assint luana

Um hábito erudito, popular, de gente estudada, analfabeta, de famílias, de um só, de uma cultura para outra. Em comum, o costume equivocado e insistente de julgar pelas aparências, de convencionar cara para função, rosto para padrão, aparência para profissão. Rima não tão bacana na realidade, em que todo vivente que, por exemplo, dentre os 10% que concluem ensino superior no Brasil, ganha rótulos históricos equivocados para suas formações. Aí, se a pessoa faz T.I é nerd, Medicina é prepotente, Enfermagem é frustrado em Medicina, Publicidade é criativo demais e vende até a mãe, Jornalismo é o que se comunica bem e com imparcialidade, Artes Visuais é talentoso e sensível, Educação Física é o fitness que está sempre malhando, Engenharia é aquele que vai ganhar bem mas só o nome já vale status, Veterinária é o ser que lê a mente dos bichos e zela por toda a fauna, Direito é aquele que tenderá a ser mercenário e boa lábia, Psicologia é o louco, Filosofia e História além de loucos são rebeldes esquerdistas. Mestrandos e doutorandos são os que preferiram seguir estudando, “sem trabalhar”. Exageros a parte, é uma parcela dos ditos populares maldosos e inconvenientes. Músicos, atores, artistas no geral não trabalham, se divertem…mas qual o problema? Quando alguém faz o que ama é assim, vá ser feliz povo!

empregos mulheres

Tais exemplos de estereótipos sociais e psicológicos de perfis profissionais ainda são menos cruéis que estereótipos físicos criados para determinadas funções, com ou sem ensino superior. Mais importante que a inteligência comprovada por certificados e diplomas, é aquela demonstrada na prática social, no bom senso ao olhar coletivo que não diferencia ninguém na capacidade de evoluir, de ser o que deseja. Tem gente que não sabe escrever o próprio nome ou que não interpreta um  pequeno texto, há quem escreva “profiCional, derrepente e concerteza” e os que empregam com excelência o português mas ainda são cheios de preconceitos com bandeiras hasteadas e insígnias sobre o universo limitante de pessoas que conhece. Ou seja, independente de classe econômica, credo e nível de escolaridade, há um imaginário coletivo destrutivo que discrimina ofícios, como se uma médica negra e com dreads fosse um extraterrestre igual a uma Gari branca e bonita “padrão mídia“:

“a chefe da médica Tathiane, comunicou que ‘sentia muito falar sobre isso, porém havia um problema: meu cabelo’, justificando que a população da cidade, ‘principalmente por ser formada por descendentes de germânicos’, estranhava seus dreadlocks, pois os pacientes estavam acostumados a um padrão visual entre os médicos.”

Esta é Rita Mattos, funcionária da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) do Rio de Janeiro.

“a Gari Rita Mattos diz que está se divertindo bastante com a fama e discorda do ‘pessoal que acha que gari tem que ser feia. É um trabalho digno como qualquer outro’, sobre dizerem que ela é muito bonita para uma Gari”

Nos caso dessas mulheres há o agravante do machismo e do racismo aos estereótipos profissionais, por isso mulheres cada vez mais devem ignorar isso e escolher a profissão que quiser. Para que um dia enfim, não seja mais “notícia” uma delegada de polícia bonita/vaidosa ou uma policial que largou carreira de modelo, escolhas de destaque em pauta midiática unicamente pela aparência das profissionais, porque cargos que antes eram majoritariamente masculinos vem sendo ocupados há tempos por mulheres e vice versa.  Mas padrões estéticos impostos vemos em todos os âmbitos, “mas nem tem cara de Físico Nuclear”, “de Doutora em Ciências Políticas”, de “Lutadora de Judô”, “de Auxiliar de Limpeza”. Agora tem que ter cara? Só falta mesmo é vergonha na cara de quem diz isso, bom senso e respeito! Primeiro que a maioria das pessoas não fazem ideia do que se trata de fato um curso que não teve contato direto. Segundo, empregos que não exigem cursos superior não devem ser depreciados, o coletivo sem todas suas profissões inventadas se torna falho, todo ofício acaba tendo relevância social de alguma maneira e muitas vezes pessoal o que já é grandioso. Terceiro, todo indivíduo dotado de cérebro e boa saúde física tem potencialidades de realização intelectual e prática surpreendentemente positiva, basta o entorno colaborar para as condições de aprendizado. 

Então, se alguém está em algum chamado “subemprego”, é por conta de adversidades e hipocrisias sociais, políticas, de um sistema que remunera em um discrepância gigante e Estado que não tem interesse suficiente para evoluir a educação do país em um padrão horizontal de boa qualidade com no mínimo extinção do analfabetismo, parece a utopia brasileira. Mas enquanto muitos alimentam essa aspiração, trabalham para que seja alcançada, outros continuam mesmo sem muita escolaridade ganhando o sustento do mês com o trabalho que vier, dignamente melhorando as condições de vida e muitas vezes voltando a estudar.

Existe gente mau caráter por todas profissões e ocupações, há pessoas humildes e sinceras em muitos cargos, generalizar pessoas por profissão pode dizer algo sobre gosto pessoal e habilidades mas nunca sobre ética na conduta profissional e na vida social. Definições, rotulações ajudam entender o mundo muitas vezes, classificar conceitos, estudar e teorizar sobre diversos temas, mas em matéria de ser humano em sociedade, são poucos empirismos que dão conta 100% e para sempre, imagina rótulos, caras.


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *