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Saiba mais sobre a história da tatuagem de um ponto de vista ideológico e artístico, com a participação especial de Mauricio Reindolff, da Treze tatuaria, estúdio do qual é sócio em Santa Maria/RS.

O termo tatuagem, pelo francês tatouage e, por sua vez, do inglês tattoo, tem sua origem em línguas polinésias (taitiano) na palavra tatau(era o som feito durante a execução da tatuagem, em que se utilizavam ossos finos como agulhas e uma espécie de martelinho para introduzir a tinta na pele). O pai da palavra “tattoo” foi o capitão James Cook. A arte de tatuar o corpo surgiu a +- 4 mil anos, no Egito e entre nativos da Polinésia, Filipinas, Indonésia e Nova Zelândia, como ritual religioso.

Durante a Idade Média a Igreja Católica baniu a tatuagem, pois considerava prática demoníaca, anos mais tarde o Governo da Inglaterra tomou a tatuagem como uma forma de identificação de criminosos em 1879, a partir disso a tatuagem ganhou uma conotação fora-da-lei no Ocidente.  Sobre isso, o tatuador Reindolff, “a discriminação já foi maior, mas ainda sim temos um pouco de repúdio a pessoa que tem tatuagem e até mesmo ao tatuador (…) dependendo do local tatuado, se for na mão ou no pescoço, quanto maior for o desenho menores serão as chances da pessoa ser contratada em algumas empresas (…) um salve a internet e a mídia independente”.  Nesse contexto social, quanto mais acesso ao conhecimento através das novas tecnologias, menor será a ignorância em relação ao assunto e, portanto, maior será a aceitação do que é diferente.

Somente em 1891, Samuel O’Reilly desenvolveu um aparelho elétrico para fazer tatuagens. Todavia, no Brasil a tatuagem elétrica surgiu em meados dos anos 60, em Santos, foi introduzida pelo dinamarquês Knud Harld Lucky Gregersen (também conhecido como Lucky Tattoo), que tinha sua loja nas proximidades do cais, onde na época era a zona de boemia e prostituição da cidade de Santos, o que contribuiu bastante para a disseminação de preconceitos e discriminação da atividade.

Nora Hildebrandt (foto abaixo), nascida por volta de 1850, é considerada a primeira mulher tatuada a se apresentar nos Estados Unidos. Quem a tatuou foi seu pai, ela começou a se apresentar em museus e feiras freaks em 1882, e nessa época já tinha 365 tatuagens. Em algumas apresentações seu pai fazia novas tattoos em seu corpo. Nora ainda excursionou em um circo durante seus últimos anos, pois na época uma pessoa tatuada era motivo de atração pública.

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Um dos precursores dessa arte no século XX foi Al Schiefley (foto abaixo).

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Durante a  Segunda Guerra Mundial, a tatuagem foi muito utilizada por soldados e marinheiros, que gravavam o nome da pessoa amada nos seus corpos. Atualmente, muitos buscam tatuar o nome, a foto, a frase ou alguma imagem que represente algo bastante relevante para si, seja uma pessoa, uma relação, uma arte, um personagem, um animal ou uma ideologia. Com isso, a motivação provém de inúmeras razões como simbologia, estética, cultural, modismo ou como um ritual de passagem, de algo que a pessoa quer marcar e levar sempre consigo, como afirmou Reindolff. Sobre as tatuagens mais pedidas, ele citou que “há uma variedade de trabalhos e projetos desde orientais até frases apenas como apelo simbólico para a própria pessoa. Das que eu tenho realizado (até pela divulgação dos meus trabalhos na minha fanpage) são mais no estilo aquarelado (watercolor) em que se deriva de trabalhos com linhas pretas mais delicadas, na sua maior parte, delimitam a forma e com manchas, bem delimitadas ou expansivas/ aguadas, onde a mancha é que dá forma a figura, e não apenas de fundo, mesclando-se ao que dá origem a figura” (fotos abaixo).

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Tatuar é eternizar o momento, é algo do presente que no futuro pode não fazer mais sentido, porém um dia foi importante. Por isso é imprescindível que os tatuadores conversem com seus clientes, bem como o tatuador Reindolff faz, “oriento meus clientes para que não seja feito algo meramente por ansiedade, mas que seja planejado e que daqui uns anos ela ainda tenha aquele trabalho como algo de significado e que realmente tenha certeza de que o trabalho tenha sido bem realizado”.

Tatuar é fazer do teu corpo tela de arte para que o tatuador exponha o desenho criado especialmente para esse fim, porque desenho para tatuar precisa ter movimento, acompanhar as curvas do corpo e muitas vezes encaixar no local escolhido. Essa não é uma tarefa fácil, porque a tatuagem não é como um adesivo que se cola em qualquer lugar. Tatuar requer coragem, ousadia e certeza do que se quer representar em forma de desenho pigmentado na pele. Doer dói, posso falar por experiência própria, mas não é algo que impeça de pintar a tela inúmeras vezes durante a vida, porque tatuar pode viciar, como muitos dizem. E vicia porque é arte, é expressão de sentimentos e de ideais, é atitude, e isso tudo a gente faz a vida inteira.

 comenta ai

18.06.2014


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