assint luana

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Bem-estar da Pós-Modernidade

Não querendo contrariar o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, mas gostaria de pensar no lado positivo da liquidez pós-moderna que vivemos desde 90’s. Ser mais livre do que nunca para escolher o próprio destino, abrindo inúmeras portas de oportunidades, certamente pode deixar muita gente indecisa e insegura ou até confusa. É aí que pensamos, o que fazer com tanta liberdade? A tecnologia rompeu qualquer barreira geográfica de comunicação global, também inventou um mundo paralelo virtual do qual muito vivem mergulhados. E o fato é que as escolhas se tornaram múltiplas, possibilitando às pessoas serem polivalentes, em conhecimento e habilidades práticas. Há otimiza esse novo mundo, há quem deprecie e não aproveite, há também quem fique inerte com tamanha dinâmica social, sobretudo há maior chance de mudança.

A fragilidade das relações humanas nesse contexto me parece mais com elasticidade, característica de convivências que se tornaram flexíveis. Isso certamente causa danos emocionais a corações super-sensíveis, entrentanto parece libertador para quem gostaria de explorar o mundo e os próprios potencias, além de não ter uma obrigação social intrínseca de manter relacionamentos falidos. Sim, porque muitos continuam em companhia de outros, amorosas ou empregatícias, por puro apego emocional e de status. A liquidez atual permite escorrer pelo ralo essas carências humanas em sociedade, de  prestígio e de afeto. Tal apego muitas vezes pode ser uma forma de conforto em meio ao trânsito frenético de informação e acontecimentos no mundo, até mesmo de romances, os amores vem e vão sem necessidade alguma de explicação ou remorso. A postura do despreendimento soa frieza para uns e libertação para outros, depende do objetivo. Não ter de estar com quem e onde não há satisfação é uma ótima escolha, um ganho dos tempos atuais ao meu ver.

Tempo que escorre

“Hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos”, diz a canção Tempos Modernos de Jota Quest, e diz a vida para nós também. Temos essa certeza quando olhamos para o relógio, quando assistimos notícias recorrentes e inéditas, quando vivenciamos cada reveillon. E a sensação percebida é sempre de que “não há tempo que volte”, acreditamos ainda no melhor que podemos ser, buscamos paixões, conhecimentos, experiências, permitindo-nos viver a vida antes que termine de escorrer entre os dedos. Fluido vital o qual queremos agarrar como se fosse possível, que valorizamos ao longo do percurso, alguns cedo, outros tarde demais. Uma das poucas certezas nessa história toda é que somos finitos, e por isso viver livremente as próprias escolhas, sem fingimentos ou medos ressentidos e apegados dá sentido a liquidez em que estamos imersos, que desagrupa tudo e também liberta, qualidade inegavelmente melhor do que ser sólido, rígido e perene.

Alguns classificam a pós-modernidade como a simples continuação de eras que o ser humano vem construindo, e mesmo com a mania de rotular tudo, realmente os acontecimentos históricos que nos trouxeram até aqui, como leito de rio que nunca cessa. E antes o que rolava rio abaixo como pedra de gelo, acabou diluindo e  se tornando água que faz a própria rota, desviando  ostáculos e seguindo sempre em frente para descobrir novos horizontes. Ainda há respeito, não me entenda mal, apenas há uma valorização diferente, que está querendo ganhar do tempo que nos devora, e com razão. Nisso, a medida do amor, da tradição, da aventura, do desapego, é algo pessoal, não podendo ser julgada como fragilidade humana, sendo que pode significar uma força e evolução em muitas vidas.

Ávido por vida, assim que é a geração pós-moderna, que ganha cada dia mais adeptos de eras anteriores, pessoas que se diluem, se tornar água de rio, sem Deus que proibi, justiça que coibi ou olhar alheio que inibe. A regras sólidas e moralistas são todas quebradas, o sistema é reinventado, trabalha-se no achar melhor, ama-se quem preferir, autenticamente, não como uma vez ditaram ser certo ou errado, lucrativo ou não, natural ou não. Aliás, submissão é algo a ser evitado no pensamento pós-moderno, que corre, voa, é trem que sai dos trilhos, porque vamos combinar(?) é uma independência como um mergulho em água fresca e corrente. Fodam-se os trilhos, fluidos e destrilhados, somos mais felizes tio Bauman. 😉

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