Por Luana Borges

Exemplos como Beijinho no Ombro de Valesca Popozuda, Show das Poderosas de Anitta, Te Ensinei Certin de Ludmilla serviram para inspirar posturas de mulheres empoderadas, donas do próprio corpo e poder de escolha, mas suas letras ainda “brincam” com a concorrência e vingança entre as inimigas. Então, para fortalecer a sororidade entre as mulheres, uma aliança de irmandade e empatia, junto a composições musicais empoderadas surgem novos talentos, confira alguns:

Karoline dos Santos Oliveira , curitibana nascida em 1987, mais conhecida como Karol Conka, é o destaque nacional do Rap feminino. A rapper, cantora e compositora começou a carreira em um concurso escolar, até gravar sua primeira música demo disponibilizando as canções em seu perfil myspace oficial. Em 2015  com a música Tombei, de fato tombou o machismo e empoderou muitas mulheres, como em outros sons que falam sobre autonomia feminina, força percebida por suas composições e também em seu estilo e comportamento.

“(…) Enquanto mamacita fala, vagabundo senta
Mamacita fala, vagabundo senta

Depois que o alarme tocar
Não adianta fugir
Vai ter que se misturar
Ou, se bater de frente, perigo é cair

Já que é pra tombar
Tombei
Bang bang

Karol fez uma parceria com o rapper Projota na canção Não Falem! em 2011, quando foi indicada na categoria Aposta do MTV Video Music Brasil. Karol gravou seu primeiro EP lançado em 2012, deste seguindo o single  Boa Noite, que acompanha seu primeiro videoclipe e tem influência da música soul, música premiada no Worldwide Winners Awards 2014. Com a música Ela Mesma a cantora foi indicada na categoria Aposta do MTV Video Music Brasil 2011 e vencedora na categoria Revelação do Prêmio Multishow 2013 com o álbum Batuk Freak. O recente sucesso Tombei foi indicado ao Prêmio Multishow 2015 nas categorias Novo Hit, Melhor Clipe e Nova Música, sendo vencedora nessa última.

“Se quer medir forças sei que me garanto,
Sem conversa froxa, sem olhar de canto,
Fecha a boca, ouça, eu não tô brincando,
Sua estratégia fraca já vo chega te derrubando.”

– Me Garanto – de Karol Conka

> Play list completo de Karol Conka <

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MC Carol Bandida, carioca nascida na comunidade Preventório, em Niterói, a funkeira de 21 anos que faz sucesso pela irreverência e autenticidade de suas canções. Hits como Minha Vó Tá Maluca e Meu Namorado É Maior Otário, entre outros, conquistam um público infantil e feminino, que se diverti e se empodera. Carol se considera feminista e no seu estilo de vida e de cantar incentiva a autoestima elevada e insubmissão das mulheres.

Reprodução/ Facebook Carol Lourenço

A MC Carol participou do programda Lucky Ladies da Fox que reuniu cinco mulheres funkeiras, MC Carol Bandida, MC Sabrina, MC Filé, Karol Ka e Mari Silvestre, sendo presentado pela funkeira precursora Tati Quebra Barraco, principal inspiração para Carol Bandida na carreira. No ano 2000 Tati estava cantando sucessos como “Sou feia mais tô na moda, tô podendo pagar hotel pros homens e isso que é mais importante”, desconstruindo padrões de beleza e afirmando a independência financeira e sexual, nessa e em muitas outras músicas. E hoje, MC Carol Bandida canta sobre violência contra aàs mulheres, abandono familiar e ensina lições de empoderamento diante de discriminações que ela enfrenta como machismo, gordofobia e racismo.

carol-bandida

Em entrevista ao virgula.uol.com.br Carol Bandida relata um pouco da sua história e ideais. ela conta que o apelido Bandida veio desde criança, porque sempre teve um jeito masculino e classifica seu estilo de funk como  “putaria”, porque não é proibidão nem ostentação e prefere manter o tom de comédia, pois tem público infantil também. 

