assint luana

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O filme Azul a Cor Mais Quente (do título original “La vie d’Adèle”), uma romance e drama francês lançado em dezembro de 2013 há poucos meses criou visibilidade no Brasil e provocou muitas críticas (assista o trailer). Foi considerada a cor mais quente e machista, o romance mais quente e existencialista, enredo que é questionado em muitos pontos. Eu assisti para tirar a prova e percebi que sim, ele é quente, intrigante e polêmico quando analisado. o Romance trata-se do envolvimento amoroso de duas jovens, Adèle de 17 anos que está terminando o colégio e decide trabalhar como professora de séries iniciais e se vê confusa em dúvida de sua preferência heterossexual ao conhecer Emma, estudante de Belas Artes, pouco mais velha e já segura de sua sexualidade e profissão. Ambas se apaixonaram quase instantaneamente ao se conhecerem, talvez exatamente pela ideia de se envolver com alguém diferente, a enigmática e sedutora curiosidade. As jovens são intelectuais sensíveis e amantes de filosofia, Adèle amante da literatura, Emma amante das artes. E não é à toa que aparece citações do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre no filme a partir delas como, “em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define” afirmação existencialista que talvez deina Adèle e norteie o desenvolvimento da trama. 

Uma das críticas sobre machismo no filme é que foi roteirizado por um homem, para adaptar a obra original de uma mulher pois é inspirado no quadrinho de Julie Maroh “Le bleu est une couleur chaude“, lançado em 2010 e ainda é encenado por protagonistas heterossexuais na vida real que nunca haviam feito tal papel de relacionamento lésbico, por isso muitas mulheres não sentiram-se representadas na construção do filme, devido a cena de sexo explícito que durou quase 10 minutos e todo o resto vividos por elas. Intimidade que mais pareceu um deleite para o imaginário erotizado masculino segundo a percepção de muitas lésbicas. É possível perceber uma clara separação de papéis sociais entre as duas como casal, em que Emma se torna o homem da relação que gosta de ter o poder sobre Adèle, a típica mulher que submete-se às vontades de sua parcera e ainda é subjulgada por escolher ser “a professorinha” que ganha salário menor do que a artista Emma e ainda revela o espírito maternal que a encanta por crianças, um estereótipo de papel feminino.

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O interessante no início da aproximação das duas foi a delatação do preconceito homofóbico cruel que Adèle sofre no colégio por suas colegas suspeitarem que ela gosta de uma menina, o que ao assumir a fez esconder explicitamente dos pais e amigos no início. Ao contrário, Emma a exibia como uma troféu, musa inspiradora de suas pinturas e a incluía em seus círculos de amizade. Ao longo da história o relacionamento tem crises de monotonia e carência por parte de Adèle e independente de gêneros mostra como pode haver ciúmes e traição também em casais homossexuais, o que para muitos é um mito, assim como o sexo, como seriam mais carinhosas e compreensíveis as mulheres ao namorarem. Adéle trai Emma com um homem, o que torna mais imperdoável ainda a traição e impossibilita qualquer tentativa de reconciliação, pois Emma acaba com o orgulho ferido e o coração partido. Nesse contexto percebe-se a clara conotação sexual do filme, em que Adéle cede aos próprios desejos mais instintivos e inocentes ao mesmo tempo, a todo momento autêntica, sem culpa embora receiosa pelo enfrentamento da discriminação por usa nova opção sexual e o olhar envergonhado de sua família em um primeiro momento. Aliás esse é o tipo de gosto que se opta? Caso uma pessoa seja bissexual como a personagem demosntra ter a tendência, seria possível optar, caso contrário ela apenas teria se descoberto, nasceu com essa vontade maior que não pode ser eletiva, assim como o amor.

O ambiente familiar das meninas propõe hábitos sofisticados de família moderna com a mãe de Emma e o namorado comendo ostras, tomando vinhos, em que o homem cozinha e na casa de Adéle existe o ar de família tradicional e simples, com seus pais comendo macarrão feito pela mãe. Pode parecer bobagem, mas não acredito que foi uma construção sem propósito, de gêneros e realidades econômicas, que geralmente lidam com a diversidade sexual de maneira diferente, mesmo não sendo o foco do filme.

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O tema central está ao redor de Adéle, uma mulher se descobrindo na vida, em sentimentos, desejos, fraquezas e superações, reinventando seu mundo, mas ainda com medo de abrir as asas como Emma, ou talvez apenas uma personalidade mais introspectiva. Ela se constrói como ser social e humano exemplificando a não existência de uma essência, desvelando o que aprendeu em uma criação conservadora, que apenas poderia sentir atração e prazer pelo sexo oposto, por exemplo. Uma ilustração da complexidade de gêneros que existe no mundo em que vivemos e muitos não respeitam e não entendem. É nítida e distoante a atração que Adèle demonstrava por seus namorados antes de sentir algo totalmente novo e intenso ao conhecer Emma, uma fixação em sua vida, o tom azul que permeava todas as cenas em detalhes além do cabelo da atriz. Ao fim do filme quando elas não estão mais juntas e Emma tem outra parceira, seu cabelo volta a ser loiro, uma analogia de cor que junto a fotografia e técnicas de filmagem cinematográfica, muito com ênfase na boca das pessoas e no close, criando um sensualidade ímpar à obra.

Assista vídeos sobre o filme:

entrevista com a atriz Adèle Exarchopoulos

> o amor lésbico surpreende Cannes, com entrevista do Diretor Abdellatif Kechiche

> Reação de lésbicas ao assistir cenas de sexo entre Adèle e Emma no filme


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