Por Janaína Vargas

Estive no dia 18 de novembro com as queridas Karen Käercher e Walesca Timmen conversando sobre o Projeto AMA idealizado e realizado por estas duas mulheres maravilhosas. No encontro elas falaram sobre como se deu a ideia do projeto, seu desenvolvimento, sua repercussão, seus resultados e ideias futuras para a ampliação do mesmo. Confira a entrevista completa abaixo.

Bendita- Como surgiu a ideia do projeto?

Karen- A palavra AMA tem origem num roteiro escrito pela Walesca e por mais dois amigos, o Geison e o Anderson. Esse roteiro não veio a público ainda, mas ele inspirou o nome do projeto.  O que eu posso adiantar é que existe uma personagem chamada AMA e que nós acreditamos que possa vir a inspirar muitas outras mulheres a se amarem no mundo real.  Então, o projeto AMA é um projeto fotográfico idealizado e posto em prática, por mim, Karen e pela artista visual Walesca Timmen. A proposta do projeto é notabilizar a beleza de mulheres reais, que não se encaixam nos padrões de beleza ditados pela mídia e reforçados pelo restante da sociedade. AMA vai no sentido contrário as estas expectativas impostamente padronizadas, empoderando mulheres e assim incentivando outras mulheres a também aceitarem, amarem e apropriarem-se de seus corpos de todas as maneiras.

rairaRaíra AMA seu corpo.

Bendita- Como foi a reação das convidadas ao fotografar?

WalescaOlha, foi um pouco diferente, porque como a gente começou convidando amigas próximas, a Raíra não, mas a Laís já esperava o convite, então foi só uma questão de agendar um horário, porque a gente não tinha o AMA bem definido quando a gente fotografou a Laís, no caso a primeira menina a ser fotografada, a gente foi definindo ele mesmo a partir do ensaio da Ray. Todas elas ficam bem felizes e super empolgadas, daí a gente já começa a trocar ideias, normalmente é a Karen que faz o contato, daí a gente busca referências e mostra pra elas.

Bendita- Além das fotos vocês fazem uma conversa? Não seria uma entrevista, mas uma conversa para elaborar o texto que vocês vão colocar?

Walesca- Na verdade o texto são elas que elaboram, elas que escrevem, que é o relato de vivências delas e que acompanha a foto.

Karen Quando a gente propõe o ensaio fotográfico, pedimos sempre que em troca das fotos, que aliás são totalmente gratuitas, as meninas nos deem um relato de vivências, a princípio relacionado ao nome que ela gostaria que fosse dado ao ensaio.

Julia AMA sua liberdade.

Júlia AMA sua liberdade

Bendita- E como foi a repercussão, do público em geral quando vocês publicaram as fotos? E também as críticas?

Karen Olha, a gente nunca recebeu nenhuma crítica que a gente saiba, nada direto. As vezes recebemos críticas construtivas, como: “Quem sabe vocês não fazem tal coisa?” Mais “dicas” do que críticas, na verdade. A gente recebe vários recados inbox (Facebook) e outras na própria linha do tempo da página parabenizando a iniciativa do projeto.

Walesca- Uma coisa que é engraçada também, tem alguns gráficos que o Facebook dá, quem segue, onde está seguindo, quem curte, da onde está pessoa curte, eu acho que assim, uns noventa por cento das curtidas da página são feitas por mulheres. São pouquíssimos homens, mas tem homens que curtem, principalmente quando tem amigas que tem as fotos lá postadas. E também tem pouquíssimos comentário de homens no projeto, tem um ou o outro geralmente de amigos próximos, que foram lá e elogiaram.

Karen É bacana este dado e informação que o Facebook nos dá, através dos gráficos, porque mostra que o projeto está alcançando aquelas pessoas que a gente queria alcançar, que são as mulheres no caso. É o nosso objetivo, empoderar mulheres, então estes gráficos mostram que o objetivo está a caminho.

nanda

Nanda AMA suas marcas. 

Bendita- Vocês tem ideias de ampliar o AMA?

Walesca- É mais coração, ele não traz nenhum retorno financeiro. O projeto AMA teria como expandir se nós fizéssemos trabalhos mais colaborativos com outras pessoas, mas a gente não tem como investir muito financeiramente, porque ele não nos dá retorno financeiro. A gente investe no que a gente pode, compramos lâmpadas, alguma coisa de equipamento, mas pro AMA ter uma estrutura somente se tiver alguma colaboração. Em termos de projeto e de expandir para outras pessoas a gente pode pensar.

Karen- No início estavámos muito empolgadas, conseguimos fotografar bastante, mas depois, com alguns contratempos, enfim, tanto meus, quanto da Walesca, a gente acabou fazendo um número de ensaio menor. O que a gente prevê pra 2016 é fazer mais ensaios.

Walesca- Até tiveram alguns contatos de pessoas assim: “ah eu também fotografo, ah eu faço não sei o quê”. Só que a gente não teve tempo de pensar sobre isso, e elaborar como seria esta troca de experiências e essa colaboração ao projeto. Só por isso que a gente não colocou em prática ainda.

Karen Tem várias meninas que já se prontificaram a posar pra gente, mesmo sem a gente convidar, então a gente chegou em um ponto em que as meninas ficam tão empolgadas com o projeto que temos uma lista enorme de meninas para serem fotografadas e o que nos falta é um pouco de tempo.

Walesca- Mas a gente vai continuar tocando o projeto, quem sabe com mais colaboradores, é uma coisa que a gente tem que pensar ainda.

aliceAlice AMA sua negritude

Bendita- Como vocês acreditam que as mulheres possam se amar mais?

Walesca- Eu acho que um dos principais pensamentos seria o que o projeto propõe, que é o empoderamento feminino, a mulher se sentir representada e confortável em relação ao próprio corpo.

Karen E mostrar que mulheres como elas existem, e na verdade são a maioria e que elas são normais. O que a mídia mostra em grande quantidade não é na verdade a realidade.

Walesca- É uma montagem inalcançável, né. Quando a gente mostra no projeto mulheres reais, é uma forma de atestar que sim, você é linda, sim, você é real.

geanine

Andressa e Geanine AMA(m) o seu amor negro-lesbofeminista

Bendita-Sobre a expectativa que vocês tinham e tem sobre o projeto, o que vocês têm a dizer?

Karen- Superou. Não imaginávamos que as meninas iam se empolgar tanto com o projeto. Quando lançamos, no primeiro dia, o Facebook não parava, tivemos que silenciar o celular, porque era curtida atrás de curtida, comentários e mais comentários e algumas mensagens na página do AMA e em nossos perfis pessoais do Facebook. Confesso que isso tudo nos empolgou bastante para fazer os próximos ensaios.

Walesca- Super motiva, e toda a vez que postamos algo, ficamos na expectativa de que alcance muitas pessoas. É a questão anterior que tu perguntou sabe, é empoderar mulheres e quanto mais mulheres alcançarmos, talvez a gente faça a diferença com o projeto.

clara

Clara AMA sua vida.

Bendita- E pra vocês, o que é empoderar mulheres?

Karen- É dar autonomia para elas. Para elas se amarem, amarem o cabelo delas, amarem o corpo, amarem a celulite, elas comerem o que quiserem sem fazer dietas loucas para ficarem com corpos “perfeitos” para irem a praia.

Walesca- “Perfeitos”, queremos dizer dentro de padrões inalcançáveis como a gente falou.

Karen- É! Empoderar estas mulheres é mostrar tudo isto e dizer:  vocês são lindas!

 

 


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