuro incerto, pouco se oferece de verdade e acaba-se recebendo em troca o pouco do outro, a pequenez humana prepondera na falta de amor.

Por isso e por muito mais…

Seja mais empatia, mais solidariedade, mais fraternidade, mais gratidão , mais carinho, mais simplicidade, mais amor! Seja para si e para o outro, porque todos merecem o melhor sentir, o melhor ouvir, o melhor querer, o melhor viver, o melhor ser! Cuide, ouça, abrace, veja, perceba, viva, ame, permita-se o seu melhor hoje!


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