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Fotos da esq para dir.: Kivia no Egito – Pirâmides de Giza, em Bariloche – Argentina, em Zagoroxoria – Grécia e no Deserto do Saara.

Uma viajante da vida, uma mulher determinada, uma pessoa que aprendeu a ser mais humana em suas viagens pelo mundo. Kivia Mendonça Costa, de 29 anos conheceu os cinco continentes, 36 paises na viagem de volta ao mundode maio de 2013 a junho de 2014. Mas, a moça conhece mais de 60 paises e continua viajando, esse ano fez um mochilão pelo nordeste brasileiro e outro pelos Balcas. Atualmente está visitando Berlim na Alemanha, uma de suas cidades preferidas no mundo.

Grandes aventuras, experiências ricas em história, cultura, curiosidades, com belezas e adversidades que vivenciou e aprendeu muito viajando sozinha, conhecendo pessoas e lugares. E ela conta isso ao mundo através do site kiviagem.net, que tem dicas de viagens sobre todos os lugares que viajou, como no mapa que marca os destinos, ao clicar em cada um abre janelas específicas com informações práticas da cidade ou país e também há links que direcionam ao Facebook Kiviagem, espaço que Kivia publica diários de viagem, entre outros assuntos da grande viagem. A cada fotografia e relato de viagem sentimos a vontade de ler o livro inteiro que ela pretende lançar (sem data marcada) com a experiência completa. Também, ela deve lançar na próxima semana um manual com dicas de como viajar barato no mundo inteiro que vai custar 15 reais (transporte, hospedagem etc).

Na página Kiviagem do Facebook há diversos álbuns como o 10 lugares inesquecíveis, entre outros. Além disso, no site há guias de viagens no tópico DestinosHistórias de pessoas que Kivia conheceu pelo caminho e Pensatascrônicas e reflexões de sua autoria sobre questões vivenciadas na viagem de volta ao mundo, como:

O que vem depois da liberdade? – “Somos todos  Che Guevara na hora de conhecer as belezas da América Latina e de narrar heroicos diários de motocicleta. Mas quem está disposto a arregaçar as mangas e lutar pelo coletivo?(…)”
Desculpe, mas não posso te ajudar a viajar “Não posso vir com esse papo de ‘cinco coisas que você TEM que ser para viajar’. Você tem que ser você, oras. E talvez esteja em uma rotina massacrante, porque ainda se conhece pouco ou não se assume diante dos outros(…)”
De volta para casa –  “A volta ao mundo é sem volta. Minha casa caiu. O chão que me sustentava não existe mais. Tento recolher as pedras que eram “eu” e observo, esfarelados, os tijolos que eram puro sonho alheio (…)”

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Fotos: “Lua, Marte, idade da pedra, cabana da bruxa, casa dos Flintstones, Star Wars. Na Capadócia, se sente em muitos lugares. Menos na Terra.” – Kivia

>> Kivia concedeu uma Bendita entrevista para conhecermos mais da motivação, vivências e sabedoria de sua vida. Confira abaixo:

O que te motivou a viajar sozinha?

“Não sei. Não tive essa discussão interior de ‘hmm, será que vou sozinha ou com alguém?’. Deu vontade de ir, peguei e fui. Sabia que iria CONHECER GENTE pelo caminho, o que de fato aconteceu, e alguns deles até se tornaram meus companheiros de carona por algum tempo. Viajar é que nem viver, se formos ESPERAR todo mundo ao nosso redor estar na MESMA SINTONIA para os sonhos acontecerem, vixe … estamos ferrados! Melhor ir seguindo nosso caminho, que o que precisamos aparece (se voce tiver pique para ficar duas horas esperando por uma carona com o sol e o vento queimando sua cara, claro). No mais, acho que sempre fui meio INDEPENDENTE. Sempre estudei em escolas públicas, de qualidade duvidosa, e não ficava esperando o professor e o ambiente perfeito para estudar. Pegava os livros emprestados e me trancava na biblioteca. Foi assim que passei na USP.”

Quais dificuldades você encontrou nas viagens por ser mulher?

“As dificuldades que encontro todos os dias pelo fato de ser mulher: aquelas cantadas nada a ver, gringo achando que brasileira = puta, homens achando que estão na posição de te pedir favores sexuais em troca de ajuda (principalmente no Brasil). Mas o MACHISMO é isso, né, fica o tempo inteiro tentando te empurrar para os espaços que criou para a mulher. Se a gente nao RESISTIR e ocupar os espacos que bem quisermos … de novo, estamos ferradas! Mas é um saco ter que ficar lutando o tempo inteiro e cansa para caramba. Por isso acho legal quando arrumo um companheiro ou companheira de viagem. O assédio diminui consideravelmete. A parte boa é que esses problemas são mais exceção do que regra na maior parte dos 60 paises por onde passei. Já no BRASIL, por onde estive viajando na primeira metade deste ano, é o tempo inteiro!”

Quais conquistas pessoais e sociais você pensa que ganhou com as viagens?

Então, eu viajo de carona desde criança com minha mãe, entao viajar é um pouco misturado com minha identidade. De todo jeito, diria que viajar ME FAZ HUMILDE e me traz muito, mas muito CONHECIMENTO, principalmente quando estou em paises muito diferentes para mim, como a Índia. Tambem acho que viajar dessa forma meio roots aumentou exponencialmente meu senso de RESPONSABILIDADE. Passei fome, frio, sede, fiquei doente sozinha, dormi na rua, fui furtada, etc. Se eu pensar que isso faz de mim uma super-heroína, um ser iluminado é porque sou arrogante e não aprendi tanto assim na estrada. Experiências tão fortes como essa só podem fazer de mim MAIS HUMANA, alguém que sabe empiricamente o que acontece na cabeça, no corpo de quem é privado de necessidades básicas e que tem, diariamente, sua dignidade ferida – como grande fatia do mundo.

É engraçado isso, mas os mochilões me ensinaram que eles não podem ser para sempre. Não para mim. Eles são parte da caminhada, uma importante parte, porque normalmente te levam a PENSAR FORA DA CAIXA e revelam coisas incríveis. Mas, ainda precisamos arregaçar as manguinhas e construir muitas mudanças – e reconhecer o trabalho de quem construiu o que nossa geração tem hoje. Seria muito fácil passar a vida entre cachoeiras e praias paradisíacas (mesmo porque adoro curtir a vida), mas egoísta da minha parte. E a verdade é que estou na estrada, na vida, mais pelos desafios (leia-se oportunidades de aprendizado) que ela me proporciona, do que para atingir uma situação de conforto pleno.”

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 Fotos de Kivia da Índia, Bósnia e Egito

Muitas pessoas têm medo de viajar sozinhas, especialmente mulheres, como você enxerga isso?

“É realmente difícil para mim opinar sobre esse medo de fazer as coisas sozinha. É meio irracional, não consigo entender. Okey, o medo enquanto instinto serve como uma trava de segurança, nos faz pensar algumas vezes antes de fazer besteira, nos deixa alertas. Excelente! Agora deixar de fazer o que queremos, de ser quem somos, só porque não estamos com a galera? Mas a gente não veio a este mundo sozinho e vai sair dele do mesmo jeito? Não é essa a condição humana? Então, por que o medo de DESGARRAR-SE DA MANADA? Realmente, não entendo…”

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Kivia também lançou a ideia de fazer workshops para orientar viajantes por meio de seus conhecimentos de mundo, dos lugares que conheceu. Por Skype mesmo é possível montar um plano de viagem com ela:

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Mais seleções de fotos a partir do facebook Kiviagem:

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