assint luana

O grafite é uma manifestação artística em espaços públicos, geralmente inscrições caligrafadas e desenho pintado ou gravado, que têm diversas temáticas, geralmente engajadas com intenção de denunciar e provocar reflexão sobre desigualdades e opressões sócio-culturais. Na década de 1970 em Nova York, alguns jovens começaram a colocar suas marcas pelas paredes da cidade. Também nesse período no Brasil jovens de São Paulo iniciaram a prática do grafite criando uma identidade brasileira reconhecida hoje entre as melhores do mundo. No Brasil, se o artista tem autorização  para  utilização do espaço público, a atividade é regulamentada  pela Lei n. 12.308/2011.

Arte urbana que iniciou no “gueto”, se espalhou pelo mundo e atualmente é reconhecida inclusive pela academia de Artes Visuais e consagra milhares de artistas independentes, além de reforçar reivindicações sociais. Exemplo disso é o trabalho das grafiteiras brasileiras abaixo, que expressam o feminismo e suas lutas em prol da mulher, crítica ao patriarcado e a mentalidade machista que permeia nossa sociedade em relações de poder, relacionamentos afetivos, sexuais, profissionais, entre outros:

PANMELA CASTRO

Carioca de 34 anos nascida no subúrbio da cidade, Panmella Castro (foto acima) é uma artista e ativista feminista que cria murais de grafite pelas ruas do mundo, é formada em pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ e Mestre em processos artísticos contemporâneos pelo Instituto de Artes da UFRJ. Ainda quando adolescente ela foi vítima de violência doméstica praticada pelo seu ex marido, o que motivou a artista encontrar no grafite uma maneira de ajudar as outras mulheres que são vítimas deste crime.

GRAFITE ANARKIA BOLADONA (5)

PANMELA CASTRO 6

Outro trabalho de Panmela, eleita pela revista "Newsweek" uma das 50 mulheres com coragem para mudar o mundo Divulgação

Panmela foi eleita pela revista “Newsweek” uma das 50 mulheres com coragem para mudar o mundo. Veja mais artes do portfolio de Panmela Castro em seu Facebook e Site.

E assista o seu vídeo RUPTURA, uma performance de Panmela Castro resultante de cinco anos de trabalho sobre o mito do feminino, que inaugurou em julho de 2015 no RJ a exposição “Eva” com 75 obras expostas na Galeria Scenarium na Lapa. No dia da abertura da exposição a artista realizou a Ruptura com alguns passos: passar batom, tatuar-se, cortar (todo) o cabelo e trocar de roupa. Uma descontrução da personagem super feminina de suas obras e vida, o que abriu espaço a outros debates de gênero e sobre possibilidades de questionar melhor o que há entre ficção/arte e vida real:

“Neste processo o espetáculo é essencial, pois eu poderia passar batom no espelho de casa, tatuar em um estúdio, cortar o cabelo no salão e trocar de roupa no meu quarto, mas o que faz desses atos uma performance são os valores da alteridade. Nada mais difícil do que lidar com o OLHAR DO OUTRO, e é neste sentido que se completa a obra.” – Panmela Castro sobre o ato Ruptura.

GRIF MAÇÃS PODRES

GRIF (Grupo Revolucionário de Intervenção Feminista) Maçãs Podres desenvolve intervenções de Graffiti baseadas em estudos sobre a condição da mulher no Brasil e no mundo ao longo dos tempos. Conheça o BLOG MAÇÃ PODRE e suas bases teóricas:

“A GRIF Maçãs Podres possuem a influência de análise a filosofia existencialista de Simone de Beauvoir, as considerações de raciais de Ângela Davis, Lelia Gonzalez e Sueli Carneiro, além das considerações culturais de Shulamith FirestoneNosso objetivo maior é auxiliar na consciente promoção de novas militâncias feministas, solidificar conceitos de resistência feminista condizentes com nosso momento histórico e estimular uma dialética ideológica capaz de contribuir para uma futura emancipação humana.” – Maçã Podre

Composto pela cientista social Ana Clara Marques, o historiador Patrick Monteiro, a mestre em antropologia Fernanda Sunega e Gabriel Brito, o Grif Maçãs Podres desenvolve intervenções de grafite baseadas em estudos sobre a condição das mulheres no Brasil e no mundo ao longo dos tempos.

Foto montagem acima: projeto organizado pela ONG Feminista Católicas pelo Direito de Decidir junto ao Maçãs Podres, que visa usar a arte como instrumento de enfrentamento e sensibilização contra a violência machista.

Daia Oliver/ R7

 

Veja outras artes no FLICKR Maçãs Podres

NEGAHAMBURGUER

Evelyn Queiróz (foto acima) de 27 anos vem colorindo a vida de muitas mulheres com ilustrações que prezam pela diversidade feminina a fim de promover o empoderamento e a recuperação da autoestima de mulheres, que  é cruelmente destruída em razão de pressões sociais machistas e de beleza padronizada. A ideia criou força após receber dolorosas confissões de anônimas por e-mail, então a artista deu vida a personagem Negahamburguer, uma mulher que se aceita de todas as formas, se ama e denuncia a opressão de estereótipos que a mídia e a moda vendem às mulheres, padrões estéticos corporais reproduzidos por homens e mulheres como ideais de beleza.  A Nega também se estendeu ao projeto BELEZA REAL e se tornou livro (foto acima). As ilustrações retratam a violência de gênero e os preconceitos gerados por essa visão social distorcida da realidade, que causa conflitos psicológico e emocionais em milhares de mulheres. Confira algumas falas da artista em entrevista ao Think Olga:

“Acho que a dificuldade enfrentadas pelas mulheres quando o assunto é o corpo e a auto-estima está em achar que é preciso se encaixar em uma lista de detalhes para se sentir bem e bonita. Com isso, se perde a ideia do como é lindo sermos diferentes, já que é assim que somos.”

“De vez em quando aparece um perfil fake causando ou alguém que não entendeu nada da proposta dos meus desenhos. Estou aprendendo a lidar com essa situação, com pessoas que não consegue enxergar o próximo. Fico triste por elas serem assim.” 

negahamburguer 06

Veja mais artes da Negahamburguer no Facebook dela, também é possível comprar ilustrações no seu Site. E olha que legal, a Negahamburguer ainda se tornou coleção de > CAMISETAS <


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