assint luana

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Interferência do amor

Um grande castelo de vidro, uma grande miragem no deserto, assim se torna o amor romântico para muita gente. Ilusões e desilusões que aliás podem ocorrer em todo tipo de relacionamento com laços de amor, não só o romântico de casais apaixonados. Amor de relações humanas que nos envolvem desde que nascemos, através da família, dos amigos, dos namoros, etc. Sempre esperamos mesmo que inconscientemente uma recíproca quando gostamos e confiamos em uma pessoa, por isso acredito que o famoso amor incondicional “no fundo” quer o mínimo de reconhecimento, de gratidão e de apoio. Essa premissa talvez seja a princial razão para no margoarmos tanto quando a ofensa ou traição vem de alguém que amamos. É a essência do ditado pertinente “só se importa é porque gosta”, onde não existe amor não há mágoas e discussões, e sim indiferença, esquecimento rápido do sofrimento e da pessoa.

A falácia do amor está no apego emocional exagerado, que projeta a felicidade em outro ser, enquanto a resolução de estar ou não feliz deve vir de si, para então permiter-se amar o outro, com respeito mútuo de individualidades. Diferente de individualismo que remete a egoísmo, manter a individualidade em uma relação afetiva, namoro ou entre membros da família, é manter a autenticidade, ser e agir conforme a própria vontade sem inteferências críticas externas. Claro, quem ama cuida, mas aconselhar, prevenir e conversar, mesmo sendo influências, quando são democráticas e sinceras dão opção de escolha ao ouvinte, não limita, não poda os sonhos e vontades alheias. Afeto nos afeta, portanto, cuidemos a medida disso.

Assim deveria ser, mas as vezes há excesso de amor, de apego, de sentimento de posse sobre o outro. Relacionamento abusivo ou gaslighting é nome dado a comportamentos que anulam o cônjuge, geralmente mulheres são oprimidas nesse contexto. E em todas formas de amar, devemos cuidar a linha tênue entre o abraço que protege e o que sufoca, as interferências no corpo, nas roupas, nas escolhas profissionais, no estilo de vida do outro. Porque na maioria das vezes são medos e preconceitos de um que acaba sendo imposto ao outro. Isso exige reação de um lado para dizer “não obrigada eu que sei da minha vida” e compreensão de outro a fim de perceber que passou do limite. Será que liberdade combina com amor?! Não sei, proponho a reflexão, mas é sabido que alguém sempre tem que ceder e isso não é de todo ruim, trabalha a compreensão e altruísmo. Eu disse ceder, não ser “montado” com cabresto.

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A expectativa do amor

Quando criamos grande expectativas nos outros, sendo filho(a), mãe, pai, conjugês ou até mesmo numa grande amizade, invariavelmente damos com a cara na porta, caimos de boca no chão. São apenas momentos que nos frustam, alguns relativamente importantes ou nem tanto, algo previsível já que torcer que o outro corresponda os seus desejos, é receita para a desilusão, cansaço emocional e cizatrizes recorrentes no coração. Aliás, o seu coração é bombeado apenas pelo seu sangue, então, se você esperar pela felicidade pensando na pró-atividade do outro, capaz do coração parar de bater. Longe de ser pessimismo, esse é um pensamento filosófico do que vivenciamos e vemos acontecer no entorno. União, amor e felicidade, algo que sempre acreditamos estar num saco, um pó mágico que jogamos sobre nossas vidas, em ideologias, família e amores que encontramos pelo caminho. Entretanto, esse trio não depende necessariamente um do outro para existir, pode haver união de forças sem amor com apenas um grande objetivo, pode haver amor sem grande união nem felicidade – típico exemplo de famílias que não se falam há anos ou brigam a todo momento, mas se amam.

Amar sem discordar é fácil, sem passar por dificuldades também. Não é à toa que muitas lutas e perdas aproximam pessoas no mundo inteiro, tem amor associado a isso, ideológico ou emocional. Por isso tatuamos na pele o amor, mudamos os planos por amor, o declaramos tanto, algumas atitudes inclusive distorcem o sentido do amor, mas ainda são causadas por esse sentimento poderoso misturados a possessão. Assim, também é nos casamentos e cotidianos familiares, laços de amor estreitados e fortalecidos por situações adversas, desde perda de diálogo (brigas) até perda de entes queridos. Conversar e chegar num consenso com quem se ama é importante mesmo entre ideais divergentes, mantendo o respeito em meio a diferentes personalidades e visões de mundo. Caso contrário, o amor vai morrendo se há submissão, se alguém é silenciado, ignorado ou coagido, pois afinal, um ambiente de amor pressupoem que exista harmonia e confiança, algo cultivado por toda vida, assim como o respeito e admiração.

O amor machuca, dói em grande proporção, porque justamente é bom demais para ser vivido sem consequências opostas, e a intensidade da magia e conforto emocional que o amor traz é igualmente forte com a que é tirado de nós. Um preço a pagar talvez, por esse sentimento considerado por muitos uma fraqueza humana, onde o calo dói, onde dá-se a própria vida pelo outro se for preciso, em contraponto é uma grandeza humana que exige coragem para se doar. Com propriedade afirmo, o amor é uma falácia, um ledo engano em certos aspectos, visto que pode ser sonho e pesadelo, é bom ter a consciência disso apesar de exaltar o lado positivo disso com orgulho e bons motivos.

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