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A culpa é sempre da Mãe?? Freud explica.

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Freud talvez explique quando alguém comenta “essa criatura não pode ter mãe”, de tanta atrocidade que comete, de tão brega que sai, de tanta bobagem que fala, etc. Ou quando algum menino/homem está com roupas em mal estado, também colocam a culpa na mãe/esposa. A dona Amelie Freud pode ter contribuído para que Zigmund Freud tenha sido tão curioso e estudioso, mas o mérito da genialidade certamente foi dele. A mãe do Bolsonaro não tem culpa de ter um filho retardado e cruel, assim como a mãe de Hitler não deve ter se orgulhado do filho.

Culpar as mães é muito cômodo, em comentários conservadores e machistas. Uma explicação psicanalítica resumida desse contexto pode ter base no Complexo de Édipo criado por Freud, que designa o conjunto de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta com relação aos seus pais, os homens sendo atraídos pela mãe e as mulheres sendo atraídas pelo pai.  Isso ocorre durante o estágio fálico do desenvolvimento psicossexual (entre 3 e 6 anos), quando há também a formação do libido e do ego, mas pode se manifestar em idade mais precoce. Nesse momento a criança descobre que passa a ser alvo de várias proibições antes desconhecidas, não podendo mais fazer o que bem entende, a família e a sociedade começam a impor regras, limites e padrões. Além disso, a criança reconhece a distinção entre ela e seus genitores, começando a criar referência sexuais de maior identificação com o pai ou com a mãe, o que definirá um comportamento e visão de mundo para vida toda.

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Tal proximidade demonstra a sexualidade do inconsciente humano da teoria Freudiana, fator que me parece importante a fim de fundamentar porque alguns meninos são tão ligados as mães, fazendo-os parecer ainda com 8 anos, mesmo após os 30. Aqui entramos na problemática de perpetuação do pensamento machista desde cedo, em que a figura paternal sem culpa alguma “assisti e ratifica o comportamento da mãe com o filho”, enquanto o mima/denga/cuida demasiadamente, ou seja, trata com privilégios em relação a criação das filhas.

Não raramente vimos meninas com múltiplas habilidades para cuidar o lar, estudar e ainda brincar, inclusive “limpando a sujeira” dos irmãos, porque os meninos ficam ocupadíssimos com a escola, video game e futebol, um fardo que os impedem, em muitas famílias, de lavar a louça suja que produzem, arrumarem o quarto em que dormem ou levar a cueca até o tão tão distante cesto de roupas sujas. Afinal, mulheres são superiores, nascem mais organizadas e higiênicas, não é?! Não! Tudo se aprende na vida, por isso é de GRANDE relevância que os pequenos sejam ensinados senso de cooperação e direitos não sexistas em uma sociedade, desde a convivência em casa. Dica valiosa na imagem abaixo:

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Caso não aconteça tal ensinamento, o resultado muitas vezes são homens adultos dependentes emocionalmente da mãe e também da mãe para lavar cuecas e roupas sujas em geral, comprar comida e materiais de limpeza, lençóis de cama, entre outras preocupações que até certa idade é saudável uma mãe manter, mas depois que a criança aprende a fazer sozinha, é algo que as torna mães escravas do lar. Esse fenômeno persiste em alguns homens mesmo depois de morarem sozinhos e/ou terem passado pela disciplina do serviço militar, muitos seguem limitados pelos mimos excessivos das mães.

Mãe e a jornada dupla/tripla

Mulheres não têm aptidão “nata” para o lar, tampouco criam uma habilidade divina após tornarem-se mãe. Ter a capacidade de gerar nova vida é um poder especial, biológico que duas pessoas fazem juntas, então a mãe não merece ser divinizada, nem imposta a ter um “instinto” maternal. Então, MÃES e PAIS, não criem filhos sexistas, acreditando que a comida da mãe e da avó é a melhor do mundo, que elas fazem tudo da melhor maneira, “impedindo” que eles possam ajudar em tarefas domésticas. E FILHOS, não deixem que sua mãe e avó façam tudo para vocês, mimos têm limites, saudades se mata de outras maneiras, leve elas para jantar, dê um perfume ou um livro de presente, liberte-as do fogão, da pia e da vassoura. Sim, porque muitas dessas mulheres ainda sentem-se muito contentes de fazer tudo e não ganhar mais do que rosas e beijos carinhosos. Essa tradição patriarcal deve ser rompida, com direitos do lar e da vida nivelados. Reconhecimento e gratidão às mães demonstramos em pequenos e grandes gestos, de elogios que vão além do carinho e dedicação que entregaram aos filhos na vida, palavras e atitudes que valorizem as mulheres guerreiras que são, talentosas e inteligentes. Se ela nunca se libertou do regime machista em que foi criada e que repetiu junto ao marido com os filhos, faça isso por ela! 

