A polêmica

Na última sexta-feira, dois vídeos viralizaram na internet e se tornaram polêmica sobre relações entre homem e mulher. No primeiro uma moça fala sua opinião sobre como homens e mulheres seriam todos iguais, eles naturalmente agressivos, instintivos e de libido intenso, e elas sensíveis, sempre em busca de constituir família e fazer a diferença na vida de um homem, admirando e servindo o seu amado. Em resumo, uma visão machista distorcida da realidade complexa que há nas relações sociais entre gêneros que apresentam personalidades e sexualidades diversas próprias de individualidades humanas. Características que invalidam estereótipos de gêneros e ridiculariza o posicionamento sexista dela no vídeo, visto por milhões de pessoas, apoiado por muitos (infelizmente) e repudiado por outros tantos com o mínimo de sensibilidade e conhecimento social.

dois videos web

Para refutar essa reflexão pessoal incoerente, o segundo vídeo, de Bila Sampaio, igualmente viralizou com uma bela resposta, autêntica e que demonstrou uma mentalidade madura ao encontro do empoderamento feminino. Uma moça consciente do papel de gênero submisso que a mulher deve (des)construir e ser a protagonista da sua história de vida. Nada mais justo e inteligente diante do histórico de opressão patriarcal que vivenciamos principalmente em uma Era de revolução que cada dia mais conquista o espaço e respeito social que mulheres têm direito. Reconhecimento ganho através de estudos precursores sobre gênero e militâncias que desde o século XX trouxe junto visibilidade à outras minorias em questões homossexuais, étnicas e de padrões estéticos. 

Na extensão desse assunto dos vídeos remeto à essência humana composta por feminino e masculino, energias opostas e complementares que conduzem comportamentos distintos nas pessoas, sejam mulheres ou homens de acordo com o sexo biológico. E, na maneira de cada um ser isso não é lógico, há mulheres com energia masculina predominante e homens com energia feminina em destaque. Essas qualidades definem personalidades percebíveis, mas isso não é necessariamente associado à orientação sexual, nada é lógico aparentemente, o que demonstra a complexidade dos gêneros e comportamentos humanos. Justamente por isso, num relacionamento entre homem e mulher também não podemos pré-determinar como são os homens e como são as mulheres, tampouco supor que todos são iguais dentro de sua categoria de sexo biológico, absurdo. Tal divisão binária, simplista e desconexa é pensada num imaginário popular de ignorâncias a partir de uma cultura imposta, de senso comum equivocado, permeado por machismos e homofobias.

Conhecer a si e desenvolver o feminino e o masculino em cada pessoa

Essa imanência de feminino e masculino conduz comportamentos inclusive por meio do formato cerebral comprovado cientificamente que divide em racional e emocional cada hemisfério, sendo o esquerdo responsável pelo pensamento analítico e o direito pela criatividade. A partir dessas qualidades orgânicas de feminino (emocional) e masculino (racional), agrego a sabedoria e lucidez dos ensinamentos de Robert Happénascido em Amsterdã na Holanda, estudou religiões e filosofias na Europa e dedicou-se a descobrir o significado da vida. Ele costuma falar da importância do autoconhecimento nas relações humanas, o que acredito ser um tipo de “empoderamento feminino e masculino” (ampliando a fala de Bila Sampaio no vídeo resposta), o qual todos deveriam trabalhar na consciência individual e aplicar na vida cotidiana, sendo cada pessoa protagonista da própria história (homem ou mulher), sem depender de outrém para ser feliz e se valorizar. Conhecer o “eu” para viver em harmonia com todo o resto, pode parecer espiritualista, papo de meditação, pode ter vários nomes esse princípio, mas ele resolve de fato muitos conflitos recorrentes entre pessoas, independente do sexo.

Happé estudou Vedanta, Budismo e Taoísmo no oriente durante 14 anos, também trabalhou em universidades europeias. E, desde 1987 tem trabalhado com pessoas interessadas em autoconhecimento e desenvolvimento de seus potenciais como seres criadores. Isso de forma independente (desvinculado de religiões, seitas, cultos e outros grupos) em seminários e workshops na Europa, na África do Sul, nos EUA, na Austrália, e no Brasil. 

