assint luana

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Trabalho duro e amor incondicional?

Minha mãe é linda, é poderosa, é inteligente, definições básicas de uma mulher que eu admiro, mas de fato sou suspeita para elogiar assim, sou filha coruja. Explico com palavras simplórias cada ponto de admiração. Falo com propriedade, porque convivo há 25 anos com minha mãe e percebo suas forças e fraquezas, valorizando-a como ser humano antes da figura materna. Crítica importante em tempos atuais que ainda existe o pensamento antiquado que toda mulher tem o dom para a maternidade e que toda mãe sabe cuidar de crianças, educar, lavar roupa, cozinhar, trocar fralda e dar banho, como uma atribuição exclusiva e incansável.

Minha mãe e meu pai sempre fizeram de tudo para criar eu e minha irmã da melhor maneira possível, financeiramente e emocionalmente, ambos trabalhavam fora, cuidavam das tarefas domésticas e da nossa educação. Aliás, faziam isso com um prazer e amor notáveis. Essa dedicação os tornaram um paizão e uma mãezona, reflexo de um trabalho cooperativo que envolve muita disciplina, planejamento e amor para fortalecer a família. Com isso aprendemos desde cedo que também devemos cooperar em tudo.

É um desafio imagino, olhando de fora tantas histórias de mães e pais guerreiros, que tiram o foco do próprio umbigo ao terem filhos e batalham para que tudo fique equilibrado. Ao saber que será pai ou mãe é preciso começar a dar o melhor de si, porque você será a maior referência para aqueles novatos no mundo. Nem todos conseguem, mas quando acontece da maneira mais genuína, todos crescem juntos com as crianças, desenvolvendo o altruísmo e a paciência para ensinar, a humildade e a compreensão para aprender com as coisas mais simples da vida, que só vivenciando se dá valor.

Nem por isso devemos somente valorizar a preocupação e zelo dos pais e avós quando nos tornarmos pais e mães ou quando tivermos perdas. Valorizemos aqui agora, com gratidão a tudo que fazem por nós, mesmo achando que muitas vezes há exagero, autoritarismo ou incompreensão. Isso é comum na adolescência, sempre vemos o mundo todo contra nós, especialmente quem mais nos ama e convivemos. É muita insegurança, hormônios, rebeldia descabida. Pediria mais desculpas para minha mãe de fases como essa, de cada palavra mal pensada, de cada tom grosseiro. O trabalho é árduo, mas a satisfação retorna em palavras e atitudes doces, de bom senso e respeito, é bom sempre lembrar disso. Amor é incondicional, mas nem tanto, pois a condição nessa troca é sempre o reconhecimento, nada mais justo acredito.

Conversando a gente se entende e cresce

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Hoje costumo falar tudo, não guardo nada mais como era antigamente, dessa forma há verdades que saem mesmo que doa em alguém, mas também é extremamente útil para gerar conversas dentro de casa, entendimento, compreensão mesmo entre pensamento divergentes. A relação entre minha mãe e eu é um exemplo disso, de como ouvir mais, conversar mais, deixando o ego e o orgulho de lado, o que facilita muito o relacionamento humano. Não é fácil, mas a paz e harmonia do lar quando isso dá certo, não tem preço. Nosso lar é onde o coração está, onde encontramos a nossa paz. Por isso, acredito que se nosso coração está forte, todo o resto é possível.

Aprendi a ser forte com minha mãe, exemplo de pessoa íntegra, honesta e justa, mulher com atitude e autonomia desde cedo, não se importava com padrões sociais, fazia o que tinha vontade e se mantém autêntica até hoje. Procurou estudar, trabalhar e deixar o casamento como questão secundária, o que acabou vindo naturalmente por um amor verdadeiro. Ninguém deve ser sempre forte, a propósito, demonstrar emoção e franquezas requer coragem e traz auto-conhecimento, pois é uma entrega a si. Assim acontece com o amor, requer uma doação do ser, de compartilhar momentos e sentimentos.

Também aprendi com minha mãe quando vi sua fraqueza com a dor da perda e recaídas depressivas sobre a existência. Versões dela que deixou mais claro, ela não é perfeita! Que susto e que alívio. Isso aproximou e fortaleceu nossa amizade, com uma perspectiva ampliada sobre ela. Quanto mais a conheço, mais a admiro, por suas experiências de superação, exemplo de força interior. Assim, desconstruo a imagem divinizada de mãe, que me faz confirmar que ela tem super poderes, para ser o que quiser. Motivação para minha vida. A tirei do pedestal e trouxe para perto de mim, ambiente em que ela sempre me surpreende, sendo companheira, amiga e mãe. A Maria Cleusa que sempre se renova, forte, independente, carinhosa, de sorriso e gargalhada cativantes.