assint luana

LibertéEgalitéFraternité

A noção filosófica de liberdade denota a ausência de submissão, qualificando a independência do ser humano e, também, significa a espontaneidade de um sujeito racional, o que constitui os comportamentos humano. A liberdade é aquilo que nunca conseguimos definir especificamente ou completamente, mas faz todo sentido e todos querem ter. É a eterna fonte motivadora de seres humanos ávidos por viver da forma que bem entendem e que também desejam isso para os outros. Revoluções históricas existiram também por isso!

Na realidade, muita gente pensa exclusivamente na primeira instância – eu ser livre – mas a liberdade coletiva deve ser pensada também, porque implica diretamente para cada um ser livre, se não lutamos pelo todo, por igualdade, sozinhos é que não somos mais fortes. Porque se o olhar alheio julga que outros não podem ter certos direitos, certas liberdades, então o inverso será verdadeiro e assim dá-se o caos social, repleto de dedos apontando na cara. Mas, é bom lembrar que quando apontamos um dedo para alguém, outros três apontam na direção contrária, a do julgador.

E a arte do julgamento é algo intrínseco ao ser humano, é quase impossível não criarmos ao longo dos anos algumas opiniões prévias sobre tudo. Há uma influência do outro e do meio constantemente, que devemos evitar, para não acabar reproduzindo opiniões vazias. E se desvincular de tal mentalidade coletiva que costuma criticar é tão difícil quanto receber e lidar com críticas a todo momento. Mas, para não ser julgado, somente ocorre se você nunca se expor e nunca fizer nada, então, mais vale encarar com leveza, sempre que possível.

Normalmente o estranho a nós, o diferente é o tema que costumamos inferir rótulos e achismos, (pre)conceitos rasos. Isso não significa “ter opinião formada”, pois nesse sentido a conclusão do pensamento surge a partir de vivências que temos e também de um aprofundamento na questão e na reflexão sobre pontos de vista distintos. De qualquer maneira, quando concluímos um julgamento sobre alguém, um fato ou uma, a afirmação ainda será sempre simplificadora da realidade e fonte de um acúmulo de referência > você, eu < e todos que gostam de apontar o dedo vez em quando.

E nessa ciranda social em que os egos falam muito alto, poucos se prestam a debater opiniões divergentes, mesmo que não chegue a um consenso, conversar é necessário, é parte de ser sociável, diria até diplomático. Por isso, ainda acredito que antes de taxar opiniões é coerente relativizar o que se passa em nossa mente culturalmente (pre)conceituosa. Extremismo geralmente não traz benefícios e o equilíbrio nesse contexto não é ficar “em cima do muro”, é ponderar os pontos de vista para que haja respeito, mesmo que não consiga concordar com a realidade exposta. Não vale a pena alimentar o (ego)centrismo nesse contexto social, pois nossas liberdades estão interligadas.

revoluções

Liberdade e Opiniões

E julgamento tem a ver com liberdade? Bom, tem tudo a ver, posto que todo mundo é livre por natureza, mas devido aos julgamentos que enfrentamos em uma sociedade, a medida da liberdade é demarcada por leis, regras de civilidade, entre outros. Inclusive dentro de casa criamos regras limitadoras, desde cedo a família nos impõe conceitos e deveres que supostamente são os corretos. Errado? Diria que é no mínimo uma tentativa de organizar e harmonizar os ambientes sociais, pois há tanta lei redundante não é à toa: não matar, não roubar, não estuprar, não agredir, não trair o cônjuge, não invadir propriedade privada, etc. Precisa dizer? Ah, precisa!

Em razão disso o homem criou leis de convivência em sociedade, seja pela falta de bom senso e controle emocional de alguns e a ideia torta de certo e errado de outros. Pessoas são diferentes, talvez essa seja a maior graça da vida e também a maior dor quando apontamos com preconceitos racistas, religiosos, homofóbicos, elitistas, misóginos e qualquer outro tipo de ódio ao semelhante, o que é imprescindível  pensar e desconstruir. Aliás, raça só existe uma, a Raça Humana.

Simone de Beauvoir citou “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”. Interpreto essa frase célebre como uma síntese da complexidade humana, de seres plurais, que não devem ser definidos de maneira limitante, devem ter oportunidade de se expressar, espaço para se mostrar, com o respeito dos olhares alheios. Sartre, o companheiro de Beauvoir também tinha uma ideia de liberdade que eu gosto, com a sentença “é proibido proibir” o filósofo existencialista quer dizer que todos são livres desde que nascem, sem ter uma essência divina que precede a existência, pois tudo que se vivencia criaria a essência única da pessoa, a qual pode e deve ser livre, entretanto, sempre responderá por suas escolhas > responsabilidade <. 

E assim, nessa obviedade nada fácil de entender consiste o eterno dilema cultural e substancial do ser humano, o qual pode ser tão generoso e complacente, mas geralmente escolhe ser indiferente, receoso e até violento àquilo que é estranho ao seu universo “umbiguista”. Falando nisso, em minha humilde opinião (não rasa), liberdade pode ser indefinido entre as pessoas, mas respeito é algo bastante concreto, palpável e praticável. A diversidade traz riqueza cultural, liberdade traz paz, mas antes traz discussões que têm uma linha tênue chamada respeito, que tem o poder de levantar uma muralha de diferença, dividindo a intolerância e discriminação de um lado e do outro o senso coletivo, a aceitação apaziguadora, a tolerância social e humana. Por isso, é sempre válido que cada um busque viver a própria vida e deixe o outro viver também, pensando um pouco mais sobre aquilo que deu vontade de apontar.

flores na mao


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