Carol foi criada pelos avós e eles não gostavam de funk “eu só ouvia uma vez por mês, quando eles iam pegar o pagamento da aposentadoria. Daí eu botava o som no último volume e ficava dançando com as minhas primas. Comecei a curtir mais mesmo depois que eu fui morar sozinha, tinha uns 14 pra 15 anos” e diz que pagava as contas levando a prima para creche e fazendo extra na pizzaria.

Carol é muito fã de Tati Quebra-Barraco “o meu jeito de cantar eu acho que lembra o dela, né?(…) acho que tem muito a ver, a aparência, a agressividade”.

Perguntaram se ela é superfeminista: “eu sou, não aceito submissão. Dentro da minha casa não tem isso. Meu namorado por exemplo ele é bolado com a música da calcinha. Mas a realidade é essa. Quem manda nessa porra sou eu. O homem tá acostumado com uma mulher que lava, passa, cozinha, tá ali, pra fazer o que ele quer… mas não!”

MC Carol diz que deseja ser um exemplo para as mulheres, “é muito feio a mulher ser submissa ao homem. Aí o homem se aproveita e quer bater na mulher. Eu acho isso ridículo”. Certamente ela é uma ótima inspiração feminina!

E, sobre a letra “meu namorado é mó otário, ele lava minhas calcinhas” ser invenção: “Acho muito difícil inventar uma coisa que não é real. Eu prefiro fazer uma coisa que eu estou vivendo ou alguma coisa que eu tô vendo alguém viver. Tipo a música ‘Largar de Barriga’. Nas comunidades a gente vê muita mulher criando filho sozinha, meninas que engravidam e têm que parar de estudar”.

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A rapper Soffia Gomes Rocha Gregório, a MC Soffia, de 11 anos, nascida e criada na periferia de São Paulo faz um som politizado, com rimas sobre racismo e discriminação de gêneros, quebrando paradigmas sociais e empoderando meninas. Ela canta o conhecimento aprendido na escola e na família, valores cultivados pela mãe pela avó nas letras. “Eu falo sobre as meninas negras, o que eu quero passar para elas é importante”,(…)“É para elas entenderem sua cor e seu cabelo e se aceitarem assim”. 

Soffia já se apresentou na Virada Cultural de São Paulo e no Festival Latinidades em Brasília, além de já ter feito shows com Mano Brown e Racionais MC’s, entre outros. A sua música Menina Pretinha deperta o orgulho negro nas crianças (“Menina pretinha/exótica não é linda/você não é bonitinha/você é uma rainha”) e também ela sempre busca desconstruir a ideia de brincadeiras só de menina ou de menino.

Assista a entrevista de MC Soffia ao Empoderadas e confira a legenda do vídeo: “Empodere uma criança e empoderará o mundo”… diz a celebre frase solta nas redes sociais, mas, ao ver o trabalho da MC Soffia, a frase deixa de ser solta e torna-se coesa, urgente, verdadeira e multiplica-se em poesia, rima, ritmo, cultura, respeito e busca por suas raízes. “Eu já quis ser branca, minha mãe quase surtou (…) Através da minha música quero que outras crianças sejam livres“.

Mc Soffia: letras engajadas (foto: Mario Rodrigues)

MC Sofia explica que faz música para criança: “eu falo para elas como é bom ser negra e sobre racismo. Quero trazer cultura para crianças. Antes os adultos não queriam que a gente aparecesse”, explicou. “Hip-hop é resistência”. “A mãe, orgulhosa, incentivou a filha quando o hip-hop bateu na porta. ‘Ela cresceu em uma casa de militantes e foi muito natural para ela falar dessas questões”, explica Kamilah Pimentel, 29. Incentivei a pesquisa. Ela foi lá saber quem foi Carolina Maria de Jesus [escritora e militante, morta em 1977] e Dandara [guerreira negra, esposa de Zumbi]. Ela fala dessas questões com o olhar lúdico de uma criança” – Entrevista parao site  UOL

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