No Vídeo – Não Pense, Sinta! Robert Happé fala sobre um princípio fundamental da vida humana que nos leva ao autoconhecimento e paz interior, a utilização equilibrada desses dois lados do cérebro, feminino e masculino. A visão espiritual do que Happé ensina também expressa estruturas de relações humanas em sociedade, de representações de gênero que se vivenciamos em materialidades e estereótipos a todo momento. Exemplo disso, é quando a cultura machista impõe que um homem (desde criança) deve ser “machão”, não chorar, ser forte sempre, físico e mentalmente, esse se torna uma pessoa automatizada, lógica e racional como a tradição militarizada, desenvolvendo apenas uma parte do potencial humano. Assim também acontece com as imposições patriarcais que educam mulheres como se fossem frágeis, naturalmente emotivas, delicadas e maternas. Essa seria a composição ideal de dois lados formando uma pessoa completa, e não numa composição sexista como a que somos incentivados a viver.

Conforme Happé, o entendimento de si, do convívio social e da humanidade acontece com a fusão desses potenciais femininos e masculinos que são inerentes à nós, por essa razão não é possível racionalizar tudo ou deixar todo aprendizado no campo sensível. O conhecimento e evolução humana são genuínas quando alguém une forças femininas e masculinas dentro de si, para ser mais humanos nos julgamentos, nas decisões, nas avaliações de pessoas, conceitos e aprendizados. Happé esclarece que somos humanos quando alimentamos o amor e o pensamento sensível, eliminando as ações baseadas no medo que nos tornam instintivos como animais sem possibilidade de evoluir e entender o outro. Nesse contexto, o feminino é o que traduz a essência humana, que todos deveriam cultivar na maneira de ser. 

Happé sobre a importância de desenvolver o feminino

“Somos criadores e divinos e temos a habilidade de criar, num modo mais amoroso, uma sociedade melhor em que todos se importem uns com os outros. Eu gostaria de dizer que você não precisa ser um gênio intelectual, apenas ter a visão de cooperação com as pessoas em um jeito amável. Isto é criação.”

Happé sobre relacionamentos

“As pessoas não entendem que o casamento toma lugar em si mesmos. O casamento sagrado é aquele em que o masculino e o feminino andam juntos. De novo, não há bons professores disso na escola, assim as pessoas casam e querem controlar uns aos outros. O casamento hoje em dia está focado no controle e na possessão. E é assim desde muito tempo. Mas hoje, já que começamos a acordar para quem realmente somos, percebemos que o casamento é um reflexo do masculino e do feminino que existe em nós. O melhor jeito para aprender suas lições no Planeta Terra é através da relações e o medo que você tem em relação ao seu parceiro é exatamente o que você precisa aprender. E a maioria das pessoas não quer aprender. Então, se separam.”

Fonte

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O jogo é amar – Robert Happé

“(…) o problema com nosso aprendizado é que precisamos entender que a natureza animal e a natureza divina, que estão separadas precisam ser unidas. Então, é o animal em nós que é medroso, que está sempre lutando para conseguir mais e mais; E é o divino em nós que é capaz de cooperar e ser amoroso. O trabalho para cada ser humano é unir essas duas energias dentro de cada um de nós. A parte masculina que é a mente, e a parte feminina que é mais o coração; estes dois, precisam funcionar em harmonia. A intuição, que é a energia do amor e da compreensão, está guiando a mente para fazer a coisa certa.”

“(…) a vida é uma jornada para descobrir quem você éQuando se chega naquela encruzilhada em que descobre quem você é, então você chega à paz. Uma vez que esteja em paz, você pode criar de acordo com sua consciência criativa.

Isso tem sido muito difícil. Nós temos tentado por milhares de anos criar um mundo que seja próspero, que reconhecemos uns aos outros como divinos e iguais, e compartilhamos e cooperamos mas nunca fomos capazes de fazer isso. E por quê? Eu tenho me feito esta mesma pergunta. Porque todas essas diversas culturas são tão extremamente diferentes? E quando você as estuda – e eu estudei bastante, viajei pelo mundo inteiro, vivi em países completamente diferentes, especialmente no extremo Oriente e Europa, e também aqui na América do Sul – e percebi que todas as pessoas são iguais

Todas elas querem amar e serem amadas. Mas não é isso que está acontecendo. 
Apesar de todos nós querermos ser amados, de alguma forma é difícil para as pessoas amarem umas as outras; e serem honestas umas com as outras e trocar coisas de uma forma honesta. As pessoas organizaram nosso sistema de tal forma, que todos querem ter lucro. E muito lucro, o máximo possível. Isso é um tipo de doença.”

“O jogo não é ter medo, mas acreditar em Si mesmo, e como você mesmo pode expressar sua luz e expressar seu amor. Essa é a experiência humana.”

Fonte


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