assint luana

se dar o respeito

Fiz esse post acima há algum tempo, motivada por situações reais de relacionamentos abusivos que ocorrem a todo momento, em diversas culturas e na maioria das vezes as vítimas não percebem o que sofrem. O vídeo Não Tira o Batom Vermelho também já postei pois aborda essa questão pesada, de maneira simples e descontraída. Mulheres maravilhosas, inteligentes e independentes também podem cair nessa armadilha do amor-posse, na verdade existe abuso entre todos os tipos de casais, a pessoa que viola a integridade física e mental do cônjuge não está associado a gêneros, mas nesse post trato da maior porcentagem em relações abusivas, de homem  para mulher, o que muitas vezes resulta em estupros e espancamentos, não é à toa que a Lei Maria da Penha foi criada.

O que isso tudo tem a ver com mulher se dar o respeito? Tudo, pois o respeito ao corpo alheio e as escolhas do outro em uma sociedade é essencial, o que milhares de vezes não acontece por isso vemos relações amorosas em que um “monta com cabresto” na vida do outro. Também vemos estupros violentos e outros disfarçados dentro de casa mesmo, sem o  c o n s e n t i m e n t o  total algumas mulheres tem relações sexuais sem vontade alguma, há mulheres que têm medo (oi??) de perder o parceiro caso não estiver sempre disposta para o sexo, mas quem disse que deve estar?! Não é questão de obrigação e sim de cumplicidade, conversa e compreensão, meio óbvio, mas né!!! Outro exemplo é a roupa de uma mulher ser sempre questionada e servir de insígnia de juízos de valor moral, além de render “elogios” desnecessários / assédios. Também há opressões quando se referem a uma mulher como louca, estérica ou desvairada, uma concepção histórica para adjetivar mulheres que se expressam livremente:

  • “Você está maluca – isso nunca aconteceu”.
  • “Tem certeza? A sua memória é meio ruim”.
  • “Está tudo na sua cabeça”.

“Seu parceiro diz muito coisas desse tipo a você? Você se questiona sobre o que é realmente verdade – ou até mesmo sua própria sanidade – frequentemente no seu relacionamento?” Isso é Gaslighting (recomendo a leitura desse breve artigo). 😉

DAR-SE O RESPEITO, um valor de juízo individual que somente a própria consciência pode saber e avaliar! Dizer que uma mulher sofre assédio moral e sexual ou é estuprada porque não se deu o respeito é falsa simetria, igual a dizer que o sujeito levou um tiro na cabeça e a culpa é dele porque andava num lugar perigoso. Culpabilização da vítima, isso deve ter fim!

Mulheres têm que se dar o respeito? Não, não têm. Os outros que devem dar respeito ao espaço de uma mulher, ao seu corpo, pensamentos e atitudes. Desobjetificar e dessexualizar a imagem feminina, isso que precisamos, já! “Putas ou santas” todas merecem respeito, nuas ou de burca. Ensinemos os meninos a respeitarem o corpo e as ideias alheias, não as meninas a se comportarem como “mocinhas”, por um mundo menos violento, de mais respeito entre gêneros, com direitos sociais e humanos não sexistas.

Homens não são cruelmente julgados ao andar sem camisa, ao ter 58.392 relacionamentos casuais, por que mulher deve ser apedrejada por isso?! Em culturas religiosas orientais isso acontece de verdade até hoje, adultério feminino equivale a morte, do contrário homens nada sofrem, traem tranquilamente. Então, repensar os conceitos é a grande dica para quem acredita que mulher com muitos namorados e que veste roupas curtas pede para ser assediada e chamada de puta. Aliás, puta não é xingamento, é apenas uma desespero primitivo de ofender uma mulher, como se prostitutas fossem inferiores em inteligência e caráter. Isso ainda(!) acontece muito com mulheres tatuadas também, pensamento incoerente e discriminativo, que além de violar a dignidade da mulher apontada, também profana o bom senso, o respeito e a educação de quem agride. Moralismo conservador que precisa ser deixado lá no passado, desconstruído e eliminado sempre que vier à tona. 😉

Na rua, em entrevistas de emprego, no atendimento ao público no trabalho, entre colegas de trabalho, com o professor de ginástica. Em todo lugar existe assédio, em diferentes níveis de violência física e psicológica, mas igualmente desrespeitosos. Só quem sente na pele compreende isso, mas todos podem lutar contra o machismo, fonte disso tudo. Um homem nunca foi constrangido, humilhado e coagido pelo fato de ser homem. Uma mulher sofre isso o tempo todo. Pense nisso!

artigo_porquesoufeminista_Seja livre! Mesmo se doando por amor, toda relação amorosa tem o limite da individualidade, é amor próprio sobretudo, não egoísmo. Deixe ser livre também, a interferência na vida alheia deve ser refletida, conselhos, comentários e imposições agridem e limitam o espaço do outro de pensar e viver como manda a sua liberdade como um direito humano e social. 

 


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