Relatos e fotos de viagem por Nathalie Assunção

“Em agosto de 2012 realizei a minha primeira batida de asas para fora do ninho, eu havia sido selecionada para realizar um programa de intercâmbio no México durante um semestre. Até esse momento, a possibilidade de morar no exterior sempre me pareceu algo muito distante fora da minha realidade, no entanto quando surgiu à oportunidade aceitei sem pestanejar, disse sim com o maior sorriso no rosto e braços abertos. Do momento que recebi a notícia do intercâmbio até colocar o pé no avião foram aproximadamente três meses, o que é relativamente pouco quando você não possui nem passaporte. E quando o seu espanhol se resume em “cueca cuela e “me gusta”.

Acapulco, no México

Três meses passam voando para conseguir organizar tanta coisa. Além de toda a documentação exigida eu tive milhares de dúvidas sobre o que levar, quanto levar, quanto espaço deixar para trazer coisas, o que tem para vender lá e principalmente o que não tem. Por via das dúvidas acabei optando por não levar nada, desde o começo tinha resolvido que esta seria uma experiência de imersão em uma nova cultura. E isso significa se desapegar dos costumes que tinha aqui.

Teotihuacan, no México

Após resolver todas as “pendengas” eu embarquei no meu primeiro vôo internacional, foram quatro horas de Santa Maria a Porto Alegre mais uma hora de Poa até Sampa e longas 10 horas de São Paulo até a Cidade do México. A minha recepção nem de perto foi como aquelas que costumamos ver nos filmes, tive problemas com a minha reserva no hostel o que me levou a caminhar uma avenida com duas malas, buscando um hotel sem falar nada em espanhol, aí eu descobri que antes de saber uma língua a vontade de se comunicar é algo mágico e faz as pessoas te ajudarem, apenas um contra tempo.

Tulum, no México

Passado o primeiro susto posso dizer que o meu D.F (Cidade do México), me recebeu como uma típica “madre” mexicana de braços abertos, cheio de novidades encantadoras em cada rua que atravessava. Acredito que esta seja a grande vantagem de se viver em uma megalópole. Viver no D.F. para mim foi uma sucessão de quebras de pré-conceitos, foi ir além da imagem do mariachi tomando tequila. Foi ter a oportunidade de conhecer um povo amigo que tem uma das melhores recepções com os forasteiros. Acho que esta foi uma das razões que fizeram meus planos se estenderem de 5 para 9 meses.

A vida na “cidade grande” é uma loucura, é uma sensação de nunca parar e estar constantemente atrasado para algum compromisso.  Isso foi algo marcante para mim durante este tempo, pegar metrô lotado, sempre ter uma fila para qualquer coisa foi se tornando hábito no meu cotidiano. Além das festas, assim como nas festividades brasileiras, as celebrações mexicanas são um espetáculo a parte desde as tradicionais: como batizados, casamentos até a vida noturna do DF é algo constante, intenso. Onde você sempre tem um convite para entrar e sem hora para acabar.

Merida, próximo a Cancún 

Apesar de ser um lugar cosmopolita o que mais me chamou atenção no DF, foi à religiosidade assim como uma grande mistura, a religião é uma grande mescla entre a herança indígena Náhuatl e o catolicismo trazido por Cortez.  E isso resulta em uma miscelânea de festividades como a de dia de los muertos, aliás, esta foi uma experiência incrível de passar ainda que não compreenda totalmente o significado desta celebração é um momento indescritível ver a noite de vigília das viúvas nos cemitérios, a preparação dos altares dos mortos nas casas, o tradicional pão de morto vendido por quase todas as padarias, os concertos de mariachis realizados em frente as tumbas, são apenas alguns dos costumes mais bonitos e exóticos que tive a oportunidade de presenciar na ilha de Patzcuaro.

Os meus nove meses no DF me ensinaram muito sobre tanta coisa, e principalmente sobre mim mesma. Aprendi a olhar para outra cultura despida de conceitos midiáticos, fui convidada a conhecer um povo riquíssimo em sua culinária, em seus conhecimentos, crenças e tradições. E como escutei certa vez de um amigo mexicano: os brasileiros são como primos distantes dos mexicanos. Gostamos muito deles, apesar não morarmos perto.”

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Foto acima: rituais dos indígenas, realizado em frente a catedral para espantar os maus espíritos.

Foto acima: Tuna, fruta que vem do cacto, conhecida também por figo da índia.


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