assint luana Frases que precisam parar de ser ditas aos pequenos, pois reforçam o machismo e a homofobia na sociedade:

“Senta que nem mocinha”/ “comporte-se como mocinha” Definitivamente uma criança de três anos, por exemplo, não precisa aprender a sentar “que nem mocinha”. Orientar sobre o respeito com os outros, a partir de palavras e atitudes, o valor das coisas e das pessoas, isso sim é válido ser ensinado desde cedo. Mas moda e etiqueta de comportamento não cabe a elas saberem. Deixe a criança ser autêntica, sentar, correr e pular do jeito que quiser.

“Isso não é jeito de uma mocinha se comportar” Não há uma fórmula de como uma “mocinha” deve se comportar e se isso significa ser uma “dama”, crianças não precisam obedecer. Correr e gritar, ralar os joelhos brincando, arrotar espontaneamente, qual o problema? Deixe se divertir, deixe ser criança. Afinal, uma menina não deve querer ser apenas uma princesa, deve querer muito mais e como bem entender!

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Fotos inspirações da campanha FCKH8 contra o machismo.

“Que linda, já pode casar” / “Desse jeito vai ficar para titia, hein”.

E casar é a única ou principal aspiração de uma menina?! Certamente não! Não se casar e não ter filhos não é necessariamente uma punição. Inclusive, muitas vezes é uma opção. 

“Pernas cheias de roxos e ralados, parece um menino!” / “Menina não fala palavrão”. Menina com joelhos ralados e pernas roxas de brincar não parece menino, apenas parece uma criança. E que tal usar “criança não fala palavrão”? Ou então meninos podem? Falar palavrão é questão de educação e gentileza, que a criança aprende em casa, repetindo o que ouve da família e também dos colegas de aula. Sentar e conversar sobre isso é a melhor opção para não reproduzir o que pode ser grosseiro ou desrespeitoso.

“O que vão pensar se virem você descalça, toda suja ou brincando de carrinho e usando boné?” Devem pensar que trata-se de uma criança, oras! Realmente a opinião alheia muitas vezes pode ser cruel e distorcida, mas o que importa é deixar a criança ser livre, pois como ela é de verdade somente a família e pessoa mais íntimas conhecem. Esses sim podem educar com limites saudáveis, pois criança deve aprender o valor do “não”, que há limites de bom senso e de respeito de convivência. E sobretudo, os pais devem respeitar a individualidade dos pequenos, para que cresçam confiantes, autênticos e altruístas.

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Fotos inspirações da campanha FCKH8 contra o machismo.

“Vira homem, moleque” / “Engole o choro”

Meninos se tornam homens com o tempo, não precisam engolir o choro ou engrossar a voz para isso. Além disso, em muitos contextos falar grosso e alto significa ser arrogante e autoritário, então porque não ensiná-los a falar com educação e leveza?! E meninos que aprendem a expressar os sentimentos, falar o que pensam e sentem não se tornam covardes ou menos homens, e sim, em pessoas sensíveis e sinceras, emocionalmente fortes e humanamente compreensivos.

“Você tem que dar a sua palavra de homem.” / “Para com isso, parece mulherzinha.”

O que é considerado frescura  para uns é sensibilidade para outros. Ser como uma mulher não seve ter diminutivo na na expressão, nem conotação de inferioridade. Todos podem ser fortes e ter capacidades incríveis como pessoas, independente de gêneros, algo redundante e demasiadamente lógico, mas é bom lembrar. Por isso chega de falar parece/é coisa de mulherzinha para as crianças, caso contrário vão associar a imagem feminina a fragilidade e fraqueza, o que limita as potencialidades das crianças. E palavra de honra deve ser ensinada a meninas e meninos, desde cedo, para que tenham noção de responsabilidade, lealdade, honestidade.

“Mas seu irmão pode, porque ele é homem!” / “Isso é brincadeira de menino”

Não há diferença, tarefas e brincadeiras devem ter equilíbrio na vida das crianças, meninos e meninas devem ter hora para brincar e também para ajudar nas tarefas de casa. Uma educação assim os tornarão adultos mais independentes e responsáveis, sabendo o momento de se divertir, sendo justo e colaborativo, sem distinção de gênero. E brincar de carrinho ou jogar bola não torna uma menina masculinizada, tão pouco brincar de boneca torna um gay, esses são preconceitos somente dos adultos, as crianças não vêm diferenças e não devem aprender a ver. 

brincadeiras nao sexistas

Fácil de entender, né?! Basta praticar mais.

Crianças são como jóias não lapidadas, que com o tempo vão perdendo a ludicidade e a fantasia do melhor lado da vida, de tantos certos e errados arbitrários que aprendem. Alguns nunca terão mais aquele brilho no olhar, que só uma criança transmiti. Criemos as crianças para que nos ensinem com isso, não impondo regras e preconceitos que as apaguem pouco a pouco, até que se tornem adultos opacos cheios de medos, inseguranças e críticas ao diferente. Aí entra o desafio que convive com crianças: tudo que te ensinaram um dia, pense de novo e de novo e de novo…


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