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Sabe aquele padrão de beleza, que é aparentemente aceito pela sociedade?! Ele não existe! Aliás, existe como uma construção social discriminativa que impõe diversos padrões na mentalidade coletiva, por modismos ou costumes tradicionais, mas em essência não existe, são apenas convenções, invenções falhas e muitas vezes crueis. É truculento porque as pessoas absorvem facilmente e sem questionar o que é previamente decretado antes mesmos delas nascerem, quando por exemplo, “decidem” que ter pneuzinho na barriga é feio, que ficar careca é feio, que mulher grávida não pode engordar e nem ficar flácida depois do parto, que “tem que” lipo aspirar a barriga. É hora das mulheres libertarem-se de neuroses com seus tipos físicos, das pessoas no geral não se deixarem pressionar e comparar por padrões externos e sentirem-se tão mal por serem como são.

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 Alimente sua barriguinha de amor próprio, magrinha, malhada ou redondinha! 😀

Ainda, meninas relativamente magras também têm diversos transtornos alimentares e passam a adolescência em busca da magreza que modelos de passarela exibem. Parece uma ideia surreal de tão incoerente, mas infelizmente é presente em muitas culturas, inclusive há mulheres de todas as idades com complexos visuais infinitos. Exemplos que mostram a amplitude e gravidade desse assunto são vistos no programa de TV do canal H&H, Trocando os Pratos, em que participantes super magros e outros super gordos trocam experiências e buscam superar angústias e doenças. Há pessoas que comem demais ou de menos devido à depressão, ansiedade e também porque acreditam que devem se encaixar em padrões estéticos impostos na mídia, entre outros traumas, como mulheres desdenhadas pelo cônjuge e por familiares devido a forma física, vivendo para agradar os outro, tendo a autoestima esmagada.  

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A prova de que tais padrões são convenções culturais está na história, notamos que em épocas antigas o bonito era mulher curvilínea, bem longe de ser magra, em outros tempos ser gordo era sinônimo de fartura e classe social abastada. Muitos homens também sentem-se pressionados com a ditadura da magreza que vivemos, mas sobretudo mulheres, que sempre foram alvo de críticas estéticas em detrimento do seu valor intelecto e humano. E o pior é que isso tudo começa na infância, o que ganhou nome de bulliyng, praticado na escola, na faculdade, na roda de amigos e familiares, no ambiente profissional e em todos outros. Quem sofre bulliyng pode ter a autoestima devastada, é difícil reagir firmemente contra apelidos e atitudes ofensivas por causa da aparência quando não se tem maturidade suficiente.

E tais costumes de ridicularizar os outros com tom de brincadeira continuam na vida adulta pois provavelmente ninguém sofreu do próprio veneno e, por exemplo, como a maioria não pensam no motivo das modelos de passarela e revistas serem tão magras. Elas têm um biotipo incomum, super altas e super magras, são “super models”, é um segmento de mercado exclusivo, porque padroniza a profissão de modelo para homens e mulheres que têm visibilidade mundial e influenciam quem usa roupas, ou seja, todo mundo talvez. Lojas que se adaptam a essa restrita numeração corporal são capazes de detonar auto-imagens no espelho dos provadores.

Esse tipo de beleza não é melhor do que nenhum outro, não é para todas, nem deve ser, porque somos todos diferentes em corpos e hábitos, é a riqueza maior com potencial de fazer cada um especial. Não é porque gosto de malhar que serei magra, tampouco se gosto de comer frituras e doces serei gorda, o que significa que havendo saúde é o que importa. Por isso, apoio destacar a diversidade corporal também no mundo fashion, como modelos plus size. Muitos criticam esse termo, mas o fato é que foi dado visibilidade as distintas belezas que existem, as quais podem igualmente se mostrar na mídia e desfilar moda, ditar tendências. A moda se tornou menos cínica assim e mais abrangente conforme as “mulheres reais“.

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Tess Munster, modelo ícone puls size nos Estados Unidos

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Robyn Lawley, modelo australiana ícone mundial como mulher plus size

A percepção de bonito e feio nesse contexto estético é subjetivo e temporal, depende da moda do momento, da cultura e principalmente do olhar individual. Por isso, é importante relativizar o que é considerado bonito/normal ou feio/estranho em concepções sociais, especialmente na mídia, em que sabemos que há bastante manipulação de photoshop em fotos de celebridades e mesmo assim muitos esquecem que a realidade é outra. Na vida real muitas pessoas, inclusive estrelas de tv e cinema têm marcas de expressão no rosto (surprise), têm rugas, têm celulite no bumbum e gordurinhas localizadas, estrias, flacidez, manchas e dentes amarelados. Essas e outras características podem ser bizarras para muitos olhares que se acostumaram a aceitar tacitamente o que é imposto pelo entorno de influências sociais, mas são absolutamente normais e tornam cada pessoa única, natural e autêntica, basta ter boa autoestima que todos “defeitos” estéticos somem, não é?! Autoconfiança que demonstra a ínfima importância que existe nos detalhes corporais, os quais valorizamos demasiadamente em razão de exemplos externos. 

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 Kate Upton, modelo norte americana famosa por quebrar tabus na passarela

Sabemos que há diversos tratamentos estéticos que amenizam tudo isso, uma parcela de modificações que os seres humanos adoram fazer como tatuagem, maquiagem definitiva, lipo aspiração, implantes de silicone, hipertrofia muscular, clareamento dental, aplicação de brincos e piercings, cortes e tinturas capilares, bronzeamento artificial, depilações, etc. Mudanças que podem causar exageros e transtornos psicológicos, por isso o ideal seria percebê-las como uma vontade pessoal consciente a fim de manter um equilíbrio e valorizar pessoas além de aparências moldadas. Corpo e mente devem estar harmonizados, então se tenho um propósito para enfrentar tais mudanças, ok, se ao mesmo tempo também sei que meu valor como pessoa não está nisso, assim como todos não deveriam ser julgados pela cor de pele, tipo de cabelo, corpo magro, gordo ou coberto por tatuagens. São fatores aparentes que deveriam apenas diferenciar positivamente os indivíduos, pois criam estilos pessoais e hábitos culturais.

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  Winnie Harlow, sucesso mundial é a primeira modelo com vitiligo

No fim das contas, pensamos que todos transtornos alimenatres e de reflexo no espelho são associados a baixa autoestima, mas isso é diretamente influenciado pela ditadura da beleza social, tão fugaz como o tempo que perdemos ao super valorizar a aparência alheia e a própria. O primordial ainda é o acompanhamento médico, nutricional e psicológico para prevenir ou tratar transtornos assim. Pois entre a auto-sabotagem e o narcisismo existe o leve e charmoso amor prório que devemos cultivar, esse sim está sempre em alta, é atemporal e sustenta uma pessoa feliz.

Fico incomodada só de pensar que posso ser alguém padrão, gosto da diversidade, da integração, dos diferentes misturados, em uma harmonia que confere a graça de tudo. Independente do que sou, adoro mudanças, admiro quem muda sem medo, quem se aceita e respeita o outro como ele é, estimulando a autenticidade individual. Essa postura afeta positivamente o meio social, formando uma mentalidade cultural empoderada, principalmente entre mulheres, em que o poder está na percepção da divesidade como algo positivo e se aceitar/amar, (re)conhecer sua identidade singular.

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