assint luana

Está repercutindo no mundo inteiro, em diversas mídias a campanha da Intermarché, rede de supermercados francesa. O objetivo é diminuir o desperdício de alimentos, como toneladas de frutas e verduras que vão parar no lixo anualmente, simplesmente porque estão fora dos padrões do mercado. Isso acontece normalmente nas produções, por exemplo uma maça que cresce pouco, um tomate que gera gomos estranhos, uma pêra com a coloração diferente, uma beringela com formato torto ou uma cenoura com dobras e textura enrugada. Tudo isso são questões estéticas que não diferem em nada esses alimentos em nutrientes e sabores. Mas por esse motivos aparentes que os “destacam” acabam sendo imediatamente excluídos da exposição ao supermercado para a venda. Aliás, ERAM! Agora eles também são destinados a mesa dos consumidores. Assistam o vídeo da campanha Inglòrious Fruits&Vegetables.

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A tradução da campanha seria algo como Frutas e Vegetais Inglórios e traz atrações como:

  • Les fruits et legumes moches > As frutas e legumes feios
  • L’aubergine moche > A beringela feia
  • La pomme moche > A maça feia
  • Le citron moche > O limão feio
  • L’orange moche > A laranja feia
  • La pomme de terre moche > A batata feia

O resultado do design e da comunicação criativa da campanha foram um sucesso, além disso os alimentos “engraçados/diferentes” tinham 30% de desconto, os tornando ainda mais atrativos. Mas normalmente a venda dos alimentos “feios” é difícil, a maioria das pessoas preferem o que está mais bonito aparentemente, mesmo sabendo que, muitas vezes, a aparência impecável é em razão de agrotóxicos. Vai dizer que não?!

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A intenção da campanha de vender os alimentos antes jogados no lixo e evitar o desperdício foi claramente alcançado. Entretanto, acredito que o maior ganho que a campanha gerou foi a mudança de comportamento ao olhar para esse tipo de alimento, provocando um olhar diferente sobre o que é considerado feio e o que deve ser valorizado, além do preço.

Isso tudo me fez pensar…sobre alguns conhecimentos de estética que aprendi na Universidade e na vida.

O cérebro humano, via de regra, busca instintivamente o belo e o harmônico para agradar os olhos. Mas isso é relativo a diversos fatores do meio, como do que se trata, se é uma pessoa, um alimento, um animal, planta ou objeto decorativo. A beleza também é fortemente influenciada pela cultura e estigmas de uma sociedade, quando alguém avalia algo como bonito ou feio, normal ou estranho. Mas, sobretudo, quem faz tal avaliação, ou seja, é mais relevante o sujeito que vê do que a coisa vista, bem como o velho ditado, “a beleza está nos olhos de quem vê”.

O ditado já é batido, porém o conceito é sempre pertinente, para que todos lembrem que a beleza também depende do referencial como na física. E por ter sido historicamente padronizada com proporções que variaram conforme os séculos, as modices e os valores sociais, o conceito de feio acaba seguindo passivamente o caminho oposto do que ditam para o belo.

A arte sempre retratou a beleza segundo as mãos do homem, seus sentidos e percepções, como ser político social e histórico que é. E assim sendo, qualquer um pode desenvolver a capacidade de rever seus conceitos de beleza e feiura, com o intuito de pensar diferente e talvez descobrir olhares exclusivos e surpreendentes positivamente.

Para Kant, é belo todo objeto que satisfaz o espírito, sem nenhuma intelectualização sobre o mesmo, trazendo ideia de infinitude a consciência . Kant também citou “o belo é uma ocasião de prazer, cuja causa reside no sujeito”. Essa sensibilidade que acredito ser importante alcançar, olhar diferente para a beleza das coisas.

Dessa forma, nos permitimos enxergar grandiosidades que ultrapassam as o senso comum e dimensões humanas, sendo particulares e autênticas ao observar qualquer elemento, seja um rosto maduro cheio de rugas ou uma pele de bebê, o patinho feio da história ou o estereótipo da princesa e dos príncipe dos filmes, um castelo luxuoso ou um casebre de madeira. Porque o melhor juízo estético está no sujeito considerar o que há de aparência e essência naquilo que sente ao ver e avaliar algo, o que anima o objeto e o torna bonito ou feio para você.

mtg beleza

.comenta ai

29.08.2014


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