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Furiosa conquistou mais do que sonhava

Mad Max: Estrada da Fúria  (trailer), um filme que talvez passaria despercebido por mim se não fosse a polêmica que o divulgou ainda mais. Então, fui ao cinema conferir e entender a grande questão, é um filme feminista? Essa é a grande discussão, que feriu muito ego machista da crítica mundial. Pois bem, uma produção Hollywoodiana, dirigida majoritariamente por homens cada vez mais abrindo portas para a “moda feminista”, um tema de mercado em alta e que tem propósito de existir, não apenas como tendência temporária, e sim, como uma revolução social, gradual e constante. 

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O filme se trata de um cenário de ação explosivo, do início ao fim, com perseguição na estrada da fúria, literalmente. Imperatriz Furiosa, a protagonista (Charlize Theron), antes a protegida do governante Immortan Joe, lidera um grupo de mulheres na fuga da Cidadela onde vivem e o carrasco detém o poder sobre a água e sobre as pessoas. Ele é um ditador que massacra a população com a excassez de água, enquanto a terra é fértil, a única fonte de subsistência de uma região rodeada por desertos, o que facilita o aprisionamento dos cidadãos. Há milhares de war boys, garotos de guerra, todos filhos de Immortan Joe com suas dezenas de esposas. Essas mulheres são usadas como prisioneiras que devem servir ele para fins reprodutivos, de fortalecer seu exército gerando novos garotos de guerra.

Protagonismo de gênero e as heroínas

Muitos filmes de ação têm retratado o protagonismo feminino, como fonte de luta e resistência às formas de dominação masculina. Algumas heroínas da ficção são Katniss Everdeen em Jogos Vorazes, Daenerys em Game of Thrones, Viúva Negra em Os Vingadores e Tris Prior em Divergentes, por exemplo. E Mad Max nos apresenta Furiosa como um típica heroína justiceira e generosa, que busca o direito de liberdade para si e para outros. Furiosa traça um plano de fuga improvisado, que coloca em prática quando tem a oportunidade ideal, dirigir uma máquina de guerra. Junto a ela estão as cinco principais noivas de Immortan Joe, que descobre e começa a perseguição explosiva ao comboio. No caminho elas unem forças com aliados do acaso como Max, escravo fugitivo e Nux (um War Boy).

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As cinco noivas (foto acima) são: Toast, a sábia; Angharad, a esplêndida; Cheedo, a frágil; Capable e The Dag. Duas delas estão grávidas e todas têm belezas diferentes e angelicais, surgindo no filme em uma cena de miragem fantástica no deserto, aos olhos de Max, após uma tempestade de areia. O ponto de chegada da fuga é o clã original de Furiosa, as Vuvalinis, comunidade apenas de mulheres. Chegando lá depois de diversos imprevistos, muitas mortes e efeitos de ação eles decepcionam-se pois o antigo clã que localizava-se em vales verdes, não existe mais. Restaram algumas Vulvanis que uniram-se a Furiosa e seus aliados. Após a libertação pensavam em continuar a fuga enfrentando um deserto de sal que parecia infinito, mas com esperança de ter vida nova do outro lado. Foi então que Max motivou todos a voltar e conquistar a terra fértil que deixaram para trás, matar ou morrer por um change real de vida nova, que traria novamente dignidade a todos de Cidadela.

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Percepção social de liberdade e igualdade 

E a estratégia funcionou, na estrada da fúria mais uma vez elas vencem a guerra e conquistam o que tanto desejaram, liberdade e justiça para todos sofredores daquela cidade, além do mérito de poder governar sobre valores políticos femininos. o interessante nesse contexto é que, como destaca Fabiano Camilo: “Furiosa não é uma mulher que precise ser protegida, tampouco uma mulher à espera de um homem que a salve. Max e Furiosa são iguais. O afeto que se constrói entre ambos no decurso dos dias de fuga e combate, é o afeto baseado no reconhecimento do outro como um igual – um igual em intelecto, força, habilidades e coragem.”

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Em uma cena de conflito uma das noivas grita para abrir os olhos de Nux a verdade “então quem matou o mundo?”, fazendo o perceber enfim, que ser leal a Immortan Joe não fazia sentido. Com isso Nux destruiu a ideia de ídolo e percebeu a verdadeira face do pai autoritário perverso e injusto que o persuadiu cegamente junto aos filhos escravizados desde o nascimento. Com isso, Mad Max revela-se um filme feminista, que propõe uma nova chance para um mundo melhor, igualitário, de respeito e fartura de recursos naturais para todos cidadãos.

Representação feminina e as minorias

O filme mostra a resiliência de mulheres que lutam por seus direitos, de liberdade sobre suas escolhas e seus corpos. Ambos os tipos de mulheres se mostram guerreiras, destemidas e incansáveis, Furiosa com diferencial de não ter a metade de um braço, as belas, magrinhas e jovens noivas e as Vuvalinis mais velhas de peles maltratadas pelo sol do deserto. O poder da mulher na trama quebra estereótipos e preconceitos de idade e deficiência física, pois Furiosa com apenas uma mão e suas comparsas grávidas e idosas (mito de fragilidade) vencem a guerra melhor que ninguém. Uma (in)capacidade física desmistificada pela questão de ideal de beleza e perfeição corporal no discurso de Immortan Joe, que busca produzir filhos “perfeitos” para compor seu exército. A ironia está na família ter deficiências físicas, escaras e doenças respiratórias, por isso desejariam perpetuar o poder e uma próxima geração “perfeita”.

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Um filme feminista sim, porque têm mulheres que não permitem mais a submissão ao patriarcado, mas sobretudo porque retrata um modelo social no qual vivemos com a problematização de questões de gêneros junto a todas minorias. Algumas refletidas no filme e defendidas por Furiosa,  centralizando a humanidade dentre as diferença, ávida por direitos equivalentes, segurança e respeito para viver livremente. E que mulher não seguiria Furiosa?! 🙂 Um filme que reforça os ideais feministas, entusiasmante e empoderador com certeza (10 momentos feministas do filme), que você precisa assistir! 😉


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