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Essa nostalgia de mulher do lar, “prendada” e com multi habilidades é a visão mais ingênua e hipócrita do lar doce lar machista. São fatos, nada de exagero e requer reflexão até mudança de padrões comportamentais. É como se fosse uma responsabilidade exclusiva das mães aprender a cuidar dos filhos, do marido e da casa. Parece propaganda da coca-cola de 1980. Mas não é! É assustador quando crianças crescem sem questionar assistindo os pais chegarem em casa do trabalho e se atirarem no sofá para ver TV esperando que a esposa traga uma cerveja e depois sirva o jantar, enquanto as mães chegam do trabalho igualmente cansadas e ainda vão cuidar da casa e dos filhos. Essas crianças são os futuros adultos sexistas que vão continuar achando que mães tem super poderes e que os pais devem ser poupados de serviço come jornada dupla ou tripla. Acabe com a  máxima “”mãe só existe uma”, pai também pode ser único. Toda jornada de trabalho fica mais leve na vida quando compartilhada, com igualdade de direitos e deveres, dentro e  fora de casa. Quando as crianças aprendem esses valores se tornam adultos independentes, íntegros e desarmados da discriminação de gênero em qualquer âmbito da vida. E ajudar – obviamente – não significa a mesma coisa que dividir, nesse contexto. 😉

É sabido que o papel do pai completa a criação de uma criança e deve ser tão ativamente participativo quanto a mãe, acordar de madrugada para atender o bebê chorando, trocar fralda, dar mamadeira, dar banho, dar comida, educar, passear, não é tarefa fácil, mas ambos têm responsabilidades sobre o ser humano que juntos deram vida. Dividir as tarefas domésticas e atenção aos filhos em horários planejados, fazer malabarismos com o tempo para se dedicar a educação dos filhos, ao trabalho e ainda lembrar de preservar o romance do casal. É algo recorrente nos dias atuais, e nada mais justo, dá liberdade a homens e mulheres, dentro do contexto da vida de cada um, com o “peso” equilibrado as escolhas da família. Parece simples e até redundante falar: pai também participa! 

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Mãe é oprimida demais

Há gravidez não planejada, não desejada, em que, muitas vezes pais abandonam “o desafio”, há também mulheres que não conseguem ou não querem ser mães, mesmo após conceber um lindo bebê. Nada é tão óbvio aparentemente nas famílias que vemos. Mas o fato é que toda e qualquer mãe, sem piscar, imediatamente é duramente julgada, sempre. Mulheres que decidem não ter filhos são criticadas, as que têm filhos também, por ter “apenas” um, por ter “muitos”, por deixar o filho na creche, com a babá ou com o marido, porque param de trabalhar para ter filho ou porque não param. Sempre apontam que o filho está fora do peso ideal, incomodam até com amamentação em público, além dos milhares de palpites sobre o corpo de uma mãe, que não volta ao peso “normal” depois de parir. E quando a gravidez é justificativa “natural” para traição de marido/namorado?! Socorro!

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Por isso tenho empatia pelas mães, mesmo eu não sendo uma, estudo sobre os temas relacionados para aprender com humildade, tenho sororidade por elas, porque acredito a ditadura sobre criação dos filhos é decisivamente nociva para a formação de caráter e valores de adultos. Tacitamente não evoluímos para lugar algum, pensemos e mudemos para melhor, a cada Dia das Mães! 🙂

Dica de um texto maravilhoso para mães de menino: Maternidade e Misandria

Mãe, só para constar, você não tem culpa!  A culpa está no todo, na opressão da sociedade que vem de todos os lados, fonte da tradição machista familiar e social. Para além do apego entre mães e filhos, pais e filhas que ensina Freud, os direitos e deveres devem ser conversados com as crianças e os papeis sociais de gênero restaurados, para que haja liberdade e respeito entre os sexos.


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