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Dilma e  as generalizações

“O problema do Brasil é a Dilma, é o PT, é a democracia falida”, dizem alguns. Na verdade, muitas minorias assumiram o poder governamental de grandes potências mundiais nos últimos tempos, como Barack Obama, Cristina Kirchner, Angela Merkel e Dilma Rousseff. Há algumas décadas isso faria muitos conservadores preconceituosos arrancar os cabelos, ainda faz aliás, ver negros e mulheres no comando. E o fato é que dentre as mudanças de governo, o que menos importa é a aparência ou origem étnica dos representantes. Estereótipos de valores infundados, que há aos montes, e temos obrigação de desconstruir tal mentalidade, dia após dia, na conversa com o vizinho, na sala de aula, na roda de amigos e família ou com a criança que está aprendendo a falar. Sempre há tempo de mudar conceitos sobre gêneros e poder.

As pessoas e o poder

Nota-se que o Brasil precisa de uma profunda reforma política e isso se deve ao contexto político social que está contaminado pela corrupção, pelo egocentrismo, por alienação popular aliado ao abuso de poder. Situações que surgem, muitas vezes, ao colocar diante da face do poder homens e mulheres que por falha de caráter, devido a pressões externas ou por vontade própria de seguir o que já está no caminho desonesto. Isso, se o indivíduo já não nasce assim e ainda se interessa por carreiras públicas. É necessário pessoas melhores para assumir cargos que decidem a vida da maioria. Devem ser honestas e que prezam a justiça e trabalham para o povo, não de partido A ou B, de mudança de regime político sem a participação e o amadurecimento do povo para isso. Pois parafraseando o exemplo Mujica, presidente do Uruguai: se atos simples e honestos surpreendem e assustam, então todos estão loucos e muito errados, né?!

O gênero do mau caráter não existe. E acredito que nem o gene, se me permitem o trocadilho. Ninguém nasce ruim ou desonesto. Aprende a ser. Porém, em razão de um sistema patriarcal ainda vigente, que desafia diariamente as instâncias públicas quanto a participação da mulher no poder, o feminino parece ter maior atenção. Isso deve-se a representação das mulheres nos espaços formais de poder político, somado a sub‑representação na mídia. Presença essa que é reduzida em número ainda, mas não em valor, mas marcada por estereótipos de gênero e vinculada ao menor prestígio, ratificando a posição marginal das mulheres na vida política. Por isso, deveria ter cuidado que grita a alcunha de vaca, para a presidente Dilma, ou generaliza qualquer situação de dominação feminina no poder. Não focar em quem erra, e sim no motivo dos erros e na solução, com punições e novas medidas. 

É uma postura que deve ser naturalizada, pois a diversidade de estereótipos no poder é uma tendência natural da intervenção feminista no mundo e da maior conscientização do coletivo e dos atributos humanos independente de gênero e seres isolados. E assim, apenas busco esclarecer uma percepção que tenho diante dessa fase de tanto protesto e ânimos apreensivos quanto ao futuro político, social e econômico brasileiro.

O ser humano e a política

O governo é constituído por um conjunto de pessoas, líderes e subordinados, todos interferindo diretamente em decisões que deveriam servir unicamente ao povo, bem como determina o regime democrático em que vivemos. Ou melhor, vivíamos. O republicanismo que se instalou, inundado por ondas de corrupção preocupa o futuro da nação e deve ser separadamente entendido de partidarismo ou de pessoas representantes como únicas responsáveis do caos instalado. É simples entender, mas é uma árduo trabalho mudar tal condição. É social, e portanto, diverso e complexo, desde a preguiça do povo em participar ativamente da política governamental, até a hipocrisia ou pura burrice de quem ecoa vontades regressivas desejando ditadura e Bolsonaro’s novamente.  Por outro lado bem mais sensato, a solução segundo as palavras do filósofo Vladimir Safatle “é aproximar o máximo possível da presença popular, reconstruindo a estrutura institucional a partir disso. A Assembleia tem que ter pessoas simples participando, professores, enfermeiros, pessoas comuns, e não só políticos”. 

Ávido por bom senso, sem atacar, sem revidar, o momento é para pensar em como sair da lama. E isso invariavelmente se faz unindo forças, que nesse caso devem vir de políticos junto ao povo. Lembrando que política se vive no cotidiano. Isso recai sobre todas as leis que regem a sociedade e as diversas regras de lares, ambientes profissionais e círculos de amizades, o que são maneiras politizadas de manter a convivência apaziguada e diplomática entre diferentes pessoas. É uma reflexão singela e geral para quem diz não gostar de discutir política, pois sempre o faz.


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