assint luana

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O que poderia ter em comum a mulher e a cerveja?! Eu diria que ambas tiveram e infeliz coincidência gramatical de serem substantivos femininos. De resto, uma é pessoa, outra é coisa, uma bebeida que inclusive muitas mulheres adoram consumir. Mas a infelicidade nesse contexto social fica por conta mesmo da cultura machista que se estende à mídia e publicidades de cerveja, que no Brasil há exemplos toscos de comparação objetificada da mulher junto a cerveja, como se ambas fossem apenas fonte de consumo e prazer masculino, de pura conotação sexual. Eles ainda não descobriram que além de sexo, boas ideias também vendem. 😉

Pessoas que prezam pelo respeito e pela saúde intelectual eventualmente são obrigados a assistirem campanha publicitárias grotescas, como em 2015 em que já vimos circulando em diversas mídias as marcas Skol e Itaipava dando show de ignorância e machismo. Há público para isso? Claro, tem gente que acha lindo, que compra sem pensar no que eles oferecem, mas tem gente que entende claramente e aprova, machista de carteira assinada. Pois essas marcas oferecem poluição visual, agressão ideológica, desrespeito ao corpo feminino, bem como ao seu valor como ser humano. Empresas que junto a suas agências de publicidade cegas pelo lucro a qualquer preço, não agregam valor algum ao produto que vendem, a cerveja, detonam sua imagem frente ao gigantesco público consumidor feminino e demonstram uma falta de criatividade que despensa comentários. Uma representação social nociva com alcance em massa quando exposta na mídia por grandes marcas, mas certamente uma demanda a ser questionada e exterminada.

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Ativistas fazem intervenção bem-humorada em cartazes da Skol, que induziam a violência sexual em plena época de carnaval, quando esses índices são alarmantes – Leia mais.

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Após a repercussão negativa a Skol lançou nova campanha para se retratar, com o incentivo de respeito na paquera – Leia mais

É importante destacar a grande diferença entre garoto (a) propaganda com a função de humanizar a apresentação de um produto ou serviço, e garota propaganda na leitura dessas marcas de cerveja acima que as tratam como objetos de consumo. Muitas marcas apelam para a sensualidade na exposição dos modelos como na moda, o que exige uma produção digna também, mas se torna mais coerente porque a pessoa veste no corpo o produto anunciado, algo bem distante de cerveja.

Há quem sinta-se representado ou não sinta-se incomodado com tais divulgações, penso que esses não conhecem o valor de uma mulher, tampouco de uma boa cerveja, em conceito e sabor. C o n c e i t o, foi nesse quesito que essas marcas caíram para mim, nem se fosse produtos de alta qualidade, o que não é o caso, não consumiria. Mas o mais triste, é que sabemos que há um forte sistema capitalista que mantém tais publicidades machistas, indústria repleta de interesses que mesmo quando denunciada é abrandada em acusação, como no caso recente em que o “Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) recomendou que a Itaipava retire um cartaz publicitário de circulação por considerar que houve apelo excessivo à sensualidade.” (foto abaixo), confira a matéria aqui.  SENSUAL DEMAIS?? Novo sinônimo para MACHISTA.

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Mas para a salvação da sociedade e das marcas, há cervejas que sabem fazer publicidade de seus produtos, criam conceitos interessantes e imagens associadas ao que são, bebidas. Falam sobre o sabor, o diferencial de sua história e tradição, do paladar, do fato que beber cerveja reuni as pessoas, que é feita para ser degustada e acompanhar bons momentos da vida. Veja exemplos de vídeos da Heineken, Budweiser e Bohemia (a mais legal), além das imagens abaixo. Lindo e inteligente, né?!

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