assint luana

Essa semana li matérias em que associei pontos comuns num olhar social sobre família e sexualidade humana. Gostaria de deixar a reflexão e esclarecer porquê comparei os casos.

Casal de transgêneros dá à luz um filho em Porto Alegre Félix Zucco/Agencia RBS

Foto: Helena e Anderson com seu filho Gregório

Acima a foto da primeira família, o casal de transgêneros Anderson e Helena que tiveram um bebê, um tipo de relação que causa curiosidade e diversos preconceitos segundo o relato deles na matéria ao jornal Zero Horaa exemplo de um senhor que comentou no ônibus para Anderson “como pode uma machorra grávida?!”. Sim, ele ficou grávido! Ambos nasceram com um sexo biológico, mas ao crescerem sentiram-se como sendo do sexo oposto, assumiram e ainda encontraram um amor que vive a mesma realidade. Então, o nascimento de Gregório fortaleceu esse laço familiar, gravidez que nunca confundiu a percepção sexual de Anderson, “Eu gerei o Gregório, mas sou o pai. A mãe é a Helena. Vamos explicar isso para ele quando crescer.”. E assim, eles têm identidades bem resolvidas e vivem felizes em família, mas normalmente tem de explicar as pessoas como são, por isso até se surpreenderam positivamente com o tratamento gentil e sem questionamentos que tiveram no Hospital Fêmina de Porto Alegre no parto de Gregório: “Nossos funcionários são capacitados para acolher bem, seja qual for o gênero. Com novas constituições do conceito de FAMÍLIA, a sociedade tem de estar preparada, e o hospital também”, disse Silvana Flores a assessora do Hospital.

Foto: Max e seus pais Martin e Lisa

A outra família na foto acima, os pais Lisa e Martin, são uns dos pioneiros na Grã-Bretanha que evitam métodos parentais tradicionais na criação do seu filho Max. Na reportagem ao Jornal Ciência, Lisa diz que não quer criar seu filho em uma “caixa”, ou seja, seguindo pré-determinações de comportamentos de gêneros femininos e masculinos, que a sociedade impõe limitando personalidades e gerando discriminações sexistas. Eles adotam uma postura considerada radical, eu diria revolucionária, que traz o questionamento fundamental entre sexualidade e apropriação de gênero a cores, brinquedos e roupas que comumente vemos em lojas infantis e na educação de famílias tradicionais.

Foto: Max e sua mãe Lisa brincando

O pai Martin brinca com seu filho de boneca e de carrinhos, eles deixam ele ser quem ele quiser, explorar as possibilidades de ser criança, vestir-se como preferir e não se preocupam com olhares e comentários preconceituosos, “eu sei que algumas pessoas vão pensar que ele vai ser gay, mas e daí se ele quiser? Não importa se ele é homossexual, bissexual, transexual ou assexuado(…) Eu vou deixar os meus filhos decidirem por si mesmos o que eles querem ser, afirmando que o método parental de educação não influencia na sexualidade de uma criança. Concordo com tal pensamento, pois acredito que a pessoa vai formando uma identidade sexual conforme cresce, ao longo da vida vai se reconhecendo como mulher ou homem e as vezes isso não é coerente com o sexo biológico. É natural, parte da diversidade sexual humana que a imposição social cisnormativa distorce, oprimindo muitos homossexuais e transgêneros, por exemplo. Nesse contexto há diversos mitos de pais gays, como “Os filhos serão gays!”, “Eles precisam da figura de um pai e de uma mãe”, “As crianças terão problemas psicológicos por causa do preconceito!”, “Essas crianças correm risco de sofrer abusos sexuais!” (leitura da Super Interessante que vale a pena).

max brincando

Fotos: Max brincando

Lisa acredita que essa neutralidade na criação de Max o tornará um homem melhor, desconstruindo estereótipos de gêneros que naturalizam, por exemplo, a ideia de que homens são agressivos e sexualmente ativos como um fundamento genético, orgânico. Conceito nocivo formado por uma mentalidade social machista amplamente repassada as crianças e jovens. Noção que está intimamente ligada a cultura do estupro, assunto que ao pesquisar, “Lisa chegou à conclusão de que os estereótipos de gênero eram os grandes culpados pela agressão sexual.” Por isso, a mãe acredita que Max vivenciando tudo que é convencionado como feminino e masculino irá fundamentar melhor seus ideais de vida, “será salvo de uma existência misógina e ganhará uma compreensão mais profunda sobre as mulheres.” 

Ambas as histórias demonstram a pluralidade de composições familiares, que na verdade sempre existiram, mas atualmente ganham maior visibilidade, as pessoas são mais livres, embora ainda haja violência contra o que é controverso às críticas conservadoras. Essas além de serem homofóbicas e machistas esquecem que também são formas de família, por exemplo, crianças criadas por avós, tios, pais adotivos, inclusive casais de gays e lésbicas, que igualmente ao raro casal transgênero citado acima, sofrem infinitos questionamentos e discriminações crueis. Famílias constituídas com pais e mães homoafetivos frequentemente têm a vida invadida por opiniões de estranhos, assim como a atriz Ana Karolina Lannes que teve de superar inúmeros comentários sobre seus pais gays.

Foto: Ana Karolina Lannes e seus dois pais

 

Enfim, todos esses são exemplos para além de família “padrão comercial de margarina”, heteronormativa, evidenciando que o importante na educação de uma criança é a estabilidade emocional: afeto, diálogo, ensinar limites e respeito aos outros e sobretudo dar liberdade de autoexpressão a meninos e meninas sem limites sexistas bipartindo a vida em azul e rosa, “coisa de macho, coisa de mocinha”. Conceitos retrógrados, que certamente podem ser amenizados com educações imparciais como a de Max, exemplo citado acima, em que seus pais Lisa e Martin diversificam sua educação, possibilitando ele ser autêntico independente de estereótipos de gênero.


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